Bons hábitos para cuidar do seu joelho




Andar sob duas pernas foi um acontecimento absolutamente revolucionário na evolução do homem e acabou como um marco nessa trajetória que separa os nossos antepassados mais primitivos do moderno Homo sapiens. Detalhes históricos à parte, a verdade é que até hoje nosso organismo tenta se adaptar a tão brusca mudança. O peso do corpo, antes dividido em quatro apoios, passou a castigar mais os membros inferiores. Isso provocou uma nova distribuição de tarefas entre as diversas estruturas localizadas na região e o joelho acabou sobrecarregado.

Tendo função importantíssima de conectar a parte superior e a inferior das pernas, ajudando na locomoção, coube a ele um esforço grande na tentativa de estabilizar o corpo. Nessa difícil missão, uma tarefa extra: absorver boa parte do impacto oferecido pelo contato dos pés com o solo. Poderia ter sido um arranjo mais tranquilo, não fosse a própria articulação uma região extremamente delicada, onde várias estruturas se combinam. Mas, antes de saber como acaba essa história, o primeiro passo é entender melhor as características do personagem principal: sim, o joelho!

Um joelho saudável faz toda a diferença na hora de se divertir de forma ativa, seja em uma caminhada, durante uma dança ou na prática de um esporte radical. Por isso, é fundamental cuidar muito bem do seu. Aí vão algumas orientações importantes dos especialistas ouvidos nesta matéria.

1. Fazer exercícios regularmente. Foi-se o tempo em que uma pessoa com qualquer tipo de lesão era impedida de frequentar academias e outros espaços destinados à prática de esportes. Hoje, sabe-se que a atividade física é fundamental para a prevenção de inúmeras doenças e mesmo para a reabilitação de lesões, inclusive do joelho.

"Qualquer articulação, sem movimento, acaba ficando rígida. Como consequência, a locomoção fica prejudicada", alerta o ortopedista Victor Marques de Oliveira. O segredo é contar com a orientação de um especialista na hora de montar o treino. Atividades de alto impacto, como a corrida, podem ser contraindicadas às pessoas que já sofreram traumas mais sérios nas articulações. Os esportes na água, por outro lado, são uma excelente pedida nesses casos. O fortalecimento muscular — proporcionado por atividades como a musculação e a ginástica localizada — e as atividades de alongamento também colaboram para prevenir lesões.

2. Respeitar seus limites. Se estiver sem condicionamento, comece com um treino leve e aumente gradualmente a intensidade e o tempo de duração. "É cada vez mais comum atendermos em consultório pessoas que começam a fazer uma atividade sem estarem devidamente preparadas. Isso provoca uma sobrecarga nas articulações", explica Ricardo Cury. Durante o exercício, pare ao sentir qualquer incômodo ou mal-estar. "A dor é sempre um alerta, indica que algo está errado e que é hora de procurar um médico. O pior que se pode fazer é ignorá-la", defende Oliveira.

3. Acertar na escolha do calçado para o dia-a-dia. "Os melhores são os que possuem solado macio, capaz de absorver parte do impacto, e um salto pequeno. Os calçados muito baixos ou, ao contrário, com saltos altos, podem comprometer a estabilidade da articulação", alerta Sérgio Mainine. Para a prática de atividades físicas, é necessário contar com um calçado especial, capaz de atender às exigências específicas de cada esporte.

4. Manter o peso ideal. A sobrecarga ocasionada pelos quilinhos a mais castiga as articulações, especialmente o joelho. "A artrose, por exemplo, é três vezes mais comum em obesos", alerta Oliveira.

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