7 ameaças ao coração que você nem imagina






1. Pastilhas efervescentes

Você sabe o que o sal de cozinha e um analgésico que borbulha dentro de um copo d'água têm em comum? Ambos estão repletos de sódio, mineral que, ingerido em excesso, promove o maior aperto nos vasos sanguíneos. "Os laboratórios costumam utilizar bicarbonato de sódio para tornar o medicamento mais solúvel", explica o farmacologista Jacob George, da Universidade de Dundee, no Reino Unido.

No fim do ano passado, sua equipe publicou uma pesquisa acusando um elo entre o uso contínuo desse tipo de remédio e a maior incidência de infartos. George comparou dados de mais de 1 milhão de britânicos durante 23 anos, dividindo-os em dois grupos: os que tomavam medicamentos efervescentes e os que ingeriam drogas isentas de sódio. "Descobrimos que o aumento de eventos cardiovasculares foi de 16% na parcela que usava os analgésicos borbulhantes", conta.

O principal suspeito por trás dessa associação é justamente o sódio oculto. Altas cargas do mineral disparam a pressão arterial, abrindo caminho para o ataque cardíaco - sobretudo se já há outros fatores de risco na história. Para prevenir essa ameaça, a Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de, no máximo, 2 mil miligramas de sódio por dia.

Para ter uma ideia, um sanduíche de presunto e queijo abriga cerca de 800 miligramas, enquanto uma pastilha de analgésico efervescente carrega por volta de 400 a 500 miligramas. Se usada com frequência, ela se torna uma minibomba para os vasos.



2. Dores nas juntas

Os médicos sabem de cor as manifestações da artrite reumatoide - dores, sensação de rigidez e até deformações nas articulações -, mas agora voltam os olhos para outro perigo deflagrado pelo distúrbio autoimune.

E esse não tem nada a ver com dedos, punhos, joelhos... A doença também aumenta o risco cardíaco, aponta um levantamento da Clínica Mayo, instituição americana que atende meio milhão de pacientes por ano. "Acreditamos que o motivo dessa ligação é a grande quantidade de moléculas inflamatórias que circulam no corpo dos portadores de artrite", diz o reumatologista Eric Matteson, autor do trabalho.

As complicações adicionais no peito nem sempre tardam a aparecer. Por isso, assim que se faz o diagnóstico, é preciso acompanhar com rigor a saúde cardiovascular. "Quando a artrite se torna aparente, geralmente o corpo já vinha passando por alterações que aumentariam a probabilidade de um infarto", alerta Matteson. A inflamação facilita o entupimento dos vasos e a ruptura de possíveis placas ali dentro - o estopim para um susto no músculo cardíaco.

"E isso fica ainda mais evidente agora, se considerarmos que subiu a expectativa de vida das pessoas com o problema nas juntas", observa o cardiologista Marcus Malachias, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aí, a inflamação nas articulações se soma a outros perrengues típicos da idade, caso do colesterol alto e da hipertensão.



3. Mudanças temperatura

Especialistas do Instituto Universitário de Medicina Social e Prevenção, em Lausanne, na Suíça, observaram que a mortalidade por infarto entre pessoas acima de 65 anos tende a crescer quando o ponteiro do termômetro cai. "O clima mais gelado provoca vasoconstrição, o que resulta no aumento da pressão arterial", esclarece o doutor em clínica médica Pedro Marques-Vidal, líder da investigação. "Além disso, as atividades rotineiras exigem mais do organismo no frio, o que é ruim especialmente para os indivíduos mais velhos", completa.

Mas não pense que é porque no Brasil atravessamos uma temporada de calor que dá para se despreocupar. A ameaça maior parece estar na variação brusca de temperatura, segundo um estudo belga apresentado no último congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia.

Uma queda de 10 °C seria suficiente para elevar significativamente o risco de uma pane cardíaca. Portanto, em tempos de clima maluco, vale ficar atento inclusive no verão. "Já temos algumas evidências de que mudanças de temperatura nessa estação contribuem para a formação de trombos e o entupimento das artérias", aponta Antonella Zanobetti, cientista do Departamento de Saúde Ambiental da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, que se dedica aos efeitos do sobe e desce dos termômetros das cidades sobre o corpo humano.


4. Crises socioambientais

Em 2008, temporais arrasaram o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, afetando 80 mil pessoas - 135 delas vítimas fatais. No início deste ano, a história de terror se repetiu no Espírito Santo e em Minas Gerais. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), os danos desse tipo de catástrofe se fazem notar, também, na saúde de quem passou por elas.

A entidade analisou informações médicas dos catarinenses antes, durante e depois dos tristes eventos e percebeu que o número de mortes súbitas mais que dobrou no semestre posterior às chuvas. A incidência de infartos em si aumentou duas vezes e meia. O motivo para esse efeito rebote no coração está no forte estresse gerado pelas circunstâncias. "O indivíduo tem uma perda social importante, pela destruição dos locais que frequentava, alteração na rotina, danos na casa ou morte de parentes e conhecidos", lista Sergio Timerman, cardiologista da SBC. E esse cenário traz um agravante. "Muitos hipertensos que realizam tratamento deixam de tomar a medicação corretamente, voltam a fumar, relaxam na dieta...", nota o médico.

Já que não há como evitar por completo acontecimentos dessa natureza, é imprescindível que haja um acompanhamento cardiológico das vítimas. O ideal, segundo a SBC, é que equipes interdisciplinares atuem quanto antes nos locais para impedir que a tragédia tenha maiores proporções.



5. Misturas terríveis

A edição de novembro de 2013 da Nature, uma das publicações mais prestigiadas no mundo científico, deu destaque para o drugable.com, um site que cataloga os princípios ativos de todos os medicamentos e busca mapear onde e como atuam no organismo.

As informações que o portal reúne - ainda apenas em inglês - são uma nova ferramenta para ajudar os médicos a prevenir um velho problema, as interações medicamentosas. Segundo o FDA, órgão americano que regula os fármacos por lá, as combinações equivocadas causam mais de 160 mil mortes por ano naquele país.

O coração, em especial, sai bem prejudicado, sobretudo quando já se toma um remédio para resguardá-lo. "Metade dos hipertensos brasileiros também toma estatinas para baixar o colesterol. Ao interagir com outras drogas, seu efeito estabilizador sobre as placas de gordura é reduzido", exemplifica Malachias. O dado pesa ainda mais se levarmos em conta que, no Brasil, pelo menos 20% da população tem pressão alta. "Antifúngicos, antibióticos e antidepressivos são processados pela mesma via no organismo, o que interfere no efeito de vários fármacos protetores do coração", acrescenta o médico.

Por essas e outras, é fundamental contar ao seu clínico quais remédios você está tomando - e relatar inclusive se faz uso de ervas e chás. Ah, você sabe, mas não custa repetir: nada de automedicação!


6. Vírus e bactérias

Vacinar-se contra o vírus da gripe já é praxe para evitar que o coração sofra. Mas, agora, outras infecções estão na mira dos cardiologistas. É o caso das bactérias causadoras da pneumonia.

Em 2013, a Associação Americana do Coração passou a recomendar, aos sujeitos de maior risco cardíaco, a imunização contra o pneumococo, micro-organismo que agride os pulmões e, indiretamente, aterroriza o órgão que bombeia o sangue para o corpo. Isso porque as pneumonias não raro desencadeiam um déficit no fornecimento de oxigênio para o coração - sem contar que as bactérias ainda podem viajar e aprontar ali.

"Alguns estudos vêm registrando paradas cardíacas logo após a infecção, antes das complicações que já conhecíamos", conta a médica Mara Figueiredo, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. "Em tese, todo mecanismo inflamatório, como o disparado por uma infecção, predispõe problemas cardiovasculares", pontua o professor Malachias.

Assim, mais do que a possibilidade de um vírus ou bactéria migrar para o coração, é a própria reação do sistema imune que pode sabotar, sem querer, as artérias. Substâncias inflamatórias, como as citocinas, são liberadas nesse processo e capazes de desestabilizar placas de gordura preexistentes no interior dos vasos. Se isso acontece na artéria que irriga o coração, é perigo na certa.



7. Poluição sonora

Ao avaliar o histórico de 3,6 milhões de ingleses, um time do Imperial College de Londres chegou a um dado surpreendente: comparando moradores de bairros tranquilos a pessoas que residiam perto do maior aeroporto do país, o número de internações por problemas cardíacos foi 20% maior entre quem convivia com o ruído das turbinas dos aviões. Na turma dos idosos, o risco de morrer aumentava 3,5% a cada 10 decibéis a mais nos ouvidos. Como a barulheira dos céus ou do trânsito nas ruas financia confusões cardiovasculares?

A resposta se encontra de novo nele... o estresse. "A exposição a sons muito altos gera picos de pressão alta. Se isso acontece frequentemente, uma hora a pressão não volta mais ao normal", explica Anna Hansel, uma das autoras do trabalho.

"O estresse é uma reação natural, mas se torna uma ameaça quando vira estímulo constante", corrobora o cardiologista Carlos Alberto Pastore, do Instituto do Coração, em São Paulo. A tensão contínua atrapalha a vida dos vasos porque dispara a carga de adrenalina e cortisol na corrente sanguínea. Enquanto a primeira acelera os batimentos cardíacos, o segundo estimula processos inflamatórios - duas condições propícias para infartos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, ruídos acima de 55 decibéis já são considerados nocivos. Em uma rua movimentada, por exemplo, o barulho chega fácil a 70 decibéis.

Fonte: Revista Saúde


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