Entenda as diferenças entre Ovários policísticos e Síndrome dos Ovários Policísticos




Separadas por uma palavra, existem duas condições da saúde da mulher que causam alguma confusão: os ovários policísticos e a Síndrome dos Ovários Policísticos. É comum achar que se trata da mesma coisa, ou no máximo que a síndrome seria um estágio diferente, mas os únicos pontos em comum são o lugar em que ocorrem – os ovários – e a presença de cistos; de resto, são bem diferentes entre elas. E requerem tratamentos distintos.

Ovários policísticos, como o próprio nome indica, são ovários que têm muitos cistos. Para que o caso seja considerado clinicamente de ovários policísticos, é necessário que haja dez folículos de 10 mm em cada ovário. A abundância de cistos ocorre naturalmente. Como consequência, eles provocam um desequilíbrio hormonal, levam a falhas na menstruação ou na ovulação e, em alguns casos, causam dores agudas.

É bom estar atenta a estes sinais e, ao percebê-los, procurar um ginecologista para a realização de exames que confirmem ou descartem a condição.

Já a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endocrinológico causado principalmente pela alta produção de hormônios masculinos no organismo da mulher.

Os ovários são responsáveis por produzir diversos hormônios, entre eles os masculinos, que devem estar presentes em pequena quantidade no corpo feminino. Quando há um desequilíbrio e essa testosterona fica excessiva, formam-se cistos.

Os sintomas clássicos da SOP são o surgimento de acne adulta e de pelos no corpo (especialmente em regiões onde mulheres não costumam ter fios), o aumento da oleosidade na pele, queda de cabelos, falhas menstruais e de ovulação. Notar três destes sintomas ao mesmo tempo é o sinal de alerta para ir ao médico e checar se é SOP de fato.

Em casos mais avançados, a mulher pode desenvolver diabetes tipo 2 e doenças cardíacas, o que pode resultar em problemas sérios de fertilidade – a dificuldade para engravidar, inclusive, é a razão mais comum pela qual a mulher acaba descobrindo que tem SOP. 

Espera-se que quem tem SOP tenha também ovários policísticos, mas não é regra. É que o corpo humano é complexo, e pequenas alterações na vida da mulher podem colocar abaixo as fórmulas. Pode ser que a paciente não tenha toda a quantidade de folículos necessária para caracterizar os ovários policísticos. Se ela tomar pílula anticoncepcional, isso pode acontecer.

No caminho contrário – questionar se quem tem ovários policísticos tem maior propensão para desenvolver SOP –, a ligação entre as condições é inexistente. Vale lembrar: é a produção desregulada de hormônios masculinos a responsável pela síndrome, não a pré-existência de cistos.

Quem tem ovários policísticos não deve, a princípio, se preocupar em fazer algo a respeito deles. A mulher pode viver com seus folículos normalmente. Se apresentar alguma dificuldade para engravidar, parte-se para um tratamento. Senão, não tem necessidade.

A SOP, por sua vez, exige tratamento, sim. Por ser mais complexa, a síndrome precisa ser acompanhada por outros profissionais, como endocrinologista, dermatologista e, algumas vezes, psicólogo.

Isso porque várias frentes precisarão ser abordadas: os cistos em si, suas causas (o desequilíbrio hormonal, daí a presença do endocrinologista) e consequências (problemas na pele e nos cabelos serão vistos pelo dermatologista, as implicações na autoestima ficarão por conta de um psicólogo).

Portanto, fique atenta aos sinais do corpo, mantenha seus exames em dia e cuide para que fatores externos não lhe estressem além da medida. Sua saúde merece!



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