Sete vacinas que os adultos precisam tomar




Na hora de cuidar da própria saúde, muitos adultos negligenciam as campanhas de vacinação. Em todas as fases de nossa vida, porém, estamos suscetíveis a infecções por vírus e bactérias que, se não tratadas, podem causar muitos problemas.

As doenças crônicas que se manifestam mais na vida adulta são fortes indicadores de que o individuo precisa se vacinar. "As pessoas que estão em grupos de risco, como as pessoas com mais de 60 anos ou aquelas que têm doenças crônicas, devem sempre estar informadas sobre a vacinação", diz o infectologista Paulo Olzon, da Unifesp.

Existem vacinas tanto para bactérias como para vírus. "No primeiro caso, a vacinação é feita para controlar surtos epidemiológicos e, para o caso dos vírus, a imunização normalmente dura a vida toda, sendo necessárias apenas algumas doses de reforço para garantir que a doença não vai mais voltar", diz Paulo Olzon. Confira sete tipos que merecem estar na sua carteira de vacinação.

Vacina dupla tipo adulto - para difteria e tétano

A difteria é causada por uma bactéria, que é contraída pelo contato com secreções de pessoas infectadas. Ela afeta o sistema respiratório, causa febres e dores de cabeça, em casos graves, pode evoluir para uma inflamação no coração.

A toxina da bactéria causadora do tétano compromete os músculos e leva a espasmos involuntários. A musculatura respiratória é uma das mais comprometidas pelo tétano. Se a doença não for tratada precocemente, pode haver uma parada respiratória devido ao comprometimento do diafragma, músculo responsável por boa parte da respiração, levando a morte. Ferir o pé com prego enferrujado que está no chão é uma das formas mais conhecidas do contágio do tétano.

A primeira parte da vacinação contra difteria e tétano é feita em três doses, com intervalo de dois meses. Geralmente, essas três doses são tomadas na infância. Então confira a sua carteira de vacinação para certificar-se se a vacinação está em ordem. Depois delas, o reforço deve ser feito a cada dez anos para que a imunização continue eficaz. É nesse momento que os adultos cometem um erro, deixando a vacina de lado.  

Vacina Tríplice-viral - para sarampo, caxumba e rubéola

Causado por um vírus, o sarampo é caracterizado por manchas vermelhas no corpo. A transmissão ocorre por via respiratória. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a mortalidade entre crianças saudáveis é mínima, ficando abaixo de 0,2% dos casos. Nos adultos, essa doença é pouco observada, mas como a forma de contágio é simples, os adultos devem ser imunizados para proteger as crianças com quem convivem.

Conhecida por deixar o pescoço inchado, a caxumba também tem transmissão por via respiratória. Mesmo que seja mais comum em crianças, a caxumba apresenta casos mais graves em adultos, podendo causar meningite, encefalite, surdez, inflamação nos testículos ou dos ovários, e mais raramente no pâncreas.

Já a rubéola é caracterizada pelo aumento dos gânglios do pescoço e por manchas avermelhadas na pele, é mais perigosa para gestantes. O vírus pode levar à síndrome da rubéola congênita, que prejudica a formação do bebê nos três primeiros meses de gravidez. A síndrome causa surdez, má-formação cardíaca, catarata e atraso no desenvolvimento.

O adulto deve tomar a tríplice-viral se ainda não tiver recebido as duas doses recomendadas para a imunização completa quando era criança e se tiver nascido depois de 1960. O Ministério da Saúde considera que as pessoas que nasceram antes dessa data já tiveram essas doenças e estão imunizados, ou já foram vacinados anteriormente.

Mesmo que todos com essas características devam ser vacinados, as mulheres que pretendem ter filhos, que não foram imunizadas ou nunca tiveram rubéola devem tomar a vacina um mês antes de engravidar, já que a rubéola é bastante perigosa quando acomete gestantes, podendo causar deformidade no feto.  

Vacina contra a hepatite B

A Hepatite B é transmitida pelo sangue, e em geral não apresenta sintomas. Alguns pacientes se curam naturalmente sem mesmo perceber que tem a doença. Em outros, a doença pode se tornar crônica, levando a lesões do fígado que podem evoluir para a cirrose. "A imunização contra essa doença é importante, pois ela pode causar problemas sérios, como câncer no fígado", diz Paulo Olzon.

De acordo com o especialista, há algumas décadas, o tipo B da hepatite era o mais encontrado, já que ela pode ser transmitida através da relação sexual e as pessoas não tomavam cuidado com a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Depois de uma campanha de vacinação e imunização, e da classificação da hepatite C pelos médicos, ela não pode ser vista como epidemia, mas ainda é preciso tomar cuidado com essa doença.

Até os 24 anos, todas as pessoas podem tomar a vacina contra hepatite B, gratuitamente, em qualquer posto de saúde. A aplicação da vacina também continua de graça, quando o adulto faz parte de um grupo de risco. "Pessoas que tenham contato com sangue, como profissionais de saúde, podólogos, manicures, tatuadores e bombeiros, ou que tenham relacionamentos íntimos com portador da doença são as mais expostas a essa doença", diz o especialista. Fora isso, qualquer adulto pode encontrar a vacina em clínicas particulares.

Pneumo 23 - Pneumonia

O pneumococo, bactéria que pode causar a pneumonia, entre outras doenças, pode atacar pessoas de todas as idades, principalmente indivíduos com mais de 60 anos. "Pessoas com essa idade não podem deixar de tomar a vacina pneumo 23", diz Paulo Olzon.

A pneumonia é o nome dado a inflamação nos pulmões causada por agentes infecciosos (bactérias, vírus, fungos e reações alérgicas). Entre os principais sintomas dessa inflamação dos pulmões, estão febre alta, suor intenso, calafrios, falta de ar, dor no peito e tosse com catarro. Adultos com doenças crônicas em órgãos como pulmão e coração -alvos mais fáceis para o pneumococo, devem tomar essa vacina sempre que há uma campanha de vacinação.

Mesmo que ela seja uma das vacinas mais importantes para ser tomadas é a única vacina do calendário que não é oferecida em postos de saúde. É preciso ir a um Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais, em locais como o Hospital das Clínicas e a Unifesp.

Vacina contra a febre amarela

A febre amarela é transmitida pelo mesmo mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. A doença tem como principais sintomas febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (pele e olhos amarelados) e hemorragias. "Se a febre amarela não for tratada, pode levar a morte", explica o especialista.

Por ser uma doença grave, e com alto índice de mortalidade, todas as pessoas que moram em locais de risco devem tomar a vacina a cada dez anos, durante toda a vida. Quem for para uma dessas regiões precisa ser vacinado pelo menos dez dias antes da viagem. No Brasil, as áreas de risco são: zonas rurais no Norte e no Centro-Oeste do país e alguns municípios dos Estados do Maranhão, do Piauí, da Bahia, de Minas Gerais, de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Mesmo que os efeitos colaterais mais sérios sejam muito raros, a vacina contra febre amarela deve ficar restrita aqueles indivíduos que moram ou irão viajar para algum lugar de risco. "Nesse sentido, a preocupação dos médicos está relacionada ao risco de reação alérgica grave ou anafilática, que pode levar a morte os pacientes propensos", explica o infectologista Paulo Olzon.

Vacina contra o influenza (gripe)

A vacina contra gripe deve estar na rotina de quem está com mais de 60 anos. "Muitas pessoas deixam de tomá-la com medo da reação que ela pode causar, mas isso é um mito, já que a suposta reação do corpo não tem nada a ver com a vacina, e sim com a própria gripe", diz o especialista. "Isso porque o vírus da gripe fica semanas em nosso corpo sem se manifestar e a proteção da vacina não é imediata como as pessoas imaginam."

A gripe é transmitida por via respiratória, leva a dores musculares e a febres altas. Seu ciclo costuma ser de uma semana. Pessoas com mais de 60 anos podem tomar a vacina nos postos de saúde, enquanto os mais jovens podem ser vacinados em clínicas particulares. "Os idosos que não querem esperar até a campanha anual de vacinação contra a gripe podem tomar a vacina em clínicas particulares em todas as épocas do ano", diz Paulo Olzon.  

HPV

A vacina existe tanto para homens quanto para mulheres e previne os quatros principais tipos do Papilomavírus Humano - o HPV. Segundo o Ministério da Saúde, 137 mil novos casos de HPV são registrados por ano no Brasil. O vírus, transmitido durante a relação sexual, é responsável por 90% dos casos de câncer de colo do útero, além de provocar tumores de vulva, pênis, boca, ânus e pele.

Apesar de existir a vacina bivalente, que protege dos tipos 16 e 18 de HPV e só é aplicada em mulheres, a quadrivalente é a mais indicada, pois protege desses dois tipos citados mais os tipos 6 e 11 e também serve para os homens. "A quadrivalente deve ser tomada em três doses, sendo a segunda dose após 30 dias da primeira e a terceira, seis meses depois da segunda", afirma o ginecologista Amadeu Carvalho Júnior, da Amhpla Cooperativa de Assistência Médica.

A Anvisa recomenda a vacinação em pessoas dos nove aos 26 anos - em especial para aquelas que ainda não iniciaram sua vida sexual, para garantir maior eficácia na proteção. Vale lembrar, no entanto, que a vacina não dispensa o uso de preservativos na relação. "O HPV possui mais de 100 tipos diferentes e a vacina protege apenas de alguns deles", explica o ginecologista Amadeu.

Trabalho é a principal causa de estresse entre as pessoas




Um estudo feito pela Mind, instituição inglesa beneficente que auxilia cerca de 250 mil indivíduos com distúrbios mentais anualmente, descobriu a causa número um de estresse na vida das pessoas: o trabalho. Para chegar à conclusão, eles contaram com dois mil voluntários que foram submetidos a entrevistas. Embora o trabalho seja uma reclamação constante do dia a dia, os especialistas não imaginavam que superaria situações estressantes enfrentadas diante de problemas de saúde ou financeiros.

Após conversar com os participantes, os resultados mostraram que 34% deles consideravam o trabalho o fator mais estressante de suas vidas. Problemas de saúde eram a principal preocupação de 17% deles e dificuldades financeiras representavam o maior responsável pelo estresse de 30% deles. A análise mostrou ainda que um ambiente de trabalho estressante levou 7% dos entrevistados a pensar em suicídio e desencadeou ansiedade em 18% deles. Vale lembrar que estudos anteriores já mostraram forte relação entre estresse e risco de ataque cardíaco.
O estresse também funciona como um gatilho para a adoção de maus hábitos, como a ingestão excessiva de álcool. De acordo com a pesquisa, três em cada cinco pessoas bebe após o trabalho e um em cada sete bebe durante o expediente para aliviar a tensão. Outros problemas comuns decorrentes do estresse são tabagismo, uso de antidepressivos, uso de pílulas para dormir e ingestão de remédios prescritos para dormir.

Outros dados importantes apontaram que um a cada cinco indivíduos fica doente por conta do estresse, mas 90% deles deram diferentes razões aos superiores para justificar a falta. Além disso, um em cada 10 pessoas larga o emprego pelo estresse e um em quatro já pensou em fazê-lo por conta da pressão.

Diminua o estresse no trabalho
Você promete todas as manhãs que naquele dia não vai se estressar no trabalho, mas não consegue atingir essa meta? Invista nessa rotina antiestresse para conseguir relaxar no trabalho e aumentar sua produtividade:

Na hora do estresse, pense positivo!
O pior que se pode fazer em um momento de estresse é tentar ignorá-lo. Fingir que nada está acontecendo e continuar suas atividades pode apenas agravar os sintomas, que podem evoluir para uma crise de estresse mais grave.

Por isso, o psicólogo Lucio Novais recomenda que, em qualquer situação de estresse, o ideal é pensar em algo que o acalme. "Visualize algo agradável, que o tranquilize", sugere.

Porém, no meio de uma situação estressante, é muito difícil pararmos para imaginar os pensamentos mais adequados e positivos, assim como cenas agradáveis para substituir os ansiógenos - agentes causadores da ansiedade e do estresse. "Esses pensamentos já devem ser planejados anteriormente, para que a pessoa possa utilizá-los no momento, sem ter que ficar procurando o que pensar", afirma o especialista.

No momento de estresse e ansiedade, Lucio recomenda que você diga para si mesmo coisas como "já senti isso antes e até hoje nada de grave me aconteceu", "se conseguir mudar meus pensamentos e relaxar, começarei a me sentir melhor" ou "eu posso controlar meu estresse". Se acalme, respire fundo e pense em algo agradável. 

Acorde livre do estresse - Foto Getty Images

Acorde livre do estresse
Você é do tipo que acorda já pensando em todas as situações desgastantes que terá de enfrentar no decorrer do dia, ficando estressado logo pela manhã? Pois saiba que o melhor remédio para isso é, além de bons pensamentos, uma respiração correta. De acordo com o psicólogo Lucio Novais, esse é um dos primeiros passos para um relaxamento e controle do estresse excessivo.

Veja aqui o passo a passo de um exercício de respiração que pode ser feito logo ao acordar:
1. Inspire lentamente pelas narinas, contando até três.
2. Prenda a respiração, também contando até três.
3. Expire lentamente pela boca, contando até seis.
4. Ao inspirar faça com que o ar passe pelo diafragma e encha o abdôme.
5. Mantenha por três segundos inflado dessa maneira.
6. Ao eliminar o ar, faça com que o abdômen vá se encolhendo cada vez mais, até que fique totalmente esvaziado.

Repita essa forma de respirar por cinco ou seis vezes seguidas. Ela produzirá uma redução na ansiedade. 

Trânsito mais tranquilo - Foto Getty Images

Trânsito mais tranquilo
Não tem nada pior do que sair de casa e logo de cara já enfrentar aquele engarrafamento. Para quem sofrem com o estresse no trânsito, existem muitas opções eficazes de relaxamento:

- Procure se acalmar e entender que momentos difíceis sempre vão ocorrer. Ficar irritado e ansioso não vai resolver seus problemas.
- Faça exercícios de respiração profunda e alongamentos leves, como girar o pescoço e movimentar os braços e pernas, sempre quando o carro estiver parado.
- Aproveite o tempo dentro do carro. Ouça áudio-livros, exercite um idioma que esteja aprendendo, ouça as suas músicas favoritas.
- Fique atento à sua postura. Muitas vezes, a postura incorreta dentro do carro pode acarretar dores, que contribuem para o aparecimento ou agravamento do estresse. O assento deve permitir mudanças frequentes de postura, deve estar na altura correta e o encosto não pode estar muito inclinado. Também cuide para que os seus braços não fiquem muito encolhidos ou esticados. 

trabalho - Foto Getty Images

Durante o trabalho
Situações de confronto no trabalho, tais como as críticas, são geralmente incômodas. "Ouvir do seu chefe, por exemplo, uma avaliação não muito positiva a respeito de sua produtividade na empresa gera, em algum nível, uma ativação emocional", diz o psicólogo Lucio Novais.

Por isso, durante o trabalho, é sempre bom tentar pensar de modo positivo, vendo o lado bom das coisas. De acordo com o psicólogo, se algo o incomoda, procure falar sobre o assunto de uma maneira calma e assertiva. Se alguém o magoar em seu trabalho, converse com a pessoa de modo calmo sobre os seus sentimentos.

"Não se preocupe com problemas sem importância e reflita sobre o fato de que, na verdade, poucas coisas importam tanto a ponto de merecerem toda a sua preocupação e sacrifício", alerta Lucio. Por isso, não assuma mais responsabilidades do que pode dar conta, aprenda a dizer "não" e entenda que todo problema tem fim, pois nada ruim dura para sempre.

As recomendações sobre postura também valem para o trabalho. Nesses casos, invista em ginástica laboral. 

almoço - Foto Getty Images

Hora do almoço
Fazer uma caminhada até o restaurante para almoçar, além de ser benéfico para a saúde, contribui para a diminuição do estresse. De acordo com o clínico geral Filippo Pedrinola, fazer uma caminhada de até dez minutos durante o dia faz com que você se sinta mais desperto e refrescado, reduz o estresse crônico e ainda possibilita interações com outras pessoas e situações, contribuindo para o bem-estar.

Além disso, quando você toma sol, ocorre a liberação de alguns hormônios, como cortisol, que contribui para o alívio do estresse e da ansiedade. Sem contar que ter a percepção correta de manhã, tarde e noite é fundamental para a regulação hormonal e o bem-estar físico e mental.  

comer - Foto Getty Images

O que comer?
Existem alimentos que aliviam os sintomas do estresse e da ansiedade, pois possuem substâncias calmantes, como selênio, zinco, potássio e vitaminas do complexo B. Os principais alimentos ricos nesses nutrientes são nozes, peixes, verduras verde-escuras e banana.

"Também devemos evitar alimentos gordurosos, chocolate, café, sal e refrigerante. Além disso, na hora da refeição, deve-se comer calmamente, conversando com a família ou colegas de trabalho sobre situações agradáveis", explica o psicólogo Lucio Novais. 

família - Foto Getty Images

Final do dia
Para não sofrer os efeitos das situações estressantes do dia inteiro, acumuladas no fim do dia, o ideal é se ocupar: vá ao cinema, teatro ou shopping; visite ou receba os amigos em casa. "Essas situações contribuem para combater o estresse, que, inclusive, pode refletir na família", conta o psicólogo Lucio Novais.

Também é importante que a família não seja uma causadora de situações estressantes."A família oferece a segurança do amor e da aceitação, é nela que experimentamos novos comportamentos e arriscamos não ser simpáticos, inteligentes, amorosos ou bem-educados o tempo todo", diz Lucio.

Por isso, tenha a cautela de não exagerar na dose e procure ver a família como um refúgio, em vez de um lugar para descontar os problemas. "A qualidade de vida na família é uma questão que envolve lazer, saúde, socialização e afetividade", afirma Lucio. 

dormir - Foto Getty Images

Hora de dormir
O momento do sono é um dos mais importantes quando o assunto é controlar o estresse. Existe uma série de hábitos nessa hora que contribuem para um sono de má qualidade, desencadeando o estresse durante todo o dia.

Ao deitar na cama para dormir, é vital: evitar luzes acesas e barulhos que alternem entre altos e baixos, como o da televisão; manter a temperatura do quarto estável; escolher um travesseiro que tenha entre cinco e 10 centímetros de altura, de forma que a coluna fique reta ao deitar; ter um colchão confortável; evitar dormir com animais de estimação e não usar produtos ou materiais sintéticos em mobília e roupa de cama. 


Aprenda exercícios que podem prevenir a trombose em viagens de avião



A trombose venosa profunda é a formação de um coágulo sanguíneo, que ocorre geralmente na perna. A condição é extremamente perigosa, já que esses coágulos podem se deslocar pela corrente sanguínea e chegar a órgãos vitais.

Os médicos acreditam que períodos prolongados de imobilidade - como ficar sentado durante o trajeto do avião em viagens longas – são fatores de risco para o desenvolvimento dessa condição.

Para prevenir o problema existem exercícios que o passageiro pode fazer em seu assento, mas eles não devem ser feitos se eles causarem desconforto ou não terem sido indicados pelo médico:

* Círculos com o tornozelo: erga seus pés e use-os para desenhar círculos no ar com os dedos apontados. Gire um pé durante 30 segundos, alternando posições. Repita o movimento com o outro pé.

* Bombeamentos: com os calcanhares no chão erga as pontas dos pés e aponte-as para o alto o máximo que conseguir. Depois coloque todo o pé no chão e repita o movimento, mas dessa vez deixando o peito do pé no chão e erguendo o calcanhar. Faça o exercício durante 30 segundos.

* Erga os joelhos: enquanto sentado marche no lugar, contraindo os músculos das coxas. Repita por 30 segundos.

* Joelho no peito: erga seu joelho esquerdo até o peito e puxe-o contra você mesmo. Segure a posição por 15 segundos e retorne a perna lentamente ao solo. Faça o movimento com a outra perna repita o exercício dez vezes.

Essa medida preventiva pode não ser indicada para todos, por isso é imprescindível que um profissional seja consultado. Apenas o especialista pode fazer indicações adequadas para cada caso e orientar o paciente de acordo com suas necessidades específicas.


Outono aumenta em 40% problemas respiratórios




Com a chegada do outono, é comum que os brasileiros tenham doenças respiratórias infecciosas, inflamatórias e alérgicas transmitidas pelo ar. Entre as causas está o fato das pessoas ficarem cada vez mais próximas e em em ambientes fechados, além da baixa umidade do ar que é típico da estação.

A ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial) alerta que o índice de doenças respiratórias aumenta em 40% nessa época, assim como o número de atendimento nos centros de saúde.

No outuno e inverno, o sistema respiratório fica mais vulnerável e a defesa do corpo não funciona como deveria devido às baixas temperaturas. Segundo o médico e presidente da associação, Agricio Crespo, tosse, espirros, coriza e mal-estar são sintomas comuns, mas também podem evidenciar outras doenças respiratórias de razão alérgica.

— Como o caso das rinites. Além disso, é importante entender os sintomas que distinguem as alergias das doenças respiratórias causadas por vírus, como a gripe.

Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) apontam que uma em cada sete pessoas sofre com algum tipo de alergia respiratória.

— Muitas vezes, as alergias não são diagnosticadas e os sintomas se prolongam, complicando o processo. Em alguns casos, o agravamento do quadro provoca o aparecimento de outras doenças respiratórias.


Brasil terá primeiro indicador de bem-estar e felicidade até dezembro


A ideia de criar o primeiro indicador para medir a felicidade e o bem-estar do brasileiro foi anunciada nesta quarta-feira (13) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), pela ONG Movimento Mais Feliz e pelo aplicativo de celular MyFunCity, que avalia a qualidade de cidades a partir de indicadores como trânsito, segurança, meio ambiente, saúde e educação. Os resultados da pesquisa devem ser divulgados até dezembro.

Tela do aplicativo My Fun City, premiado pela ONU. (Foto: Divulgação)

As entidades lançaram um site para coleta de dados que vão dar origem ao Well Being Brazil (WBB), ou Índice de Bem-Estar Brasil. Segundo os autores, a novidade vai levar em conta as necessidades, os desejos e as diferenças de cada região do país.

O indicador deve considerar os dados fornecidos pela população sobre temas como clima, atividades ao ar livre, transporte e mobilidade, família, redes de relacionamento, profissão e dinheiro, governo, saúde, educação, segurança e consumo. O questionário poderá ser respondido a partir do dia 2 de abril.

A formulação desse índice deve contar, ainda, com a colaboração de pesquisadores brasileiros e do exterior, além de empresas e movimentos sociais.

A primeira fase incluirá a reunião de dados de pessoas de todas as classes sociais e regiões. Depois, serão feitas audiências públicas em dez cidades para divulgar as informações e reunir sugestões e críticas. Na terceira etapa, por fim, haverá a conclusão e apresentação do primeiro indicador.

Com o WBB, a FGV e o Movimento Mais Feliz esperam favorecer a construção de políticas públicas e negócios ligados à promoção do bem-estar. Além disso, o objetivo é fazer com que as pessoas conheçam seu nível de satisfação com o governo sobre suas condições de vida.


Luta contra o ácaro: veja dicas para diminuir problemas respiratórios



O local onde passamos mais tempo em casa, onde descansamos e dormimos, também pode ser o menos saudável. Pesquisas mostram que o quarto é uma das áreas da residência com maior concentração de ácaros - eles se acumulam nos travesseiros, nos colchões e nos estofados. Para quem tem problemas respiratórios como alergia e rinite, a situação pode ficar ainda mais complicada.

A escolha correta e a conservação de travesseiros, por exemplo,  podem ajudar no combate aos ácaros, assim como manter o local limpo e arejado. "O quarto é onde passamos, em média, oito horas por dia. Porém, se a pessoa fizer o controle correto do ambiente, pode ficar sem problemas respiratórios e até sem medicação", diz a alergologista Yara Arruma Mello, do Hospital e Maternidade São Luiz.

Ela, que também é Secretária de Ações Específicas na Prevenção da Asma da Associação Brasileira de Asmáticos, explica que o ácaro é um aracnídeo que vive na poeira acumulada dentro dos ambientes e é invisível a olho nu. Ele costuma se alimentar da descamação da pele humana e animal, e de restos de alimentos.

"Por eles serem invisíveis a olho nu, é difícil explicar para as pessoas o estrago que podem fazer no organismo e conscientizar o paciente", admite a médica.

Dormindo com o inimigo
 
A consultora de sono Renata Federighi, da fabricante de travesseiros Duoflex, diz que pouca gente se dá conta de que os travesseiros também possuem prazo de validade. "Pode não parecer, mas eles são uns dos "esconderijos" prediletos de micro-organismos, que se alimentam das secreções que eliminamos durante o sono".

Ela lembra que com apenas seis meses de uso um travesseiro já contém cerca de 300 mil ácaros e, após dois anos, até 25% do seu peso é formado por ácaros vivos, mortos e suas fezes.

"O ácaro é o principal agente de substâncias causadoras de alergias numa casa. Ácaros, fungos e bactérias causam conjuntivite, eczema, sensação de peito fechado à noite, espirros, coceira nas mãos ou face, corrimento ou bloqueio e até mesmo asma", frisa a consultora.

Assim, camas, colchões e travesseiros mantêm microclimas cujo grau de calor e umidade são favoráveis ao surgimento de ácaros. Estes poluentes biológicos agridem mais as pessoas alérgicas. Federighi conta que, além disso, durante o sono eliminamos secreções pela boca (saliva), ouvidos (cerume), olhos (lágrimas), nariz (coriza), cabelos (seborreia) e pele (suor e células mortas). "Some-se a tudo isso as secreções artificiais, tais quais cosméticos, perfumes, tinturas e maquiagem, para avaliarmos a contaminação maciça diária a que são submetidos os travesseiros".

Deste modo, mesmo um travesseiro com tratamento antiácaro (feitos à base de zinco piritiona, substância usada em xampus e cosméticos no mundo inteiro), depois de certo tempo, terá sobre suas fibras internas um grande acúmulo dos dejetos acima citados, o que diminui a eficiência antimicrobiana. "Por esse motivo, médicos e fisioterapeutas recomendam a sua troca a cada dois anos", diz a consultora.

A alergologista conta que um bom recurso para não deixar os ácaros invadirem a cama é usar capas antiácaros nos colchões e travesseiros. "Essas peças são feitas com tecidos com tramas bem fechadas, funcionando como uma barreira física. Elas são encontradas em lojas de produtos para alérgicos".

Limpeza e ventilação

Outras dicas da médica: colocar roupas de cama e travesseiros ao sol, que é um acaricida; trocar cobertores por edredons e lavá-los/mudá-los a cada 15 dias; passar aspirador com o filtro especial Hepa (High Efficiency Particulate Air ou "partículas de ar de alta eficiência"), que impede que as partículas menores escapem da sucção, e em seguida um pano úmido sem produtos com cheiro forte no chão, ao menos uma vez por dia.

Vale também frisar que o ambiente deve estar sempre limpo e arejado. Para isso, não use vassouras ou espanadores que espalham a poeira fina, que fica em suspensão, para, depois, voltar a se depositar. Retirar tapetes, carpetes, cortinas, almofadas, estantes com livros, bichos de pelúcia, não usar bicamas, evitando tudo o que acumula pó. E, para os alérgicos, não permitir animais dentro do quarto.

O quarto ideal deve ter apenas o essencial, ou seja, uma decoração clean. Além disso, deve ser bem claro e ventilado.  A alergologista lembra, também, que se deve preferir o piso de madeira ou frio a carpetes e tapetes. "No caso de cortinas de tecido, se não puder ficar sem elas, o ideal é lavá-las semanalmente. Ou, melhor ainda, trocá-las por persianas que podem ser limpas apenas com um pano úmido", ensina.


Pressão alta, diabetes e obesidade podem ser sinais de alerta para doença renal



Pessoas com pressão alta, diabetes e obesidade fazem parte dos chamados grupos de risco para problemas renais. Casos de doença na família, idade superior a 50 anos e uso de remédio sem orientação médica também ampliam as chances de o problema ser diagnosticado. O alerta foi feito pela Sociedade Brasileira de Nefrologia no Dia Mundial do Rim, lembrado nesta segunda-feira (14).

Dados do órgão indicam que cerca de 10 milhões de brasileiros sofrem com algum tipo de disfunção renal. A taxa de prevalência é 50 casos para cada 100 mil habitantes. Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da sociedade, Daniel Rinaldi, destacou que sem um diagnóstico preciso, a maioria dos pacientes morre sem sequer ter acesso à diálise (principal tratamento para a doença em estágio avançado).

"Nossa intenção é alertar esses grupos de risco para que possam perguntar ao médico como está a função dos seus rins. Temos dois exames extremamente simples e baratos para diagnosticar precocemente a doença renal – a creatinina no sangue e o exame de urina para detectar perda de sangue e albumina [um tipo de proteína]", explicou.

Rinaldi lembrou que o diagnóstico precoce pode conter o avanço da doença renal crônica. Dessa forma, pacientes que sofrem de diabetes, por exemplo, não precisam se submeter à diálise, mas controlar a alimentação, enquanto pessoas com pressão alta devem reduzir a ingestão de sal e ingerir bastante líquido.

"Esses exames têm que fazer parte do check up. Todo mundo conhece seu colesterol e sua glicemia, mas quase ninguém sabe como está a sua creatinina", disse. A estimativa da sociedade é que mais de 35 milhões de brasileiros sejam hipertensos e que 8 milhões sejam diabéticos.

Os números mostram ainda que em torno de 100 mil brasileiros fazem diálise no país atualmente. A taxa de internação hospitalar para esse tipo de serviço é 4,6% ao mês. Mais de 70% dos pacientes que iniciam o tratamento descobrem a doença quando os rins já estão gravemente comprometidos. A taxa de mortalidade entre eles aumentou 38% na última década.


Exames são indicados para manter a saúde em dia




Até os nove anos de idade, período em que as crianças dependem dos pais para cuidar da saúde, meninos e meninas passam por testes em quantidades iguais. Ao chegar na adolescência e idade adulta, o cenário muda e as mulheres passam a frente dos homens quando o assunto é visitar o médico e realizar exames preventivos. Em 2011, o laboratório Lavoisier Medicina Diagnóstica constatou que cerca de 60% das mulheres realizaram exames preventivos, contra 30% dos homens.

De acordo com a Dra. Natalya Maluf, gerente médica do laboratório, o acompanhamento da idade reprodutiva e da menopausa, a prevenção do câncer de mama, além dos cuidados com doenças coronárias e problemas hormonais são os principais motivos que fazem as mulheres procurarem os médicos e realizarem exames preventivos em maior escala, se comparado com os homens.


"A prevenção é a melhor forma de manter a saúde em dia", revela a especialista. Ela explica que a mulher deve se consultar com um ginecologista, a partir da primeira menstruação e antes do início da vida sexual, no mínimo uma vez por ano. Entre os exames indicados, independente da faixa etária, destacam-se: glicemia, colesterol total e suas frações, triglicerídeos, uréia e creatinina (avaliação da função renal), TGO e TGP (avaliação da função hepática), hemograma e exame de urina. 

Aos 20 anos ou no início da atividade sexual é importante fazer papanicolau, colposcopia, ultrassonografia pélvica ou transvaginal, ultrassonografia de mamas. Quando a mulher completa 30 anos, os procedimentos feitos aos 20 devem ser repetidos em conjunto com exames para avaliar a função tireoidiana como TSH, T4 Livre, T3, ultrassonografia de tireoide. A primeira mamografia deve ser realizada aos 35 anos.

A partir dos 40 anos é recomendado fazer uma mamografia anual, além dos exames já citados para as outras faixas etárias. Quando a maioria das mulheres entra na menopausa, o foco deve ser os ossos e o coração. É importante realizar a densitometria óssea, dosagens hormonais e exames relacionados ao metabolismo do cálcio, para a prevenção da osteoporose.

Mulheres com antecedentes de câncer de mama ou ovário na família devem iniciar o acompanhamento médico com antecedência. A época ideal depende da idade com que seu familiar teve a doença e também o tipo de câncer. O melhor a fazer é procurar o seu médico e explicar o histórico para dar início ao tratamento preventivo.

Antes da gravidez é importante realizar exames de sorologia para sífilis, HIV, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes simples tipo I e II, hepatites B e C. Caso não consiga engravidar durante um ano, procure o seu médico para descobrir a causa.

Fatores de risco da doença coronariana em mulheres



Em geral, as mulheres apresentam os mesmos fatores de risco da doença coronariana que os homens. Mas esses fatores podem afetá-las de maneira diferente.

Inicialmente, estudos detectaram que, antes dos 50 anos, os homens têm um risco a curto prazo maior de doença coronariana. Usando o escore de risco de 10 anos de Framingham, segue a comparação feita entre o homem e a mulher e seus fatores de risco.

Fatores de risco da doença cardíaca coronariana nas mulheres
As mulheres que chegam aos 50 anos com pouco ou nenhum fator de risco para o desenvolvimento da doença coronariana tendem a viver mais
Nesse exemplo, o homem apresenta colesterol total alto, colesterol HDL relativamente baixo, é fumante, mas não toma medicamento para pressão alta. Seu risco de infarto ou morte em conseqüência da doença coronariana é de 20%. Em comparação, uma mulher com fatores de risco idênticos tem um risco de apenas 8% de infarto ou morte em decorrência da doença coronariana.


Mulher Homem
Idade 50 50
Colesterol total 240mg/dia 240mg/dia
Colesterol HDL 42mg/dia 42mg/dia
Fumante Sim Sim
Pressão arterial sistólica 140mm Hg 140mm Hg
Geralmente sob medicação
para tratar a pressão alta
Não
Não
Risco de 10 anos 20% 8%

Devido à diferença no risco a curto prazo entre homens e mulheres, os esforços para prevenção e educação tradicionalmente foram direcionados aos homens. Mas agora isso está mudando, pois está ficando cada vez mais evidente que a doença coronariana afeta significativamente as mulheres.

Um estudo que analisou o risco de doença cardiovascular descobriu que as pessoas que têm certos fatores de risco aos 50 anos - como colesterol alto, pressão alta, diabetes e/ou sobrepeso ou obesidade - têm mais chance de desenvolverem tal doença e terem uma vida mais curta.

Em comparação, aquelas que não apresentam fatores de risco aos 50 anos provavelmente não desenvolverão a doença cardiovascular a curto prazo e terão uma vida mais longa. Os homens e mulheres que tinham menos de dois fatores de risco aos 50 anos viveram uma média de 11 anos e 8 anos mais, respectivamente, comparados aos homens e mulheres que tinham dois ou mais fatores de risco.

A idéia principal é: se uma mulher adotasse hábitos saudáveis desde cedo, de modo que ela apresentasse menos fatores de risco quando chegasse aos 50 anos, ela poderia ter um risco menor de doença cardiovascular e uma vida notadamente mais longa.

Entretanto, à medida que as mulheres envelhecerem, seu risco aumentará. Descubra na próxima página por que a menopausa pode ser o fator principal.

Médicos dizem ter curado bebê com HIV





Médicos norte-americanos afirmam terem curado um bebê do sexo feminino que nasceu com HIV depois de tratamento precoce com o coquetel antirretroviral, em um caso potencialmente pioneiro que pode oferecer esperança de erradicar a infecção por HIV entre crianças.

O caso anunciando neste domingo, 3, é o primeiro relato da chamada cura funcional de uma criança - um raro evento no qual uma pessoa atinge a remissão, estado em que não precisa mais de drogas e em que exames de sangue não mostram sinais de que o vírus esteja se replicando.

Mais testes são necessários para ver se o tratamento teria efeito em outras crianças, mas resultados podem mudar a maneira com que bebês de alto risco são tratados e possivelmente levar à cura de crianças com HIV.

"Essa é uma prova de conceito que o HIV pode ser potencialmente curável em crianças", disse Deborah Persaud, uma virologista da Universidade Johns Hopkins, de Baltimore, que apresentou a descoberta na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas em Atlanta.

A história da menina - cuja identidade não foi revelada - é diferente do caso famoso do paciente Timothy Ray Brown, conhecido como o "paciente de Berlim", cuja infecção por HIV foi completamente erradicada com um tratamento complexo para leucemia em 2007 que envolveu o transplante de células-tronco de um doador que possuía uma mutação genética que conferia resistência ao HIV.

Quando o bebê nasceu em um hospital rural do Mississippi, a mãe tinha acabado de receber o resultado positivo para o teste de HIV. Como ela não havia feito nenhuma profilaxia durante a gestação, os médicos sabiam que a criança tinha grande risco de estar infectada. Então, o bebê foi transferido para o Centro Médico da Universidade do Mississippi, onde ela passou a ser tratada por uma especialista em crianças com HIV, Hannah Gay.

Por causa do alto risco de infecção, a médica administrou um coquetel com três drogas anti-HIV quando a criança tinha apenas 30 horas de vida. Em gravidezes mais típicas, quando uma mãe infectada com HIV recebe drogas para reduzir o risco de transmissão para a criança, o bebê só receberia uma única droga para reduzir o risco de infecção.

Os pesquisadores acreditam que esse uso precoce do tratamento antirretroviral provavelmente resultou na cura da criança por impedir que o vírus forme conjuntos de células difíceis de tratar conhecidos como reservas virais, que ficam adormecidas e fora do alcance de remédios comuns. Essas reservas "ressuscitam" a infecção por HIV em pacientes que param a terapia, e elas são a razão pela qual a maioria dos indivíduos com HIV necessitam de tratamento pela vida toda.

Depois de iniciar o tratamento, o sistema imunológico do bebê respondeu e testes mostraram que o nível do vírus estava diminuindo, até que se tornou indetectável aos 29 dias de vida. O bebê recebeu tratamento padrão até os 18 meses, mas então parou de comparecer às consultas por 10 meses, período no qual a mãe afirma que a menina não recebeu qualquer medicação.

Quando a criança voltou a ser consultada por Hannah, foram pedidos os exames de sangue padrão para ver como ela estava, antes de voltar a receber o tratamento. O que ela descobriu foi surpreendente. O primeiro teste mostrou que não havia níveis detectáveis de HIV. Assim como o segundo. "Naquele momento, eu sabia que estava lidando com um caso incomum", diz Hannah.

Perplexa, Hannah contatou colegas da Universidade de Massachusetts, que fizeram uma série de exames de sangue mais sofisticados. O primeiro deles buscou reservas silenciosas do vírus, que permanecem dormentes, mas podem replicar se forem ativadas. Então, o grupo procurou pelo DNA do HIV, que indica que o vírus se integrou no material genético da pessoa. Esse teste detectou níveis muito baixos de HIV. Como não havia vírus detectáveis, a equipe médica resolveu suspender a terapia antirretroviral.

No Brasil. O Ministério da Saúde possui um protocolo de prevenção de transmissão vertical (de mãe para filho) do HIV que prevê a profilaxia imediata do bebê logo ao nascer, mesmo que a mãe não tenha recebido antirretrovirais durante a gravidez. O protocolo recomenda que seja feita a quimioprofilaxia do recém-nascido com a Zidovudina (AZT) ainda na sala de parto ou nas duas primeiras horas de vida. / REUTERS e NYT