É preciso se mexer




Computador, televisão, vídeo - game, carro. E as pessoas ficam, a cada dia, mais e mais sedentárias. O que tem maior valor, sempre, é o desenvolvimento cognitivo. As crianças - ou seus pais - abrem mão do esporte, do brincar na rua - seja por problemas de segurança, seja pela opção de moradia em apartamentos -, mas nunca das aulas de computação ou inglês. A vida cada vez com menos movimento envolve hábitos contra indicados, todos sabem. O problema é que a maioria das pessoas cada vez os incorpora de maneira mais efetiva. E reforçam um pensar onde o corpo continua sendo apenas um acessório do intelectual, mais valorizado em termos de sucesso, competência e respeitabilidade.

No outro extremo, não apenas entre os mais jovens mas também entre os adultos, o culto ao corpo, os freqüentadores de academia que não dispensam pelo menos uma hora diária de malhação.

Onde encontrar o meio termo? Qual o mínimo necessário em termos de atividade física que uma pessoa deve manter? Ou, até mesmo, o ideal?

Até algum tempo atrás, lembra a Profª. Regina Simões**, convivia-se com a idéia do corpo perfeito, a partir de modelo ideal de desenvolvimento físico. Hoje, trabalha-se o corpo possível, quebrando-se o paradigma da comparação. E é com corpo possível que todos podem se exercitar, seja o obeso, o diabético, o portador de deficiências. A mudança é tão real que os processos seletivos ao curso de educação Física aboliram a prova de aptidão física. "Sempre foi muito comum se ouvir comentários pejorativos como você, com esta barriga, é professor de Educação física? Ou seja, as pessoas faziam uma relação não com a competência mas com a aparência do corpo", comenta ela.

Mas, atualmente, pensar-se Educação Física ocorre a partir de um enfoque no movimento, na motricidade humana. Através do movimento que a criança diz estar viva, logo após o parto, e, até antes dele, na barriga da mãe. E é a capacidade de movimentar-se que a sociedade contemporânea, com seus hábitos e cultura, está tirando de cada um.

Para especialistas, as pessoas estão divididas, atualmente, em três grandes blocos. Veja em qual você se encaixa, e os principais conselhos a cada um deles:

típico sedentário: é aquele que serve de todas as facilidades do mundo moderno, especialmente o disque qualquer coisa: disk comida, disk vídeo, disk serviços. Desistiu de andar um quarteirão para realizar qualquer atividade, o carro é o principal instrumento cotidiano. A ele se sugere que volte a desenvolver pelo menos os afazeres domésticos, como empurrar o carrinho no supermercado, levar o cachorro para passear, lavar o quintal, subir as escadas. Nunca permanecer inativo por mais de uma ou duas horas, procurando sempre se movimentar no próprio ambiente com constância.

Os intermediários: são aqueles que têm a consciência que precisam exercitar-se, mas ainda mantêm hábitos dos sedentários. É a população-alvo dos programas de saúde, que buscam indicar que é necessário que as pessoas se organizem para ter rotina com, minimamente, uma hora de atividades físicas diárias, ou, pelo menos, três vezes por semana. Elas não serão suficientes para garantir-lhes um condicionamento físico, mas estimularão a função orgânica. O maior problema é que o grupo se caracteriza por pessoas que praticamente desconhecem o tipo de atividade adequada para desenvolver, sem ter clareza em como praticar determinado tipo de esporte. É o caso, por exemplo, de mulheres que realizam caminhadas de salto alto ou sandália.

grupo ideal: é o que pratica exercícios com regularidade, com orientação adequada, com acompanhamento de um profissional. Não se confundem com os atletas de fim de semana que, por exemplo, se dizem em forma por jogarem duas tardes continuadas de futebol.

Dicas para quem quer começar a praticar esportes

· A roupa pode ser de fundamental importância, dependendo da atividade física. No caso de caminhadas, é essencial que se escolha um calçado com solado com amortecedor, especialmente para os mais gordinhos, que os proteja do impacto. Nunca se deve caminhar de calças jeans, mas com roupas leves e arejadas. Sempre que estiver com sede, a pessoa deve ingerir líquido, já que a sede é sinônimo de que o corpo está necessitando de água.

· Escolha o esporte que lhe dá mais prazer. Inclusive o horário para praticá-lo. Não adianta sugerir para alguém que gosta de dormir, que faça caminhadas ao amanhecer. A atividade se tornará um peso, ao invés de um prazer.

· Cuidado com exercícios onde você busque apenas imitação de alguém, como no caso de revistas ou vídeos de televisão. Há casos de atividade física que requerem o acompanhamento ou a presença de um especialista que possa corrigir os erros. No caso da ginástica praticada em pé, por exemplo, a Profª. Eline Porto*** lembra que o joelho nunca deverá estar estendido para que não haja uma sobrecarga da coluna. Posturas inadequadas, neste caso, podem prejudicar as articulações do joelho, do tornozelo e lombares, ao invés de melhorar as condições físicas da pessoa.

· Desenvolva uma rotina para praticar pelo menos 30 minutos de atividade física. Não acredite, entretanto, que apenas isto poderá auxiliar num processo de perda de peso. A Profª. Eline também lembra que uma pessoa só começa a perder calorias depois do 30 minutos de exercícios de atividade aeróbica, ou praticando natação, esteira, caminhada ou bicicleta. Depois de adquirido certo grau de resistência, o período pode diminuir para 20 minutos. Não é adequado, também, que os exercícios excedam ao período de uma hora, quando grupos musculares já podem começar a apresentar fadiga.

· Para quem trabalha de dia e estuda à noite, a atividade física deve ser planejada para os intervalos, como no horário de almoço, ou mesmo após as aulas. É exatamente para se estender a este tipo de público que, atualmente, muitas academias funcionam 24 horas por dia. A atividade física noturna, em geral, não prejudica o descanso e o sono.

Qual o melhor esporte?

Melhor esporte é aquele que dá prazer, aquele se faz por opção, embora sejam evidentes os benefícios que alguns deles tragam isoladamente. A caminhada por exemplo, alia o benefício físico a um processo de relaxamento, já que o próprio fato da pessoa se afastar de ambientes fechados, poder estar próxima a natureza, leva seu pensamento a se afastar do conteúdo rotineiro. "A caminhada virou moda justamente porque se dá fora dos circuitos fechados em que a maioria das pessoas vive o seu cotidiano", lembra a Profª. Regina Simões. "Quando ela caminha, acaba se distraindo, canalizando o pensamento para outras situações".

O mais importante, entretanto, é que o esporte seja encarado como prazer, não trazendo consigo a exigência de você ter que produzir, ter uma resposta a ser dada a outros. " Ele pode e deve ser apenas, para a maioria das pessoas, um compromisso com a sua vida", acrescenta ela que ressalta, ainda, a dimensão profilática do esporte, que visa a prevenção de degenerações orgânicas e não um processo de reabilitação.

Apesar disto, ela admite que há algumas orientações quanto aos esportes que devam ser escolhidos, conforme a faixa etária. Para crianças, que se caracterizam pelo movimento - "o que elas mais gostam na escola, é sempre o recreio, onde podem se expandir"- o importante é proporcionar uma variedade de atividades corporais, para que elas possam escolher, quando adultas, o esporte de sua preferência. No Brasil, entretanto, isto é pouco observado, com esportivização precoce, quando criança é direcionada a apenas uma prática, o que reduz, inclusive, o seu desenvolvimento motor. "O importante é que, na fase até os 10 anos, o esporte mantenha sua dimensão lúdica", enfatiza Eline Porto.

Já na adolescência, entre os 10 e 17 anos, o aprendizado do esporte deve ser mais sistematizado, incluindo a observância de regras. No adulto, vale mesmo o que a pessoa puder desenvolver com maior satisfação. E para aqueles que se encontram na Terceira Idade, o importante é movimentar-se de maneira sistemática, inclusive para se evitar o atrofiamento muscular.

Fonte

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