Hipoglicemia é um mal comum entre os diabéticos




Cerca de 20% dos pacientes que sofrem com diabetes do tipo 2 – normalmente adquirida durante ou depois da adolescência – não sabem que têm, nem quais são os sintomas da hipoglicemia. O nome científico é dado para o conjunto de sintomas decorrentes da redução brusca dos níveis de açúcar no sangue. O mal está associado a mudanças nas quantidades de insulina na corrente sanguínea, e pode ser agravado com alimentação inadequada, longas demoras entre as refeições, medicamentos ultrapassados ou dosagens equivocadas. 

Médicos advertem que, sem cuidados adequados, a hipoglicemia pode interferir nas atividades diárias, podendo causar visão turva ou dupla, confusão mental, dores de cabeça, sonolência, fraqueza, tontura, desmaios, batimento cardíaco acelerado e transpiração. Em casos extremos, pode ter inclusive consequências mais graves, como coma e danos neurológicos irreversíveis. 

O alerta foi reforçado após a divulgação dos números de uma pesquisa sobre a hipoglicemia em pacientes com diabetes do tipo 2. A investigação contou com 200 pacientes e 75 endocrinologistas em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Curitiba, e recolheu depoimentos entre os dias 23 de março e 8 de abril. 

De acordo com o médico e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Saulo Cavalcanti, alguns pacientes costumam manter a glicemia mais elevada só para evitar a hipoglicemia. Ou seja, optam por ingerir mais açúcar e carboidrato – pão, macarrão, etc – para evitar os sintomas.

- A sensação de mal-estar é tão significante, que eles preferem correr esse risco a ter que vivenciar episódios de hipoglicemia. 

Ainda segundo o especialista, muitas vezes a atitude é tomada sem o conhecimento do médico que acompanha o caso. Se no curto prazo o resultado é uma qualidade de vida melhor, com o tempo esse quadro pode se agravar. Um dos resultados mais frequentes, aponta Cavalcanti, é a retinopatia, uma doença inflamatória e degenerativa da retina, que sem cuidados pode evoluir para a cegueira. Outro problema é a neuropatia, pequenas inflamações no sistema nervoso que acabam por reduzir o tato do paciente. 

O especialista relaciona uma série de consequências das crises de hipoglicemia não detectadas ou mal tratadas. 
- Há vários estudos na Europa e nos Estados Unidos que relacionam acidentes de carro, brigas no trânsito e até maior índice de demissões no trabalho a pacientes que sofrem com o problema. 

Em muitos casos, graças à falta de sensibilidade nos dedos das mãos e dos pés, diabéticos acabam sofrendo pequenos cortes e contusões. Com muito açúcar no sangue, os locais demoram mais a cicatrizar, as feridas se abrem, e, sem cuidados, um acidente doméstico pode resultar em complicações. 

Para reduzir os desconfortos da hipoglicemia, a representante comercial Maria Regina Carvalho, de 58 anos, que há dez detectou que tinha diabetes do tipo 2, faz uso de remédios e busca equilibrar a dieta. Os exercícios físicos, no entanto, são uma dificuldade. 
- Tentei várias coisas. Fiz ginástica, musculação, hidroginástica, mas não tenho disciplina. Faço dois, três meses, os resultados começam a aparecer, e aí eu abandono. 

Filha de mãe diabética, Maria Regina tentou controlar o mal só com dieta e uma rotina mais saudável assim que descobriu o problema, mas não conseguiu.

- Em menos de um ano, tive que recorrer aos remédios.

Ela reconhece que a rotina de alimentação em espaços mais curtos é uma dificuldade.

- O problema da diabetes é que os sintomas não aparecem no dia a dia, não incomodam. É uma doença silenciosa.

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