Como manter a saúde emocional durante o isolamento?





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A pandemia de coronavírus, decretada na primeira quinzena de março, fez os governos de diferentes países adotarem medidas restritivas de circulação para conter o avanço da Covid-19, colocando grande parte da população mundial em isolamento. Além das consequências políticas, econômicas e a pressão nos sistemas de saúde, há uma preocupação com os efeitos disso na saúde emocional e nos relacionamentos, sejam eles familiares ou amorosos, da população.

O momento é de crise. A comoção é comparável à de uma guerra mundial, para a qual ninguém está completamente preparado. A vida de todos foi alterada de uma hora para outra com o agravamento da pandemia e o consequente aumento do número de casos e de mortes registradas pela Covid-19.

A saúde emocional pede atenção em momentos de crise, principalmente, àqueles que já apresentavam um quadro emocional instável, que podem desencadear ansiedade e depressão. Stress pós-traumático pode acometer os mais vulneráveis, quando submetidos a uma situação como a que vivemos agora. Quem tem perfil obsessivo-compulsivo pode exacerbar os pensamentos e os rituais característicos. Além disso, agressividade, irritabilidade, insônia, uso abusivo de bebidas alcóolicas, inapetência ou comer compulsivamente são alguns dos quadros que também podem ocorrer

O isolamento do mundo social, ao manter as pessoas dentro de casa, necessariamente as coloca numa convivência mais intensa e incomum na vida contemporânea.  A agenda ideal é aquela que tenta suprir o dia de com ações básicas do cotidiano, mescladas a entretenimento e exercícios físicos. Os aplicativos estão repletos de dicas de, por exemplo, como se exercitar num espaço restrito e sem aparelhos de academia. O home office é importante, para não ficarmos acomodados em férias sem fim, sem hora para acordar nem para dormir, comer, tomar banho. Outra providência muito importante é manter-se informado, mas não se tornar refém do noticiário ou, pior, das fake news. 

Recomendo que aqueles que têm filhos aproveitem para iniciar ou consolidar a conversa e a convivência em família. Para os casais sem filhos, o tempo livre pode ser precioso para atividades a dois, almejadas há muito, como reorganizar os livros, as bebidas, os dados no celular. Ficar de pijama em casa? Nem pensar! Muito menos descuidar da aparência. 

Já que tem mais tempo livre, dedique-se a você e mantenha-se em forma e alinhado(a). Ler livros, assistir filmes, séries e documentários, ouvir música, arrumar o armário, cozinhar, aprender algo novo pela internet... essas são as opções que mantêm  equilíbrio emocional e vencem o isolamento.

O medo pode ser um aliado. Faz a gente se proteger mais. Conhecer os seus limites e não abusar da sua capacidade é a recomendação. Ninguém é tão forte que não fraqueje numa situação de calamidade. Mas não há fraco que não possa exercitar a vontade de se superar.

Não se trata de "pensar positivo". A ideia é não "pensar só no caos". Perceber as incríveis demonstrações de afeto que acontecem a nossa volta faz bem. Demonstrações de solidariedade, gratidão e esperança são poderosas. Ajudam a fortalecer as defesas do organismo.

Para aqueles que não podem trabalhar de casa e precisam lidar com o público, a recomendação é "proteja-se!". A proteção deve ser tanto no plano físico (máscara, luvas, higienização das mãos, etc.) quanto no plano mental (evite conversas deprimentes, presságios negativos, noticiários alarmantes) e no plano afetivo, se aproxime daquilo que lhe faz bem. Ouvir música, dançar, conversar, programar o futuro, observar a natureza, as crianças, as obras de arte - tudo pela internet.


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