Saiba como tratar o estresse pós-traumático


 
O trauma é toda situação vivida ou testemunhada em que há a ameaça da própria vida ou a integridade física do sujeito ou de outros em que ele seja próximo e afetivamente ligado. (FOTO: Flickr/ Creative Commons/Mazinhobh)

 

Pessoas que já estiveram envolvidas de alguma forma com casos de violência urbana, assalto, sequestro, abuso sexual, terrorismo, guerra ou agressão física podem desenvolver o Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT). Esse evento pode ou não colocar em risco a integridade física do indivíduo. Ao passar por uma situação ameaçadora e apresentar intenso sofrimento psicológico, o indivíduo deve procurar uma ajuda profissional, pois pode estar sofrendo do transtorno.

Após o trauma, a pessoa pode ter dificuldade em deixar o acontecimento no passado e passa a ter uma reexperiência traumática. O indivíduo pode reviver esse evento constantemente como se realmente estivesse acontecendo, seja com pensamentos intrusivos com o que aconteceu ou com lembranças estimuladas por sons, pessoas, imagens, sensações e pesadelos. Também pode apresentar esquiva a tudo e a todos que possam fazer lembrar do ocorrido.

Para quem sofre do trauma, a desconfiança faz parte do dia a dia, e nenhum lugar parece seguro. A sensação de medo, horror e impotência é constante. Ansiedade, sudorese, distúrbios de sono, irritabilidade, taquicardia, vigilância constante, tontura e dificuldade de concentração também fazem parte dos sintomas do TEPT. Pode-se considerar transtorno quando se percebe prejuízos sociais, psicológicos e ocupacionais, ou em outras áreas da vida devido ao trauma vivido.

Antes de diagnosticar uma pessoa com TEPT é preciso considerar a sua história de vida e principalmente como ocorre a enfrentação diante de eventos adversos e difíceis na vida. Deve-se levar em consideração que o TEPT é desenvolvido após o trauma vivido e a principal dificuldade é superar tal evento estressor. O grande dilema é como o sujeito recomeçará a sua vida após o acontecido.

Como o indivíduo tenta se esquivar de situações e pessoas que o fazem lembrar do acontecido, ele pode se envolver com substâncias psicoativas e drogas lícitas para tentar esquecer o problema. Há comorbidades que podem ser encontradas em pacientes com TEPT, que são transtorno de ansiedade generalizada, depressão, alcoolismo, transtorno obssessivo compulsivo (TOC) entre outros.

O tratamento é realizado com auxílio profissional e social. É importante o acompanhamento psicológico e psiquiátrico, já que a interação de psicoterapia e farmacológicos podem ajudar significativamente o paciente. Entre as opções de tratamento, há a terapia cognitivo comportamental e a indicação de medicamentos ansiolíticos, quando necessários. O apoio familiar, dos amigos e a participação ativa do paciente são essenciais para o tratamento e reverter o trauma.

Saiba quais benefícios os alimentos prometem pela cor


 
Todo início de ano, fazemos listas de promessas. As dietas estão em muitas delas e quase sempre acabam esquecidas ao longo dos meses. Que tal trocar a dieta mirabolante por uma alimentação cheia de cores? Quanto mais colorida for o cardápio, melhor, pois cada pigmento indica a presença de um tipo de nutriente. 


 (Reprodução / Revista do CB)


VERDE
Couve, espinafre, alface, chicória, rúcula e agrião

Os alimentos de cor verde contribuem para o sistema de purificação do organismo. Eles têm componentes que ativam enzimas hepáticas, o que promove a transformação de compostos tóxicos lipídicos em outros, mais simples de serem eliminados pelo organismo. Daí vem o grande apelo do suco verde detox. Essa função já existe no organismo e apenas é otimizada pelos alimentos verdes.

A cor também está associada a fontes de cálcio, zinco e magnésio. Os minerais são os responsáveis pelo mecanismo de manutenção da integridade óssea. Tais alimentos costumam ser ricos em vitamina K, responsável pelo processo de coagulação do sangue. O magnésio, vale ressaltar, combate a hipertensão arterial.

 (Reprodução / Revista do CB)


VERMELHO
Morango, melancia, tomate, framboesa e pimentão-vermelho

São ricos em licopeno. Alguns estudos demonstram que o consumo rotineiro desse pigmento diminui processos inflamatórios na próstata. É importante deixar claro que não é remédio ou que impede que a pessoa tenha câncer, até porque a doença pode ser causada por vários fatores. Mas são alimentos que melhoram a saúde geral da próstata.

Os alimentos avermelhados são ricos em antioxidantes, ou seja, eles inibem a oxidação das células saudáveis do organismo, protegendo-as de doenças.

 (Reprodução / Revista do CB)


AMARELO/LARANJA
Abóbora, manga, cenoura, pequi e gema de ovo

São ricos em luteína e zeaxantina, dois componentes que diminuem o envelhecimento precoce da mácula densa, a pele presente no sistema visual, próxima ao nervo óptico. Ou seja, auxiliam na saúde do globo ocular. A mácula densa envelhece rapidamente e, com o passar dos anos, as pessoas ficam com dificuldades na visão. O consumo de alimentos amarelos ao longo da vida retarda esse envelhecimento e melhora a capacidade visual.

Além disso, há o betacaroteno. Trata-se de um pigmento antioxidante presente na vitamina A. Abundante em alimentos amarelo-alaranjados, auxilia na regeneração das células epiteliais.

 (Reprodução / Revista do CB)


ROXO
Açaí, mirtilo, beterraba e uva

O pigmento roxo é rico em antocianina. Essa substância controla a resposta inflamatória nos vasos sanguíneos, reduzindo a possibilidade de obstrução parcial ou entupimento. Excelente, portanto, para a saúde cardiovascular. Existem estudos que relacionam as antocianinas ao controle de colesterol. Elas atuariam no intestino, inibindo o momento em que o colesterol se emulsifica — estado em que é absorvido pelo organismo.

Saiba mais sobre a Hepatite


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A hepatite é uma inflamação aguda e crônica do fígado (veja a foto ao lado). De fato, é muito importante falar desta doença, pois ela é bastante comum e ocorre devido a diversos fatores. Ela pode ser de origem viral (hepatite A, B, C, D e E), tóxica e medicamentosa, alcoólica, bacteriana ou parasitária.
existem diversas origens, e diversos tipos de hepatite: virais, tóxicas, medicamentosas, agudas bacterianas ou parasitárias.

As hepatites virais, A, B, C, D ou E, são as mais frequentes. Outros vírus também podem provocar esta doença, é o caso do vírus de Epstein-Barr (mononucleose infecciosa) e o Citomegalovírus (que infecta as células sangüíneas).

A hepatite A é causada pelo vírus A. Sua contaminação ocorre principalmente pela via digestiva, por alimentos e água contaminados por matérias fecais, assim como pelo consumo de frutos do mar. A hepatite A raramente é transmitida sexualmente ou parenteralmente (da mãe para o feto). O tempo de incubação varia de 15 a 45 dias. A hepatite A é a forma mais anódina, pois é a única que dificilmente evolui para a cronicidade. Contudo, em alguns casos, em pacientes idosos, ela pode se revelar mortal. Esta hepatite também é conhecida como a "hepatite do viajante", pois são geralmente os turistas que a contraem principalmente em países do Sul ou do Leste.

O vírus da hepatite A é transmitido através da água, suco ou alimentos mal cozidos (saladas, frutas com casca, frutos do mar, gelo), em condições de higiene insuficientes.

– A hepatite B é causada pelo vírus B, transmitido através do sangue (transfusão de sangue contaminado ou uso de seringas contaminadas, em toxicodependentes) ou fluidos corpóreos (exsudados de feridas, sêmen, secreção cervical (colo uterino), vaginal e saliva de pessoas portadoras do vírus), sendo que a maior concentração do vírus é encontrada no sangue e a menor na saliva. O tempo de incubação varia de 30 a 180 dias. Esta hepatite pode se tornar crônica e se transformar em cirrose ou câncer.

– A hepatite C é causada pelo vírus C, transmitido pela via sanguínea (transfusões, hemofílicos, toxicômanos, pacientes que realizam hemodiálise, relação sexual ou pela via placentária, este último mais raro). A incubação varia de 30 a 100 dias.

– A hepatite D é causada pelo vírus D, transmitido pela via sanguínea ou sexual. A presença do vírus da hepatite B é necessária para que a hepatite D possa se desenvolver. Pode se tratar de uma co-infecção (a pessoa é infectada simultaneamente pelo vírus B e pelo vírus D) ou de uma super-infecção (a pessoa já é portadora do vírus B e acaba sendo infectada pelo vírus D). A incubação varia de 45 a 180 dias. Este tipo de hepatite atinge de maneira quase que exclusiva os toxicômanos. Em 80% dos casos, a hepatite D se torna crônica e evolui rapidamente para a cirrose.

A hepatite E é causada pelo vírus E, transmitido pela via oral-fecal. Ela é frequentemente aguda e benigna, sem forma crônica. No entanto a mortalidade é a maior nas mulheres grávidas, onde ela atinge 20%.

As hepatites tóxicas ou medicamentosas são as induzidas pela ingestão de certas substâncias medicamentosas ou não. Estas podem provocar uma séria destruição do fígado. É o caso da amanita falloide (fungo venenoso). Isso pode ocorrer no caso de determinados medicamentos hepatotóxicos, como o paracetamol, que deve ser consumido com moderação e conforme a posologia prescrita.

A hepatite aguda alcoólica é um tipo de hepatite tóxica induzida pelo alcoolismo. Ela encadeia uma cirrose e a destruição massiva do fígado.

A hepatite aguda bacteriana ou parasitaria pode surgir a partir de determinadas doenças, como a tuberculose, a brucelose, a leptospirose, ou a bilharziose. Certos germes oportunistas podem provocar uma hepatite aguda bacteriana em aidéticos, pois estes já são imunodeprimidos.

As hepatites crônicas. De forma geral, sua causa é similar à da hepatite aguda. Como vimos na seção definição de uma hepatite, uma hepatite crônica é aquela que dura mais de seis meses. Ela pode ocorrer por causa de vírus (sobretudo a hepatite B e C), mas também por causa de medicamentos. Notamos a existência de uma hepatite crônica dita auto-imune, principalmente em mulheres jovens. Nestes casos, ocorre uma produção de anticorpos, dirigidas contra o fígado.

Possuímos alguns cursos online para ajudar a entender e a tratar essa doença e outras tão graves quanto

Hepatites Hepatites


Leucemias Leucemias


Diagnóstico de Vírus Diagnóstico de Vírus


Veja 11 dicas para manter sua saúde no ano novo


Qual a sua meta para 2016? Passar no vestibular? Perder peso? Conseguir um trabalho melhor? Tirar aquele ano sabático? Pode até parecer conselho de mãe, mas você não vai conseguir alcançar seus objetivos se não tiver um elemento primordial na sua vida: saúde.

Ter enxaquecas ou dores de cabeça constantes, fraqueza, dificuldade de concentração, insônia, sobrepeso, além de tornar a conquista das suas metas mais difícil, pode indicar que algo anda errado com o funcionamento do seu corpo.

O médico Ícaro Alves Alcântara, especializado em medicina ortomolecular, defende que organismo só funciona bem quando os "quatro combustíveis primordiais do corpo humano" estão a todo vapor, sendo eles: ingestão de água, alimentação, respiração e circulação sanguínea. 

É possível ter hábitos mais saudáveis de vida são a chave para conseguir a harmonia entre esses "combustíveis" e sugere uma espécie de programa para alcançá-los: mudar um hábito a cada semana ao longo de 11 semanas.   Confira!

 
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Planeje-se!

Antes de adotar qualquer novo hábito, é preciso saber como ele vai se encaixar na sua vida e para isso é preciso planejamento. A sugestão é colocar no papel uma grade de horários da semana, com todas as atividades, desde as obrigatórias às facultativas
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Água, muita água

Sem água, o organismo diminui o seu metabolismo, o que influencia no surgimento de doenças. A sugestão é tomar por dia 50 ml para cada quilo corporal, em períodos espaçados. Para uma pessoa que precisa tomar três litros de água diários, por exemplo, a distribuição seria um litro pela manhã, um litro e meio à tarde e meio litro à noite. Faça os cálculos e não espere sentir sede para beber água
Reprodução/The Kitchen Hot Line
Reprodução/The Kitchen Hot Line

Seja alguém de "fibras"

Comer de três em três horas não é papo de quem está fazendo "dieta". Ficar muito tempo sem comer faz com que o cérebro entenda que o acesso ao alimento é escasso e, por isso, retenha energia, em forma de gordura. Faça um café da manhã reforçado, porque ele é a principal refeição do dia, e não esqueça dos alimentos ricos em fibras, como folhas, frutas, cereais e brotos. A recomendação é comer ao menos duas fontes de fibras no mínimo duas vezes ao dia.
 
Leandro Moraes/UOL. Agradecimento: Vereda Academia e Fitness Model Agency

Panturrilhas: o "coração" das pernas

Exercícios evitam que nossas articulações "enferrujem" e melhoram a circulação sanguínea. Por isso, nunca passe mais do que 48 horas sem se exercitar e, ao menos uma vez por semana, faça exercícios de força. As panturrilhas, por exemplo, ajudam o coração a bombear o sangue de volta contra a gravidade. Sem se exercitar, o coração acaba tendo que fazer todo o trabalho sozinho, o que pode sobrecarregá-lo
 
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Durma bem!

Para dormir bem é preciso cumprir uma espécie de ritual: apague a luz, se assegure de que haja silêncio, deite-se de lado em um colchão, com a cabeça em um bom travesseiro, até duas horas depois de ter feito a última refeição (que tem que ser leve). O quarto tem que ser um templo do sono: nada de computador na cama ou celular. O sono é o momento em que o corpo recupera suas energias, repõe nutrientes, fabrica hormônios e neurotransmissores
 
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Respire!

As pessoas costumam respirar de maneira superficial, o que prejudica o fornecimento de oxigênio para o organismo. Para aprender a respirar direito, Alcântara recomenda atividades como meditação ou ioga. Quem não tem acesso a elas, pode começar praticando três ciclos de inspirações e expirações profundas, a cada hora, cuidando para que a duração da expiração seja mais ou menos o dobro do tempo da inspiração
 
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Deixe de remoer problemas

Estar constantemente estressado altera o equilíbrio dos hormônios e neurotransmissores, o que tem consequências negativas para o metabolismo. Por isso, Alcântara sugere ter pensamentos positivos, fazer atividades prazerosas --nem que sejam por apenas 15 minutos ao dia. Gaste energia solucionando problemas e não remoendo-os
 
Reprodução/BabyCenter

É a dose que faz o veneno

Qualquer coisa em excesso pode virar toxina no seu corpo, sejam alimentos, ou substâncias, comportamentos. "Toda vez que seu organismo for exposto a excessos e toxinas, perderá o equilíbrio e precisará de mais energia (e tempo) para recuperá-lo", explica. Essa energia será retirada da função para a qual estaria originalmente destinada.
Eric Gaillard/Reuters

Bote a cara no sol, com moderação

O sol além de ajudar o cérebro a perceber se é dia ou noite (essencial o metabolismo), faz com que a pele utilize o colesterol para sintetizar vitamina D. Qualquer hora é hora para tomar sol, o que vai variar é o tempo de exposição. Pode levar de 15 a 30 minutos antes das 9h30 e depois das 16h30 --já sob o sol de meio-dia pode levar apenas alguns poucos minutos
 
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O corpo reflete o que tem na mente

Mantenha a sua mente sã, ou seja, não guarde ressentimentos, raiva, pensamentos negativos. Isso se reflete no seu corpo
 
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Busque bons profissionais de saúde

Buscar informações na internet é bastante válido, desde que seja em sites confiáveis, mas não substituirá nunca a velha consulta com o profissional de saúde. Por isso, vá regularmente ao médico, nutricionista, dentista..., ao menos uma vez no ano. Se vai fazer exercícios físicos, seja acompanhado por um educador físico.

Por que o mosquito Aedes aegypti transmite tantas doenças?


  https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d0/Aedes_aegypti.jpg

No mundo, ele é chamado de mosquito da febre amarela. No Brasil, é conhecido como mosquito da dengue – e, mais recentemente, também da zika e da chikungunya.

Considerado uma das espécies de mosquito mais difundidas no planeta pela Agência Europeia para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), o Aedes aegypti – nome que significa "odioso do Egito" – é combatido no país desde o início do século passado.

A partir de meados dos anos 1990, com a classificação da dengue como doença endêmica, passou a estar anualmente em evidência. Isso ocorre principalmente com a chegada do verão, quando a maior intensidade de chuvas favorece sua reprodução.

Agora, um novo sinal de alerta vem da epidemia de zika, uma doença com sintomas semelhantes aos da dengue, em curso desde o meio do ano.

Foi confirmado pelo governo federal que o zika vírus está ligado a uma má-formação no cérebro de bebês, a microcefalia, que já teve neste ano ao menos 1.248 casos registrados em 311 municípios em 14 Estados, a maioria deles no Nordeste.

O Aedes aegypti também esteve no centro de um surto de febre chikungunya ocorrido no país no ano passado, quando este vírus chegou ao Brasil e se espalhou com a ajuda do mosquito.

E, apesar de a febre amarela ter sido considerada erradicada de áreas urbanas brasileiras em 1942, casos de contaminação foram confirmados em cidades de Goiás e no Amapá em 2014.

"O Aedes aegypti está ligado ainda a males mais raros, do grupo flavivírus", afirma Felipe Pizza, infectologista do hospital Albert Einstein.

"Entre os agentes de contaminação, esse mosquito é o que tem a capacidade de transmitir a maior variedade de doenças."

Eficiência

Alguns fatores contribuem para tornar o Aedes aegypti um agente tão eficiente para a transmissão desses vírus. Entre eles estão, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, sua capacidade de se adaptar e sua proximidade do homem.

Surgido na África em locais silvestres, o mosquito chegou às Américas em navios ainda na época da colonização. Ao longo dos anos, encontrou no ambiente urbano um espaço ideal para sua proliferação.

"Ele se especializou em dividir o espaço com o homem", afirma Fabiano Carvalho, entomologista e pesquisador da Fiocruz Minas.

"O mosquito prefere água limpa para colocar seus ovos, e qualquer objeto ou local serve de criadouro. Mesmo numa casca de laranja ou numa tampinha de garrafa, se houver um mínimo de água parada, seus ovos se desenvolvem."

Mas a falta de água limpa não impede que o Aedes aegypti se reproduza. Estudos científicos já mostraram que, nesse caso, a fêmea pode depositar seus ovos em água com maior presença de matéria orgânica.

Os ovos também podem permanecer inertes em locais secos por até um ano, e, ao entrar em contato com a água, desenvolvem-se rapidamente – num período de sete dias, em média.

"Outros vetores não têm essa capacidade de resistir ao ambiente", afirma Pizza, do Albert Einstein. "Por isso ele está presente quase no mundo todo, a não ser em lugares onde é muito frio."

Flexibilidade

Um aspecto que também favorece a reprodução é o fato de a fêmea colocar em média cem ovos de cada vez, mas não fazer isso em um único local. Em vez disso, ela os distribui por diferentes pontos.

"Quando tentamos exterminá-lo, é muito grande a chance de um destes locais passar despercebido", diz Carvalho.

Também se trata de um mosquito flexível em seus hábitos de alimentação.

O Aedes aegypti é, geralmente, diurno: prefere sair em busca de sangue pela manhã ou no fim da tarde, evitando os momentos mais quentes do dia.

"Mas ele é oportunista. Se não tiver conseguido se alimentar de dia, vai picar de noite. Isso não ocorre com o pernilongo, por exemplo, que é noturno e só vai aparecer quando o sol começa a se pôr", afirma a bióloga Denise Valle, pesquisadora do laboratório de biologia molecular de flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Além disso, o mosquito costuma ter como alvos mamíferos, especialmente humanos. Como explica o agência europeia, mesmo na presença de outros animais ele "se alimenta preferencialmente de pessoas".

Simbiose

Por ser um mosquito urbano que fica em contato constante com o homem, ser muito adaptável e ter um apetite especial por sangue humano, o inseto se tornou um eficiente vetor para a transmissão de doenças.

"Todo ser vivo busca uma forma de se proliferar, e com os vírus não é diferente. Nestes casos, eles podem ser transmitidos por outros vetores, mas que não são tão efetivos", afirma Erico Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. "Eles (vírus) conseguiram no Aedes aegypti e na forma como este mosquito evoluiu uma relação de simbiose muito boa."

Para ser capaz de infectar uma pessoa, o vírus precisa estar presente na saliva do inseto.

Valle, do IOC/FioCruz, explica que, no caso da dengue, por exemplo, após o Aedes aegypti picar alguém que esteja infectado, o vírus leva cerca de dez dias para estar presente em sua saliva.

"São poucos os mosquitos que vivem mais de dez dias. Mas, quanto menos energia ele precisa gastar para se alimentar e colocar ovos, mais tempo ele vive", diz Valle.

"Assim, o aglomerado urbano, com muitos locais de criadouro e muitos alvos para picar, faz com que o mosquito viva mais, favorecendo o processo de infecção."

A bióloga destaca ainda que se trata de um mosquito especialmente arisco: "Quando vai picar, se a pessoa se mexe, ele tenta escapar e picar outra pessoa. Se estiver infectado com algum vírus, vai transmiti-lo para várias pessoas".

Controle

Exterminá-lo também é difícil. Segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos, o Aedes aegypti é "muito resistente", o que faz com que "sua população volte ao seu estado original rapidamente após intervenções naturais ou humanas".

No Brasil, ele chegou a ser erradicado duas vezes no século passado. Na década de 1950, o epidemiologista brasileiro Oswaldo Cruz comandou uma campanha intensa contra ele no combate à febre amarela. Em 1958, a Organização Mundial da Saúde declarou o país livre do Aedes aegypti.

Mas, como o mesmo não havia ocorrido em países vizinhos, o mosquito voltou a ser detectado no fim dos anos 1960. Foi erradicado novamente em 1973 – e retornou mais uma vez três anos mais tarde. "Hoje não falamos mais em erradicação. Sabemos que isso não é possível", diz Valle, do IOC/Fiocruz.

"O país é muito grande e tem muitas entradas para o mosquito. Também há muito mais gente vivendo em cidades, e a circulação de pessoas pelo mundo com a globalização aumentou muito. Os recursos humanos e financeiros para exterminá-lo seriam enormes."

Uma forma comum de combater o mosquito, a de dispersar uma nuvem de inseticida – técnica popularmente conhecida como "fumacê" –, não é muito eficiente, pois o componente químico tem de entrar em um espiráculo localizado embaixo da asa. Portanto, o inseto precisa estar voando, algo difícil tratando-se de uma espécie que fica na maior parte do tempo em repouso.

"Na maior parte das vezes, isso é jogar dinheiro fora e gera mosquitos mais resistentes. Hoje, levamos de 20 a 30 anos para desenvolver um inseticida e, em dois anos, ele perde sua eficácia por causa do uso abusivo", afirma Valle. "E os químicos usados no controle de larvas não estão disponíveis para a população."

Carvalho, da Fiocruz Minas, ressalta ainda que 80% dos criadouros são encontrados em residências, e que realizar a prevenção e exterminar focos do Aedes aegypti não é fácil.

"Quando temos uma epidemia, é mais simples conseguir o apoio da população, mas, fora deste período, é mais complexo sensibilizar as pessoas para a questão", afirma o entomologista. "Por tudo isso, acho muito complicado falar em erradicação. Talvez a melhor palavra seja controle."

Uma abordagem nova vem sendo testada na Bahia e em São Paulo. Machos transgênicos do Aedes aegypti são liberados na natureza e, no cruzamento com fêmeas comuns, geram larvas que morrem antes de atingir a fase adulta, o que, com o tempo, reduz a população do mosquito numa determinada área.

Responsável por testes realizados desde maio em Piracicaba, no interior paulista, a empresa Oxitec informou que os resultados estão sendo analisados por sua equipe técnica e que ainda não há uma previsão de quando serão divulgados.