Distúrbios respiratórios leves podem ser causa subestimada de insônia



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Insônia: alterações sutis na respiração podem ter papel importante na interrupção do sono

Problemas respiratórios sutis durante o sono podem estar mais vinculados à insônia do que se imaginava, assim como o estresse e a necessidade de ir ao banheiro, sugere um pequeno estudo feito com pessoas que dormem mal.

O relatório, publicado na edição atual do periódico Sleep, mostrou que pessoas com insônia crônica acordam em média 30 vezes por noite, e que um problema respiratório breve – uma queda no volume de oxigênio inalado causada por um estreitamento das vias aéreas, por exemplo – é precedido por essas interrupções em cerca de 90% dos casos. Nenhum dos participantes do estudo tinha ideia de que apresentava problemas respiratórios durante o sono.

O estudo não é conclusivo, advertiram os especialistas, porque incluiu apenas 20 pessoas e não tinha um grupo-controle com indivíduos de sono normal para fazer uma comparação. Mas o acompanhamento, afirmaram eles, desafiou a teoria predominante de que a insônia é um problema de "hiperexcitação", no qual o corpo mantém alta atividade psicológica e fisiológica.

Estudos anteriores vincularam as medidas de hiperexcitação a dificuldades para adormecer e problemas para voltar a dormir depois de interrupções no sono. Mas a teoria não explica satisfatoriamente o que leva a essas interrupções.

"É uma descoberta surpreendente que de modo algum pode ser desconsiderada", disse Michael J. Sateia, professor de psiquiatria e medicina do sono na Escola de Medicina da Faculdade Dartmouth, que não esteve envolvido na pesquisa. Contudo, acrescentou ele, "sabemos que a excitação pode, por si só, promover a instabilidade das vias aéreas superiores", e nem sempre é claro o que ocorre primeiro.

No estudo, pesquisadores do sono em Albuquerque, Novo México, entrevistaram 20 homens e mulheres com insônia crônica, perguntando sobre as causas de seus despertares noturnos. Todas as pessoas haviam procurado ajuda no Centro Maimonides de Artes e Ciência do Sono, uma clínica privada. Nenhum mostrou sinal de ter distúrbio respiratório, como apneia do sono , ou distúrbio respiratório do sono, uma forma mais branda. A maioria estava tomando remédios para dormir.

Os membros do grupo atribuíram a maioria de seus despertares a pesadelos, à necessidade de ir ao banheiro, dor ou a "pensamentos agitados".

Mas o sono deles contou uma história diferente. Cada participante passou uma noite na clínica de sono, ligado a sensores que rastrearam as ondas cerebrais e respiratórias. Os pesquisadores mapearam cada despertar, quando as ondas cerebrais mudavam para um estado de vigília por pelo menos 16 segundos e cada problema respiratório levava a um consumo de oxigênio a níveis bem abaixo do normal.

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CPAP: aparelho é usado no tratamento da apneia obstrutiva do sono

"Quase todos os despertares foram precedidos por um processo anormal de respiração – o que levou ao despertar", disse Barry Krakow, diretor médico da clínica Maimonides e sua divisão de pesquisa, o Instituto do Sono e Saúde Humana.

Especialistas em medicina do sono geralmente tratam a insônia com terapia com a intenção de esclarecer os equívocos das pessoas e suas suposições sobre o sono, muitas vezes subconscientes. Isso inclui a sensação de pensar no sono como um exercício de frustração e já se aproximar da cama com ansiedade. Medicamentos também podem ajudar, mas raramente resolvem os problemas subjacentes.

A nova descoberta, se reproduzida, sugere que os distúrbios respiratórios podem ser uma causa subestimada de insônia, e que o tratamento desses problemas poderia ajudar. Os médicos podem prescrever placas dentais para manter as vias respiratórias abertas durante o sono ou, em casos mais extremos, uma máquina de "pressão positiva contínua das vias aéreas", conhecida como CPAP.

Terapias do sono podem custar milhares de dólares e nem sempre são cobertas pelos convênios. Segundo o editorial que acompanhou a pesquisa na revista científica, "um estudo maior, com grupo-controle não só poderia esclarecer se os problemas respiratórios são mesmo comuns em pessoas com insônia, mas talvez até mesmo mudar as políticas de reembolso dos planos no tratamento desses problemas".

* Por Benedict Carey

Tosse constante é um alerta de que os pulmões estão mal



Não é porque o verão chegou que a tosse não é um assunto importante. Seja ela crônica ou aguda, o sintoma é incomodo que atinge todas as idades e precisa ser levada a sério. "A tosse não é uma doença, e sim um sinal de que algo está irritando as nossas vias aéreas ou nossos pulmões", diz a pneumologista Iara Fikcs, do Hospital São Luiz.

Muitas vezes, só a força que fazemos para tossir é o suficiente para trazer complicações. Em idades extremas, ou seja, para as crianças e para os idosos, a tosse pode desencadear uma série de contusões. "Durante um ataque de tosse, as pessoas com mais idades ou as crianças podem forçar excessivamente os músculos que atuam na respiração, ou até mesmo quebrar uma costela ou tirar algum órgão do lugar por terem o organismo mais frágil", explica a médica. 

Tosse

Fatores externos
Uma casa empoeirada pode ser um dos motivos de ataques de tosse frequentes. "Quando estamos em um ambiente com muito pó ou outras partículas que irritam nosso sistema respiratório, os ataques de tosse se tornam muito mais comuns", diz Iara Fiks.

Esse tipo de problema acontece muito quando passamos por frentes frias. Com a baixa temperatura, as pessoas têm o instinto de fechar todas as janelas da casas, impedindo a circulação do ar e causando o acúmulo de poeiras.

Mas esse tipo de problema não acontece apenas no inverno. "O cada vez mais usado ar condicionado aumenta as chances de ataques de tosse por irritar os pulmões e deixar o ambiente mais seco", explica a pneumologista. 

Tosse

De acordo com a especialista, produtos de limpeza, perfumes e incensos com odores muito fortes também entram na lista negra dos fatores que contribuem para a irritação das vias aéreas.

Normalmente esse tipo de tosse dura menos do que três semanas, e é chamado de tosse aguda. Para amenizar os ataques desse tipo de tosse, além dos medicamentos prescritos pelo seu médico, como xaropes, vale a pena investir no mel e no própolis, além de frutas e sucos ricos em vitamina C.

Uma receita caseira que pode ajudar a combater uma tosse aguda é a mistura de mel de eucalipto com gotas de própolis. O mel ajuda na expectoração e diminui a irritação da garganta. O própolis é anti-inflamatório e ajuda a tratar agressões nas vias pulmonares.

Mas vale um alerta: as pessoas diabéticas devem evita o mel, pois é rico em açúcares, assim como crianças menores de um ano de idade. 

Em 95% dos casos, as lesões dos tecidos pulmonares são irreversíveis, mesmo que o paciente tenha parado de fumar.

Fuja do cigarro
Para os fumantes fica o aviso da especialista: a fumaça do cigarro prejudica a qualidade de vida de todos os moradores da casa. "Não é apenas o fumante, mas todas as pessoas que convivem com ele, estão mais propensas a ter o pulmão irritado ou desenvolver doenças que causam tosses", diz Iara Finks.

A presença do cigarro na rotina traz problemas principalmente para os mais novos. Um estudo feito pela Sociedade Brasileira de Cefaleia comprova que filhos de mulheres que fumaram durante a gestação têm 2,5 vezes mais chance de ter dor de cabeça crônica diária na infância.

Outra pesquisa ainda diz que entre 20% a 30% dos fumantes desenvolvem a DPOC - doença que une bronquite e enfisema - após os 40 anos, sendo que alguns estudos sugerem que as mulheres são mais suscetíveis aos efeitos nocivos do cigarro do que os homens.

As crises respiratórias são causadas geralmente por infecções bacterianas ou virais, como explica a pneumologista. No período das crises, os pacientes sentem piora da falta de ar, fadiga, aumento da tosse crônica e da produção de catarro. Em 95% dos casos, as lesões dos tecidos pulmonares são irreversíveis, mesmo que o paciente tenha parado de fumar por muito tempo. 

Fumar

Quando a tosse não passa
Se a tosse dura mais do que três semanas, ela passa do quadro agudo para o quadro crônico. "Quando uma pessoa está a tanto tempo tossindo, é preciso procurar um médico para diagnosticar o problema e resolvê-lo enquanto isso", explica Iara Fiks.

A tosse pode ser o sintoma de uma série de doenças, desde as mais comuns como gripe, resfriado e alergia, como algumas mais sérias como tuberculose e até mesmo câncer de pulmão.

"Algumas doenças podem ser diagnosticadas a partir da presença, cor e textura do catarro ou de algum chiado no pulmão. Uma tosse carregada de catarro pode ser um sinal de uma doença mais séria, e é preciso procurar um médico o quanto antes", alerta a pneumologista.

"Um aviso importante é não ficar mais de três semanas tomando remédios para tosse, sejam eles caseiros ou comprados na farmácia, sem procurar um médico. Essa atitude pode estar mascarando uma série de problemas respiratórios que, se fossem tratados precocemente, poderiam ser curados sem grandes problemas", diz Iara Fiks.  

Confusão com engasgo
Muita gente pensa que durante uma crise de tosse por engasgamento, bater nas costas de uma pessoa para tentar ajudá-la vai resolver o problema.

Um ataque de tosse é muito facilmente confundido com um engasgo. "O famoso tapinha nas costas não funciona quando estamos tossindo, e pode ser até perigoso para quem está com algo realmente preso na garganta", diz a pneumologista Iara Fiks, do Hospital São Luiz.

O mesmo discurso serve para líquidos. Oferecer um copo de água para uma pessoa com ataque de tosse não irá trazer alívio, e pode até fazer a pessoa engasgar de verdade, ficando ainda mais sem ar. 


Conheça os 10 maiores fatores de risco para doenças



Um conjunto de estudos recentemente publicado na revista científica The Lancet apontou que embora as pessoas estejam vivendo mais, a qualidade de vida decaiu. O principal motivo para esse quadro é a adoção de hábitos pouco saudáveis ao longo da vida e a convivência com doenças na velhice, principalmente as crônicas.

Frente a esse cenário, a pesquisa listou os 10 maiores fatores de risco para doenças. Observe que todos podem ser controlados ou evitados com medidas simples e, por isso, cada vez mais, órgãos e profissionais de saúde têm trabalhado para acabar com a mentalidade de que médicos só devem ser procurados ao sinal de problemas. "Para reduzir os gastos e melhorar a qualidade de vida da população, nada melhor do que prevenção", afirma o pneumologista Ricardo Luiz de Melo, do Hospital Universitário de Brasília. Confira a lista:


Médico medindo a pressão arterial - Foto Getty Images

Hipertensão

"A hipertensão é uma doença silenciosa, ou seja, quando apresenta sintomas já pode ter causado danos irreversíveis ao organismo", aponta o clínico geral Claudio Miguel Rufino, da Escola Paulista de Medicina da Unifesp. Segundo ele, o trabalho dos vasos sanguíneos sob pressão anormal favorece uma série de complicações que podem culminar em infarto, AVC ou até óbito. Por isso, recomenda-se medir a pressão arterial uma vez por ano ou com maior frequência, quando há casos de pessoas com a doença na família. Dieta equilibrada e prática regular de exercícios também são medidas eficazes para controle e prevenção da hipertensão.

Cigarro sendo apagado - Foto Getty Images

Tabagismo

Segundo o pneumologista Ricardo, é normal as pessoas associarem o tabagismo apenas ao câncer de pulmão, mas esta não é a única consequência decorrente do hábito de fumar. "Câncer de boca, câncer de bexiga, câncer de útero, infarto, bronquite, AVC e inúmeras outras doenças estão ligadas ao cigarro", aponta. Assim, quanto antes o hábito for interrompido, maior a chance de melhorar a qualidade de vida. Vale lembrar ainda que os benefícios do abandono do vício não são refletidos somente no futuro. "É possível notar a melhora do gosto dos alimentos e uma maior resistência respiratória logo nos primeiros dias sem cigarro", conta.

Mulher com garrafa de vodka - Foto Getty Images

Alcoolismo

O alcoolismo costuma ter como principal órgão alvo o fígado, causando cirrose. Entretanto, a ingestão exagerada pode gerar problemas como gastrite e até quadros psiquiátricos. A dependência não está relacionada somente com a frequência com que um indivíduo consome bebidas alcoólicas, mas também com a quantidade. Assim, mesmo bebendo uma vez por semana, uma pessoa pode ser considerada vítima da doença caso não tenha qualquer parâmetro de moderação. De acordo com o clínico-geral Claudio, por ser socialmente aceito, o consumo de álcool começa a ser incentivado pela família ainda na infância.

Limpeza da casa - Foto Getty Images

Poluição dentro de casa

É impossível eliminar todos os agentes desencadeadores de problemas respiratórios, como a rinite alérgica, em uma cidade urbanizada, por isso, devemos, pelo menos, manter a limpeza do lar em dia. "A poluição externa também se deposita dentro de casa e nós mesmos somos responsáveis pelo acúmulo de pó, ácaros e pelos, alguns dos principais vilões quando o assunto é saúde respiratória", explica o pneumologista Ricardo. Assim, além da higiene dos móveis, objetos e do chão, recomenda-se trocar as roupas de cama regularmente.

Mulher escolhendo frutas no supermercado - Foto Getty Images

Baixo consumo de frutas

"Frutas são alimentos naturais facilmente digeridos e fonte de vitaminas e minerais fundamentais para o organismo", afirma o clínico-geral Alfredo Salim Helito, do Hospital Sírio-Libanês. De acordo com o especialista, quem consome poucas frutas tende a dar espaço para alimentos pouco saudáveis, industrializados e gordurosos. Com o tempo, a má alimentação pode não só favorecer problemas, como diabetes, como ainda pode levar ao desenvolvimento de um câncer no tubo digestivo, como o câncer de estômago ou o câncer de intestino. Nutricionistas recomendam a ingestão de, no mínimo, três porções de frutas diariamente.

Mulher se pesando - Foto Getty Images

Obesidade

Embora tenha influência genética, a obesidade também está ligada a hábitos de vida e o número crescente de vítimas do problema mostra que cada vez mais pessoas cultivam uma dieta desregrada e o sedentarismo. "A doença é porta de entrada para problemas cardíacos, diabetes, problemas articulares e insuficiência vascular", explica o clínico-geral Claudio. A prevenção, por sua vez, começa na infância, aprendendo a montar um prato equilibrado e sabendo como fazer opções saudáveis mesmo fora de casa.

Mulher aplicando insulina - Foto Getty Images

Diabetes

Há dois tipos de diabetes, aquele que surge logo na infância e não tem causa conhecida (diabetes tipo 1) e aquele que costuma se desenvolver na idade adulta e está diretamente ligado a hábitos de vida (diabetes tipo 2). Enquanto o primeiro exige controle desde cedo, o segundo nem sempre é descoberto precocemente. "Isso aumenta o risco de complicações, como insuficiência renal, disfunção erétil, infarto, entre outros problemas, e dificulta o controle da doença", explica o clínico-geral Alfredo. Para se prevenir, nada como uma dieta com muitos vegetais e a prática regular de exercícios.

Bebê na balança - Foto Getty Images

Baixo peso infantil

"A desnutrição infantil acarreta uma série de dificuldades na vida adulta, porque é nesta fase que nosso sistema imunológico e neurológico amadurece", alerta o clínico-geral Alfredo. Com as defesas do corpo debilitadas, o indivíduo fica mais suscetível a contrair doenças infecciosas e com a cognição prejudicada, encontra dificuldade de aprender e reter informações. Vale lembrar que criança gordinha não é sinônimo de criança bem alimentada. "Ela pode estar com deficiência de inúmeros nutrientes e, ainda assim, apresentar um bom peso, caso sua dieta não seja equilibrada", complementa.

Fumaça dos carros - Foto Getty Images

Poluição ambiental

Respirar ar poluído leva inúmeras substâncias tóxicas para dentro do nosso organismo, favorecendo problemas respiratórios. Entretanto, segundo o pneumologista Ricardo, cresce cada vez mais o diagnóstico de câncer de pulmão em indivíduos não fumantes, o que leva a crer que esses resíduos também contribuam com a doença. Quanto mais poluído o ar também, menor a quantidade de oxigênio o que, consequentemente, reduz a oxigenação dos nossos órgãos e tecidos. Enquanto nenhuma política agressiva para acabar o problema é adotada, recomenda-se a lavagem nasal com soro e a limpeza do lar.

Homem deitado no sofá - Foto Getty Images

Sedentarismo

Quer bons motivos para começar a treinar? O sedentarismo é responsável por inúmeras doenças, como diabetes, obesidade e problemas cardíacos. Com o slogan de "não tenho tempo", entretanto, a população tem fugido dos exercícios. A solução começa com valorizar mais a saúde do que qualquer outra atividade no dia. Depois, basta ter criatividade. Parar o carro em um estacionamento mais longe, descer do ônibus alguns pontos antes e optar por escadas ao invés do elevador são algumas maneiras de se exercitar sem gastar tempo. O ideal, porém, é realizar uma atividade física que alie trabalho muscular com exercícios aeróbios regularmente.


Quando falta de ar e fisgadas no coração são apenas gases



O constrangimento é grande. Pega mal até falar no assunto (provavelmente, você ficou com vergonha, inclusive, de clicar no link que anunciava este texto). Mas a formação de gases está longe de ser algo fora do normal, ao contrário: a fermentação dos alimentos é parte do processo de digestão, sendo necessária para que ocorra o aproveitamento de uma série de nutrientes pelo organismo, como vitaminas, sais minerais e proteínas lácteas. Isso só é motivo de preocupação quando compromete a vida social, causa cólicas muito fortes ou põe em risco a dieta, devido à dilatação do estômago , afirma o nutrólogo Laércio Gomes Gonçalves, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Estética. Na entrevista abaixo, o especialista tira suas dúvidas sobre o assunto, identifica os alimentos que favorecem a formação de gases e revela sintomas que, aparentemente, nada teriam a ver com o problema (como falta de ar e fisgadas no coração.

Por que os gases se formam?
Os gases se formam pela fermentação dos alimentos ingeridos. O processo acontece devido à ação das bactérias existentes em todo o trato digestivo, desde a boca até o último segmento do intestino grosso.

Isso é um problema na digestão? Ou se trata de uma reação natural do organismo?
A formação de gases não pode ser considerada um problema de digestão, uma vez que fermentação dos alimentos faz parte do mecanismo de retirada e aproveitamento de vitaminas, sais minerais e até mesmo das proteínas da carne, do leite e dos queijos, que precisam ser fermentadas para serem utilizadas. 

Como saber quando os gases estão trazendo prejuízo à saúde, além de desconforto?
Percebe-se o prejuízo do excesso de gases pelas manifestações físicas de desconforto: cólicas no abdômen, falta de ar com encurtamento da capacidade de respiração na fase de inspiração, fala entrecortada pela falta de ar, refluxo em pessoas portadoras de hérnia de hiato e eructações (arrotos) com odor dos alimentos em decomposição, por exemplo.

Que tipo de alimento favorece a formação de gases?
Alguns alimentos crus destacam-se pela formação de gases. É o caso das verduras de folhas largas, como a couve e o repolho. Alguns legumes ricos em carboidratos complexos, como as batatas e a mandioca também são mais sujeitos à fermentação, assim como os derivados lácteos, principalmente em situações de intolerância à lactose.

Mascar chicletes provoca gases? E tomar refrigerantes?
Mascar chicletes e refrigerantes faz com que aumente a ingestão de gases. Mas a grande maioria tem suas bolhas de gás rompidas em contato com a mucosa ácida da parede do estômago, aumentando a eructação (arrotos), e não provocando distúrbios intestinais. 

Eles dilatam o estômago, prejudicando a dieta de alguma maneira?
Sim, dependendo da quantidade de chiclete que você masca, isso aumenta a capacidade de dilatação do estômago. Mas eles não chegam a prejudicar uma dieta, a não ser que você tenha facilidade de dilatação gástrica: nessas condições, será necessário comer mais para alcançar a saciedade. Quanto aos refrigerantes, o prejuízo deve-se à quantidade de componentes químicos para conservação, uso de adoçantes ou propriamente o açúcar, e não por causa dos gases ingeridos.

Passar muito tempo sentado favorece a formação de gases?
Sim, a diminuição dos movimentos peristálticos (movimentos do trânsito dos alimentos e do bolo fecal) favorece o aumento do processo de fermentação e formação de gases. Por outro lado a diminuição da velocidade de digestão por ausência de movimentos após as refeições também contribui para a formação de gases, já no estômago.  

Por que os gases provocam pontadas no coração? Há risco de que isso evolua para um mal cardíaco?
Porque a maioria dos gases fica estacionada no cólon transverso e tende a se movimentar para cima, estando você sentado ou em pé. Com isso, há compressão nos órgãos que ficam abaixo do diafragma (fígado, vesícula, pâncreas e baço). O movimento das bolhas gasosas causa essa compressão e, portanto, podem surgir cólicas. Não existe risco cardíaco nenhum numa situação destas, muito embora uma boa parte da população já tenha conhecimento da existência de um infarto do miocárdio de parede posterior, ou seja, justamente aquela porção que está assentada sobre o músculo diafragma. Uma cólica nesta posição pode assustar, mas o infarto geralmente vem acompanhado de uma série de outros sintomas, como vômitos e sudorese intensa.


Desmaio pode ser primeiro sinal de problemas cardíacos



A perda momentânea da consciência decorrente de um desmaio não costuma ser ignorada, mas, infelizmente, leva a uma bateria de exames geralmente inconclusivos. Entretanto, um estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology, no dia 12 de dezembro, descobriu que desmaiar pode ser o primeiro indício de problemas cardíacos. A pesquisa foi conduzida por um especialista da University of Rochester Medical Center, nos Estados Unidos.

Para chegar a essa conclusão, foram analisados dados de 37 mil pessoas que faziam parte do sistema de saúde dinamarquês. Os resultados foram, então, comparados com o de outros 185 mil indivíduos que não haviam sofrido desmaios. Nenhum deles apresentava passagem médica anterior por problemas ou registro de receitas para medicamentos de controle de pressão ou diabetes.

Os pesquisadores descobriram, então, que pessoas saudáveis que sofriam desmaios tinham um risco 74% maior de serem admitidas em hospitais por conta de um infarto ou AVC. Além disso, elas também eram mais propensas a precisar de um marca-passo ou de um cardioversor-desfribrilador implantável, aparelho que monitora e controla o ritmo cardíaco. Entretanto, os especialistas afirmam que, em muitos casos, o desmaio não tem repercussão tão negativa.

Desmaios são decorrentes da queda súbita da pressão arterial que leva à diminuição do fluxo sanguíneo para o cérebro. Algumas causas comuns do problema são estresse emocional, dor, visão de sangue ou permanecer muito tempo de pé, de acordo com o National Institute of Neurological Disorders and Stroke.

Como ajudar quem sofre um desmaio

De acordo com o cardiologista Bruno Valdigem, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, existem muitas causas para os desmaios, mas o mais comum é a síncope, em que a pessoa acorda alguns segundos ou minutos depois. Os mais demorados costumam ter causas neurológicas, como convulsões.

Quando uma pessoa desmaia pela primeira vez, ela deve ser encaminhada ao hospital e, de preferência, com alguém que esteve presente durante o ocorrido. Algumas informações fundamentais para o diagnóstico médico são:

  • O tempo de duração do desmaio
  • O estado em que o paciente acordou
  • O que o paciente estava fazendo antes de desmaiar
  • Se o paciente se debateu desacordado
  • Quais medicamentos está tomando.

Além da síncope e de problemas neurológicos, desmaios também podem ter arritmias cardíacas como causa. Isso pode ser um anúncio de problemas mais sérios que devem ser avaliados rapidamente, já que a demora pode levar ao óbito. Neste caso, o desmaio vem acompanhado de dores no peito ou palpitações.

Sete dicas para cuidar dos olhos no verão



A estação mais esperada do ano por quem gosta de calor, praia e piscina também tem seus problemas. É nesta época que costumam acontecer epidemias de conjuntivite, já que as altas temperaturas favorecem a multiplicação dos micro-organismos responsáveis pela doença. O período também fica marcado pelos olhos vermelhos e irritados de quem entra no mar ou na piscina. Para completar, muita gente ainda sofre com a claridade e muitas vezes fica em dúvida sobre como proceder. Felizmente, esses e outros desconfortos podem ser evitados com cuidados simples. Confira quais são eles e aproveite o verão sem deixar a saúde de lado.

Banho de mar

"A irritação mais frequente após o banho de mar é a conjuntivite", afirma a oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, coordenadora da Pós Graduação em Oftalmologia FCM/UNICAMP. Por isso, ela recomenda usar um colírio lubrificante ao sair do mar e não coçar os olhos, evitando, assim, o risco de lesões por agentes que estejam na superfície ocular. Lembre-se ainda de retirar as lentes de contato antes de mergulhar. Elas podem ser contaminadas com a sujeira da água, favorecendo infecções.

Pessoas mergulhando na piscina - Foto Getty Images

Piscina

Embora pareçam limpas, piscinas costumam ser usadas por diversas pessoas e ainda são alvo de inúmeros produtos químicos. Por isso, a oftalmologista Denise Fornazari Oliveira, da Unicamp, recomenda o uso de colírios lubrificantes ao sair da água. "Algumas pessoas são tolerantes a esses agentes e não apresentam qualquer desconforto mesmo mergulhando de olhos abertos, mas isso não é regra", explica. Ela alerta ainda para que as lentes de contato sejam retiradas antes de entrar na piscina para evitar sua contaminação.

Criança tomando sol - Foto Getty Images

Sol forte

Na falta de óculos de sol, invista em bonés ou permaneça na sombra para evitar o desconforto ocular. "Contrair os olhos também é um método de proteção natural do corpo, já que a ação é reflexa e involuntária", aponta a oftalmologista Keila. Isso reduz a entrada de luz nos olhos, promovendo mais conforto para quem está exposto ao sol.

Mulher de óculos escuros - Foto Getty Images

Óculos escuros

"Óculos escuros sem filtro de raios ultravioletas podem prejudicar os olhos, por isso, não invista em produtos de procedência duvidosa", afirma a oftalmologista Denise. Segundo ela, o conforto proporcionado pela redução da luminosidade faz com que nossos olhos fiquem mais vulneráveis, caso não haja proteção adequada. Por isso, na dúvida prefira bonés, uma sombra ou mesmo a exposição direta.

Mulher passando filtro solar - Foto Getty Images

Filtro solar

O contato dos olhos com o filtro solar costuma causar ardência e irritação, por isso, fique atento na hora de espalhar o produto no rosto. "Prefira versões mais concentradas ou que sejam específicas para essa região mais sensível", recomenda a oftalmologista Denise. A especialista afirma, entretanto, que não há grande perigo decorrente da interação e que lavar o rosto com água corrente ou usar colírios lubrificantes já é o suficiente para aliviar o desconforto.

Mulher com cisco no olho - Foto Getty Images

Cisco

"Por mais tentada que a pessoa fique, ela deve evitar coçar os olhos quando sentir um cisco, pois há risco de lesões na superfície ocular", diz a oftalmologista Keila. O que fazer? Usar um colírio lubrificante e, caso o problema não seja resolvido, dirigir-se a um pronto-socorro para que o médico remova o cisco com material esterilizado que não expõe o paciente ao risco de infecções. "Após a retirada do cisco, é comum a realização de um curativo ocular oclusivo que favorece a cicatrização da lesão por 24 horas", explica.

Homem suado - Foto Getty Images

Suor

Até mesmo nosso próprio suor pode gerar irritações oculares. "As sobrancelhas impedem que a água escorra, mas com o aumento da transpiração, decorrente da prática de exercícios, por exemplo, isso se torna inevitável", aponta a oftalmologista Denise. Para evitar o problema, vale apostar em faixas, como a que os jogadores de tênis usam, ou contar com uma toalhinha para evitar que o suor escorra.


Atividade física evita o derrame cerebral, diz pesquisa



Um estudo dos Estados Unidos aponta a importância da atividade física para evitar o infarto no coração e o derrame. Segundo pesquisas, a atividade física regular é fundamental para evitar risco de morte, principalmente durante a meia idade.

O estudo é otimista e garante que mesmo pessoas que nunca se exercitaram na vida podem obter essa proteção ainda durante a meia idade. O que a pesquisa americana recomenda é a prática de 30 minutos diários de atividade física de moderada intensidade. O que pode ser caminhada, desde que feita de forma vigorosa.

O derrame cerebral está também relacionado com o fumo e a má alimentação. Ele é causado pela deficiência do fluxo sanguíneo, decorrente da obstrução das artérias cerebrais por placas de gordura.

Em seguida, ocorre uma hemorragia que é ocasionada devido ao rompimento de vasos sanguíneos que podem ocorrer dentro do tecido cerebral ou dentro do espaço que circunda o cérebro.


Sete dicas para baixar o nível de triglicérides do sangue



Receber o diagnóstico de colesterol alto vira alvo de grande preocupação para muitas pessoas. O mesmo nem sempre acontece com aquelas que descobrem ter alto nível de triglicérides - ou triglicerídeos - no sangue. Menos agressivos, os triglicérides costumam ser ignorados por muitos, mas eles também são perigosos se não controlados: aumentam os riscos de doenças coronarianas e até de desenvolver diabetes.

O endocrinologista Amélio Godoy Matos, que já foi presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, explica que os triglicerídeos são um tipo de gordura proveniente da ingestão de carboidratos e da própria gordura. Assim, ele está presente em cerca de 90% da nossa alimentação, enquanto o colesterol pode ser encontrado em apenas 10% dos alimentos ingeridos. Ainda assim, as melhores formas de baixar o nível de triglicérides não se restringem apenas à alimentação. Confira sete dicas que ajudam a controlar a taxa dessa gordura.

Carboidratos
Os triglicerídeos são originados de duas maneiras: pela ingestão de alimentos ricos em gordura ou pela sintetização de carboidratos no fígado. Dessa forma, uma das primeiras recomendações médicas para baixar o nível de triglicérides é criando uma dieta balanceada e, claro, com baixo teor de carboidratos, aponta o endocrinologista Amélio. Isso inclui massas, frutas e tubérculos, como a batata.

Exercícios - Foto Getty Images

Exercícios
"Excesso de peso é a principal causa de aumento de triglicerídeos no sangue", explica Amélio Godoy. Por isso, aliar uma dieta equilibrada à prática de exercícios físicos, de preferência aeróbicos, é a melhor maneira de combater o alto nível de triglicérides, uma vez que ele aumenta a queima de gordura corporal.

Legumes e verduras - Foto Getty Images

Verduras e legumes
Verduras e legumes também não podem faltar no cardápio. "Alguns deles até apresentam uma porcentagem considerável de carboidratos, mas, ainda assim, serão sempre mais bem-vindos do que alimentos processados, como pães e massas', explica o endocrinologista Amélio.

Álcool - Foto Getty Images

Álcool
"Bebidas alcoólicas são altamente calóricas, estimulando a produção de triglicerídeos e por isso, devem ser evitadas', aconselha o profissional. Uma latinha de cerveja, por exemplo, tem 147 calorias; uma taça de vinho tinto seco, 107 e uma única dose de uísque, 240 calorias.

Salmão - Foto Getty Images

Ômega três
Peixes, como salmão e atum, são alimentos ricos em ácidos graxos ômega 3, uma gordura insaturada, que reduz o nível de triglicérides do sangue. Assim, seu consumo sempre deve ser priorizado quando a outra opção for uma carne vermelha. Lembre-se, apenas, de preparar o peixe de forma que ele fique com baixo teor de gordura, sendo a melhor alternativa grelhá-lo.

Doce - Foto Getty Images

Açúcar
Outro alimento que deverá ser controlado são os doces, já que o açúcar é um tipo de carboidrato. No organismo, ele é quebrado e transformado em partículas menores que serão absorvidas. O problema é que essa absorção estimula a produção de triglicerídeos pelo fígado. Além disso, há um depósito dessa gordura no pâncreas que atrapalha o funcionamento das células de insulina, fazendo com que a taxa de glicose no sangue também aumente.

Tabagismo - Foto Getty Images

Tabagismo
O tabagismo aumenta os riscos de doenças cardiovasculares e diabetes, sendo um hábito prejudicial que potencializa os prejuízos causados pela alta taxa de triglicerídeos no sangue. Assim como o açúcar, ele causa resistência de insulina devido ao acúmulo de gordura no abdômen.


Dormir horas a mais ajuda a combater dores, diz estudo


Dormir mais pode ser eficaz no tratamento de dores crônicas Foto: Getty Images

Dormir quase duas horas a mais por noite pode melhorar drasticamente o estado de alerta de uma pessoa e reduzir a sensibilidade à dor. Segundo o jornal Daily Mail, pesquisadores disseram que dormir quase 10 horas por noite - em vez das oito horas recomendadas - é mais eficaz no tratamento de dores do que tomar codeína.

 
O estudo utilizou 18 pessoas, livres de dor, que dormiram oito horas por quatro noites e quase 10 por mais quatro noites. Pesquisadores constataram que quando dormiam mais ficavam mais alertas durante o dia. Além disso, tiveram menos sensibilidade à dor. Notou-se ainda que eles conseguiam ficar com o dedo em uma fonte de calor 25% mais tempo do que quando dormiram menos. 
 
Dr. Timothy Roehrs, especialista em distúrbios do sono, disse que os resultados sugerem a importância de um sono adequado no tratamento de dor crônica. "Ficamos surpreendidos pela redução da sensibilidade à dor, comparada com a de tomar codeína."

Demência em idoso pode ser hidrocefalia



Quando o idoso começa a perder memória, é comum que a família fique em alerta para a possibilidade de doença de Alzheimer. O que geralmente não se considera é a hipótese de os sintomas estarem ligados à hidrocefalia de pressão normal, doença responsável por 5% dos quadros de demência.

A boa notícia é que, diferentemente do Alzheimer, responsável por metade dos quadros demenciais, ou das demências vasculares, segunda maior causa do problema, a hidrocefalia dispõe de tratamento cirúrgico capaz de reverter os sintomas cognitivos e devolver ao paciente a capacidade de pensar e se comunicar.

De acordo com o neurocirurgião Fernando Campos Gomes Pinto, chefe do Grupo de Hidrodinâmica Cerebral do Hospital das Clínicas da USP, a doença, que atinge principalmente idosos, também pode vir acompanhada de alterações na marcha e incontinência urinária.

Os sintomas decorrem do acúmulo do líquido cefalorraquidiano, que banha o crânio e a medula espinhal. O excesso desse líquido afeta áreas importantes do cérebro, como lobos frontais, tálamos e gânglios da base.

— A pessoa tem uma vida normal e, aos poucos, começa a ter o quadro clínico que apresenta os três pontos principais: dificuldade para andar, incontinência urinária e perda da agilidade mental.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito com tomografia de crânio e ressonância magnética. Segundo o neurocirurgião, existem dois tratamentos cirúrgicos possíveis, que têm o objetivo de drenar esse líquido excedente. Antes da cirurgia, o paciente é submetido a um teste: sob anestesia local, são retirados 40 ml de líquido da medula espinhal. O procedimento reverte momentaneamente o excesso de líquido que banha o sistema nervoso. Caso os sintomas melhorem nas horas seguintes, existe 90% de chance de a cirurgia ser eficaz.

O bacharel em direito Farid Abraão, de 73 anos, achava que fosse natural da idade ter declínio no raciocínio e dificuldade para andar. Por insistência dos filhos, marcou consulta com um neurologista. A hipótese de hidrocefalia só apareceu no segundo profissional que consultou. Constatado o problema, submeteu-se à cirurgia em junho.

— Comecei a ficar melhor imediatamente. Não tive mais problema de incontinência e minha marcha melhorou sensivelmente. Minha memória está boa.

No caso da professora universitária Ana Maria, que preferiu não divulgar o sobrenome, a doença a manteve afastada do trabalho por um ano. Ela demorou alguns meses até decidir passar pela cirurgia, em abril:

— Foi a melhor coisa que fiz. Continuo me recuperando. Se deixasse passar mais tempo, poderia ser irrecuperável.