Meningite de Ivete Sangalo é de baixo risco; entenda




Ivete Sangalo apresenta, até o momento, quadro de meningite viral; segundo especialistas, esta é o tipo menos grave da doença. Foto: AgNews

Danielle Barg

Após passar mal na madrugada do último domingo (4), depois de uma apresentação no Rio Grande do Norte, a cantora Ivete Sangalo foi internada com quadro de meningite e segue, sem previsão de alta, em recuperação no Hospital Aliança, em Salvador. O último boletim médico divulgado para a imprensa indica que a hipótese mais provável é que a cantora esteja com meningite viral.

De baixo risco, este tipo é mais frequente do que se imagina, segundo explica Renato Grinbaum, infectologista do hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. "É preciso acalmar a população, pois este tipo de meningite é muito comum e tem pouca gravidade", ressalta.

De acordo com o especialista, há mais de uma centena de tipos de meningite, mas a classe médica a divide em duas categorias. A meningite purulenta, caracterizada pela formação de pus, na maior parte das vezes é causada por agentes bacterianos. Esta é a forma mais grave, que pode inclusive causar a morte.

Já a meningite não-purulenta se dá, de um modo geral, a partir da influência de vírus. Esta seria a forma também conhecida como benigna, ou não contagiosa, que é o caso de Ivete.

De acordo com Marco Aurélio Sáfadi, infectologista do Hospital São Luiz, apesar de não ser uma doença rara, a contrário da bacteriana, a meningite viral geralmente apresenta uma boa evolução. "Alguns vírus podem sim ter complicações, mas felizmente, isso é a exceção, e não é a regra. De maneira geral, a meningite viral tem chances menores de complicações", explica o especialista. Segundo ele, a meningite também pode ser causada por fungos ou outros agentes, mas estes casos são mais específicos.

Transmissão, sintomas e tratamento
Segundo os especialistas ouvidos, a transmissão se dá por meio das vias respiratórias ou mãos contaminadas. "Lugares fechados e com pouca circulação de ar são o ambiente propício para o vírus. Isso explica o porquê dos casos aumentarem no inverno", pontua Grinbaum.

A incidência da meningite também pode variar de acordo com o organismo da pessoa, segundo explica Grinbaum. "O mesmo vírus pode causar um resfriado em uma pessoa e meningite em outra. Tudo vai depender da pré-disposição individual, das variações genéticas e da quantidade de vírus aos quais a pessoa foi exposta", observa.

De acordo com Sáfadi, a doença se manifesta a partir de uma tríade de sintomas: febre, cefaleia, vômitos. "O que vai distinguir a gravidade do quadro é a insistência dos sintomas, que só pode ser avaliada por um médico", ressalta.

Os sintomas duram, de um modo geral, de cinco a sete dias. O infectologista Renato explica como a doença se forma. "A meninge é como se fosse uma membrana que envolve o cérebro para protegê-lo, banhada por um líquido chamado líquor. Toda vez que há uma inflamação ou infecção na meninge ou no líquor, chamamos de meningite", explica Grinbaum.

Por este motivo, as dores de cabeça costumam ser bastante diferentes e mais fortes do que uma dor comum. Sendo assim, uma das formas de identificar a doença é tentar encostar o queixo no peito - se houver dor intensa provocada pelo movimento, este pode ser um indicativo. Em bebês, vale observar se estão com dificuldade de mamar ou de mexer o pescoço, além de choro contínuo.

Para se prevenir, a única recomendação é evitar esse tipo de ambiente e lavar as mãos com água e sabão sempre que possível. O infectologista Marco explica que o tratamento é baseado apenas em remédios para combater os sintomas, além de muita hidratação e repouso. "É como uma gripe, um resfriado. O indivíduo retorna ao seu estado geral independente do tratamento, porque o vírus tem um período de manifestações, e depois que ele acaba, os sintomas passam", afirma.

Meningite bacteriana: atenção redobrada
A meningite bacteriana é um tipo mais sério e exige cuidados especiais. O Estado da Bahia vem sofrendo com a doença e, de acordo com a assessoria da secretaria estadual de Saúde (Sesab), foram registrados, até 24 de novembro, 1.670 casos de todos os tipos de meningite, sendo que 108 casos chegaram ao óbito.

Segundo Sáfadi, as bactérias mais frequentes hoje são a meningococo, com letalidade de um em cada cinco indivíduos, e pneumococo, com letalidade de um em cada três pessoas. "Os riscos de sequelas também é grande, podendo trazer surdez, déficit neurológico, amputação de membros, cegueira, e agravos neurológicos de uma maneira geral."

A transmissão também se dá por vias respiratórias, a partir de gotículas expelidas por portadores da bactéria. No entanto, ao contrário da meningite viral, a bacteriana conta com métodos de prevenção mais eficazes. "Hoje já se encontra na rede pública a vacina contra a doença, aplicada em crianças abaixo dos dois anos. Para crianças maiores ou adultos, a vacina também pode ser encontrada em consultórios particulares e não tem nenhuma contraindicação", pontua.

O grupo mais suscetível a este tipo de meningite são as crianças e adolescentes, especialmente durante períodos de surto da doença. Isso decorre de fatores comportamentais como andar mais em grupos, frequentar bares e boates, e, consequentemente, estar mais exposto a ambientes aglomerados.



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