Hipermobilidade articular podem causar sérios problemas de saúde





Você conhece alguém que tenha uma habilidade exemplar quando o assunto é flexibilidade? Essa pessoa pode fazer parte dos 30% da população que possuem a hipermobilidade articular.

Larissa Biazzi, 12 anos, possui enorme facilidade para se esticar e inclinar, mas o que ela não sabia era que esta habilidade poderia lhe trazer graves problemas de saúde. Desde pequena a menina sente fortes dores no joelho, pernas e articulações. A dona de casa Liana Biazzi, mãe da garota, procurou inúmeros médicos, de diversas especialidades e nenhum deles encontrou a solução para o problema. Seis anos depois de muita procura, a criança descobriu que suas dores estavam ligadas a hipermobilidade dos seus membros.

Larissa é vítima de um defeito genético dos tecidos moles, tais como tendões e ligamentos, que pode desencadear muitos outros problemas de saúde, como tendinites e bursites, lesões de ligamentos, desvio de coluna e até mesmo a incontinência urinária.

A fisioterapeuta Neuseli Marino Lamari, professora da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) e autora de artigos sobre a hipermobilidade, explica que tal capacidade não é uma doença, mas um defeito genético dos tecidos que desencadeia a frouxidão das articulações corporais. Em uma pesquisa sobre o assunto, Neuseli levantou que grande parte das queixas de dores na coluna, no ombro, no joelho e muitas outras, entre trabalhadores de indústrias, são identificados casos de portadores de hipermobilidade. "Há muitas pessoas que procuram os consultórios reclamando de dores no corpo e o diagnóstico de hipermobilidade nunca foi feito. O ideal seria que em toda rotina de exame físico se incluísse o teste para detectar o portador. Mas este teste ainda é desconhecido pela maioria dos profissionais da saúde", disse a fisioterapeuta.

Para o diagnóstico é realizado um procedimento físico rápido e sem custo. O mais utilizado é o Método de Beighton, um exame simples e sem a necessidade de equipamentos, que vai apontar quais os pontos de elasticidade no corpo do paciente.

A hipermobilidade não tem cura. O paciente, portanto, deve tomar alguns cuidados para evitar complicações como não realizar tarefas com repetitividade, reeducar-se quanto à sua postura, evitar esportes de impacto e realizar exercícios especiais. As mulheres devem realizar, além das atividades tradicionais, exercícios para o fortalecimento da musculatura que sustenta a bexiga e o intestino.

Não há um consenso para quais os níveis ideais de flexibilidade para a saúde de um indivíduo. "O que podemos afirmar é que movimentos como tocar as mãos nos pés ao flexionar o corpo para a frente não é uma tarefa considerada normal. O esperado é que não se consiga", disse Neuseli.

Tratamento

O tratamento para a hipermobilidade corporal é rápido e fácil. Porém, deve ser iniciado na infância, antes do surgimento dos problemas. Neuseli explica que o diagnóstico precoce é uma das chaves para a solução. A fisioterapia auxilia o paciente na reeducação postural. "Nas primeiras sessões o paciente sai da clínica como se estivesse andando de joelhos. Mas, depois, com a continuação do trabalho, ele vai perceber o alinhamento correto", disse.



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