Saiba mais sobre a Doença de Parkinson






A Doença de Parkinson (DP) é uma doença crônica e degenerativa do sistema nervoso central que resulta da morte de neurônios motores da substância negra, acarretando diminuição da dopamina na via negroestriatal.

Essa é uma doença de progressão lenta que afeta principalmente pessoas acima de 50 anos. Dado o crescente envelhecimento da população mundial, estima-se que, em 2020, mais de 40 milhões de pessoas no mundo terão desordens motoras secundárias à DP

Ela caracteriza-se por tremor, rigidez, bradicinesia e alterações da postura, do equilíbrio e da marcha . Além disso, os pacientes com DP podem apresentar alterações músculo-esqueléticas como fraqueza e encurtamento muscular, alterações neurocomportamentais como demência, depressão e tendência ao isolamento e comprometimento cardiorrespiratório o que interfere diretamente na performance funcional e independência destes indivíduos.

Geralmente, os pacientes com DP são classificados de acordo com o estado geral de severidade da doença, sendo usado para isso a Escala de graus de Incapacidade de Hoehn e Yahr.

Os pacientes classificados nos estágios I, II e III dessa escala apresentam incapacidade leve a moderada, enquanto que aqueles que estão nos estágios IV e V apresentam incapacidade mais grave.

O estágio inicial é caracterizado por completa funcionalidade, podendo o paciente apresentar tremor e rigidez unilateral, sendo o tratamento basicamente preventivo.

O estágio intermediário ou moderado é composto por sintomas bilaterais, incluindo bradicinesia, rigidez, alteração da postura e da marcha, devendo o programa de tratamento incluir exercícios corretivos.

No estágio tardio ou grave, o paciente encontra-se intensamente comprometido e dependente nas atividades de vida diária sendo o tratamento nesta fase composto, principalmente, por cuidados com a pele, higiene e função pulmonar, além do tratamento farmacológico e, algumas vezes, cirúrgico.

A etiologia da DP ainda é desconhecida, porém, atualmente diz-se que entre os fatores que contribuem para o aparecimento da doença são as neurotoxinas ambientais e os fatores genéticos. Em relação às neurotoxinas podemos citar o uso de heroína e a exposição a tóxicos agroindustriais.

Existem múltiplos fatores que se somam: fatores genéticos, ambientais e do envelhecimento. Dentre os vários mecanismos possivelmente implicados na degeneração celular da Doença de Parkinson, estudos destacam os seguintes: ação de neurotoxinas ambientais, produção de radicais livres, anormalidades mitocrondriais, predisposição genética e envelhecimento cerebral.

A causa da DP é desconhecida, mas existem alguns tipos de parkinsonismo. Esses são o mais comum, que serão citados devido a sua classificação:

A Doença de Parkinson é classificada como:

a) Parkinsonismo idiopático: este grupo inclui a Doença de Parkinson verdadeira, ou paralisia agitante, sendo a forma mais freqüente entre as pessoas de meia idade ou idosas.

b) Parkinsonismo pós-infeccioso: este tipo de parkinsonismo, segundo se teoriza, é causado por encefalite vira, sendo atualmente pouco frequente.

c) Parkinsonismo tóxico: sintomas parkinsonianos ocorrem em indivíduos expostos a alguns venenos industriais, agentes químicos e algumas drogas.

d) Parkinsonismo arteriosclerótico: o envolvimento arteriosclerótico e o infarto o tronco cerebral envolvendo a substância negra, os tratos nigroestriais, ou gânglios de base, também podem gerar sintomas de parkinsonismo.

e) Parkinsonismo atípico: este representa um grupo de varias patologias, onde é muito comum haver uma síndrome parkinsoniana associada a outras anormalidades neurológicas.

Baseado nas estatísticas, estudos mostram que a preponderância da DP na população mundial é de 100 a 150 casos por 100 mil habitantes, sendo que surgem 20 novos casos a cada 100 mil habitantes por ano. Estima-se que a DP acomete cerca de 1% da população acima dos 50 anos, podendo chegar a 2,6% da população com 85 anos ou mais, podendo ainda surgir entre 58 e 60 anos que é a idade média para o surgimento da doença, entretanto, há uma pequena porcentagem de casos em que a doença possa surgir na faixa etária dos 40, até mesmo nos 30 anos. Os homens podem apresentar uma maior probabilidade de adquirir a doença quando comparados com a mulheres, numa proporção de 3 para 2.

Os sintomas da DP podem ser diferidos entre seus portadores, ou seja, não aparece os mesmos sinais e sintomas em todos os indivíduos que possuem a doença, sendo que a bradicinesia, a rigidez, o tremor de repouso e a instabilidade postural são considerados os principais sinais da doença.

Conforme a sua progressão, outras complicações surgem decorrentes dos sintomas físicos e também de fatores psicossociais de cada indivíduo. Podemos citar outras complicações além das alterações na postura, as alterações na marcha que contribui para o risco de quedas, causando uma elevada redução no nível de atividade (gerando mais imobilidade).

Episódios de freezing (hesitação no início da marcha) junto à hipocinesia (diminuição da mobilidade) ocasionam a perda da dependência funcional.

Outros exemplos de complicações nos indivíduos parkinsonianos é a pobreza de movimentos chamada de oligocinesia; a dificuldade em iniciar os movimentos, ou acinesia; características faciais (face em máscara); marcha festinante ("em bloco"); alterações musculoesqueléticas (contraturas, fadiga...); distúrbios visuais, sensório-motores, da deglutição e comunicação além de alterações cardiopulmonares. Silva et al. (s.d) por ser uma patologia de evolução lenta, degenerativa e deteriorar os parâmetros físicos do indivíduo como força, equilíbrio, resistência, flexibilidade e coordenação acima citadas, podem ser encontrados outros tipos de sintomas além dos motores, exemplo: distúrbios comportamentais e cognitivos, alterações emocionais e sociais.

Esses distúrbios associados aos sintomas motores levam os portadores da DP a uma tendência de isolamento, ansiedade, distúrbios de sono e até depressão.
O diagnóstico se baseia na história médica e no exame físico e o tratamento desses pacientes deve ser imediato e contínuo, envolvendo vários profissionais, tanto da equipe médica quanto da equipe de reabilitação.

O tratamento baseia-se no uso de medicamentos que irão agir no desempenho motor, porém a terapia medicamentosa não pode abolir todos os sintomas, sendo nesse momento recomendada a fisioterapia.

Outro tratamento importante a ser citado é a abordagem cirúrgica, que possui grande importância e é somente utilizada em casos onde o paciente já não responde ao uso do medicamento ou desenvolveu reações adversas.

A fisioterapia tem um papel muito importante na reabilitação do paciente parkinsoniano, pois promove a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas, gerando movimentos funcionais que envolvam diversos segmentos do corpo, promovendo exercícios que possam manter os músculos ativos, além de preservar a mobilidade, enfatizando nos movimentos abdutores, extensores e rotatórios. Considerando a necessidade que o indivíduo com DP apresenta frente as diversas complicações e distúrbios acarretados pela doença e em meio a variedade de tratamentos fisioterapêuticos.


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