Epifisiólise


EpifisióliseA Doença de Legg-Calve-Perthes tem causa desconhecida, acomete mais o sexo masculino, apresenta-se na idade de 4 a 9 anos, conhecida também como enfermidade de Perthes. Sua característica é a morte ( necrose ou infarto) da cabeça femoral.


A doença é uma afecção patológica do quadril imaturo causada por necrose da epífise óssea da cabeça femoral. A causa da necrose total ou parcial da epífise óssea da cabeça femoral imatura permanece obscura, as causas possíveis propostas incluem desequilíbrio endócrino, trauma, inflamação, nutrição inadequada e fatores genéticos. A teoria mais popular é a deficiência da irrigação arterial da epífise, com múltiplos episódios de infarto.


Doença de Legg-Calve-Perthes

Morte da cabeça femoral, onde a circulação da cabeça do fêmur, os vasos nutridores e periósteo do corpo femoral estendem-se até a altura da região trocanteriana e a parte inferior do colo, mas não contribuem para a irrigação da cabeça do osso.

A cabeça femoral tem a sua irrigação de duas fontes: Os Vasos Capsulares e os Vasos do Ligamento Redondo.

Os vasos da cápsula penetram no osso através de orifícios situados ao nível da inserção capsular, complementando o seu curso no interior do osso, ou percorrem a superfície do colo no ligamento que se reflete, da face profunda da cápsula e finalmente penetram no osso, na região sub-capsular estes vasos suprem a parte superior do colo do fêmur e grande parte da cabeça femoral.

Os Vasos do Ligamento Redondo são bem definidos nas crianças e, habitualmente permanecem nítidas, durante a idade adulta eles nutrem uma área óssea e cartilaginosa, podendo ser rompidos por ocasião de uma uma luxação traumática do quadril ou ainda podem ser usados por movimentos de rotação forçada ou manipulação da articulação as quais distendem o ligamento redondo sobre a borda do acetábulo. A cabeça do fêmur é irrigada por vasos que provem da cápsula. Se estes forem lesados por uma luxação traumática, por uma fratura alta do colo, ou por um deslocamento epifisário sobreviverá a necrose. 

Nas crianças esta complicação pode ser reconhecida nas primeiras semanas, pela densidade relativa da epífise femoral superior, a qual não sofre descalcificação por desuso . As alterações subseqüente são as que observam de um modo característico na Doença de Perthes. A proporção que se instala a revascularização e aparecem ilhotas de descalcificação a epífise adquire uma aparência de fragmentação. Só se permite a marcha, osso muito frágil despedaça-se a cabeça do fêmur.


DOENÇA DE LEGG-CALVÉ-PERTHES 

CLASSIFICAÇÃO DE CATTERALL 

* Grupo I - O envolvimento limita-se à parte anterior da epífise, não ocorre colapso, há absorção completa do segmento sem a formação de seqüestro e o pilar lateral está intacto. O resultado final é uma completa regeneração com pouca ou nenhuma deformidade.


* Grupo II - O envolvimento da epífise vai além de sua porção anterior, há colapso e formação de seqüestro, mas a altura epifisária está mantida, normalmente aparece o sinal de Gage e o pilar lateral está intacto.



* Grupo III - Neste grupo apenas uma pequena parte posterior da epífise não está envolvida, há formação de seqüestro central colapsado. Há perda do suporte do pilar lateral.



* Grupo IV - O seqüestro é de toda epífise. Há colapso total com perda de altura, indicando achatamento da cabeça e há comprometimento do pilar lateral.


CLASSIFICAÇÃO DE SALTER-THOMPSOM 

* Grupo A - A coluna lateral da epífise mostra-se preservada na radiografia em AP. No perfil, a fratura subcondral estende-se no máximo até a metade superior da epífise. 

* Grupo B - A coluna lateral da epífise mostra-se comprometida na radiografia em AP. No perfil, a fratura subcondral estende-se além da metade da epífise. 


CLASSIFICAÇÃO DE WALDENSTRÖM 

* Estágio de sinovite - demora de 1 a 3 semanas. O líquido articular está aumentado. 

* Estágio de necrose - A arquitetura óssea permanece normal, mas há aumento da densidade epifisária (área de necrose) e osteopenia metafisária. Dura de 6 meses a 1 ano. 

* Estágio de fragmentação - O osso necrosado é reabsorvido e substituido por osso viável. A epífise (área de necrose) ganha uma aparência radiográfica multifragmentada. Demora de 2 a 3 anos. 

* Estágio de seqüela - Neste estágio o osso trabecular normal substitui o osso reabsorvido (área rarefeita) na zona de necrose. 



DISPLASIA DO DESENVOLVIMENTO DO QUADRIL

CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA 

* Luxação congênita do quadril - O quadril apresenta-se luxado. 

* Subluxação congênita do quadril - O quadril apresenta-se subluxado. 

* Instabilidade congênita do quadril - O quadril apresenta-se reduzido, porém luxável. 

* Displasia congênita do quadril - O quadril apresenta-se reduzido, porém apresenta alterações cápsulo-ligamentares e acetabulares que predispõem à luxação. 



CLASSIFICAÇÃO DE TÖNNIS 

* Grau I - Displasia do quadril com subluxação moderada. 

* Grau II - O centro de ossificação da cabeça femoral está luxado lateralmente, mas permanece inferior à borda superolateral do verdadeiro acetábulo. 

* Grau III - O centro de ossificação da cabeça femoral está luxado e apresenta-se ao nível da borda superolateral do verdadeiro acetábulo. 

* Grau IV - O centro de ossificação está superior ao nível do bordo superolateral do verdadeiro acetábulo. 


EPIFISIÓLISE FEMORAL PROXIMAL


CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA 

* Epifisiólise aguda - A criança apresenta-se com quadro radiológico positivo. A instalação é súbita, geralmente associada a episódio de queda ou trauma e há dor importante no quadril, cuja sintomatologia tem menos de três semanas de duração. 

* Epifisiólise crônica - A criança apresenta-se com quadro radiológico positivo, inclusive já exibindo certo grau de remodelação do colo femoral. Os sintomas têm mais de três semanas de duração, são moderados e usualmente associados a claudicação. 

* Epifisiólise crônica agudizada - A criança apresenta-se com quadro radiológico positivo, inclusive mostrando mudanças no colo femoral que sugerem cronicidade. Os sintomas de dor moderada e claudicação têm duração maior que três semanas, contudo há um episódio agudo (trauma) de duração inferior que agrava sensivelmente os sintomas. 

* Pré-epifisiólise - Radiologicamente há mudanças na fise e na metáfise (alargamento da fise, osteoporose, cistos metafisários, etc) contudo não há escorregamento epifisário. Os sintomas podem variar de discreta fraqueza no quadril e coxa, até dor. Deve-se procurar esta categoria especialmente em crianças com escorregamento contralateral ou sindrômicas. 

* Epifisiólise traumática - É ocasionada por trauma de alta energia, não precedido de sintomas e cuja radiologia não evidencia sinais de cronicidade. Trata-se da fratura tipo I de Salter-Harris ( deve ser desconsiderada no estudo da epifisiólise verdadeira). 


CLASSIFICAÇÃO RADIOLÓGICA 

* Grau 0 - Pré-escorregamento. 

* Grau I - Escorregamento inferior a 1/3 da epífise femoral em relação ao colo na radiografia em AP. 

* Grau II - Escorregamento inferior a 1/2 da epífise femoral em relação ao colo na radiografia m AP. 

* Grau III - Escorregamento superior a 1/2 da epífise femoral em relação ao colo na radiografia em AP. 


CLASSIFICAÇÃO DE SOUTHWICK 

* Epifisiólise leve - A diferença no ângulo cabeça-diáfise é menor que 30º. 

* Epifisiólise moderada - A diferença no ângulo cabeça-diáfise está entre 30 e 50º. 

* Epifisiólise grave - A diferença no ângulo cabeça-diáfise é maior que 50º. 



TRATAMENTO:

No tratamento o objetivo é manter a cabeça femoral esférica e dentro do acetábulo até o término da fase de cicatrização, preservando os movimentos. O tratamento essencial deve proteger a cabeça necrosada contra a compressão até que a revascularização e a renegeração sejam completas. O apoio precoce do peso é o pior tratamento, por que fratura o osso. O sub-condral rompe a superfície articular. Um aparelho em espica não apresenta valor particular e permiti que o doente ande com ele, deixará de Ter qualquer valor, mesmo a tala bifurcada ambulatória é ineficaz. O paciente precisa ser mantido no leito e o membro deve ser tracionado. A tração deve ser contínuo até que a revascularização seja completa e habitualmente prolonga-se de 18 meses a 2 anos. Durante os 1ºs meses enquanto a articulação está irritada e há espasmo muscular e tendência a deformação por flexão e adução, o quadril é também imobilizado em abdução . Nos primeiros 12 ou 18 meses, continua-se com a tração por meio de extensão com pesos, ligando o membro aos pés da cama levantando estes e encorajando os movimentos ativos do quadril. Quando o osso aparentemente denso , passa da fase de fragmentação à calcificação completamente uniforme abandona-se a tração . Nos próximos meses o paciente fará exercícios cada vez mais enérgicos, mas sem se apoiar sobre a perna e aumentando progressivamente a duração dos mesmos. Finalmente após 2 anos permite-se que o paciente se apóie sobre o membro sem proteção.



TRATAMENTO CONSERVADOR OU CIRÚRGICO

Conservador:

* Uso de Muletas
* Fisioterapia
* Aparelho de Abdução Articulado
* Medicamentos
* Repouso

obs.:Depende do tratamento indicado. Para crianças sob observação devem ser evitados atividades e exercícios de impacto nos quadris (saltar, correr). Elas devem levar uma vida escolar normal e participar em todas as outras atividades que não impliquem em suportar pesos excessivos.


Cirúrgico:

* Abaixamento do Teto Acetabular
* Osteotomias Varizantes Ou Valgizantes


Qual a evolução a longo prazo?

Depende da extensão é do envolvimento da cabeça femoral (quanto menor, o prognóstico é melhor) como também da idade da criança (o prognóstico é melhor se mais jovem que 6 anos). A duração do processo, da fragmentação à regeneração leva entre 12 e 18 meses. Em geral, o prognóstico a longo prazo é bom na maioria dos casos.

Depende do tratamento indicado. Para crianças sob observação devem ser evitados atividades e exercícios de impacto nos quadris (saltar, correr). Elas devem levar uma vida escolar normal e participar em todas as outras atividades que não impliquem em suportar pesos excessivos.


CONCLUSÃO:

Necrose asséptica da cabeça femoral é uma doença de degeneração do quadril onde a porção arredondada do maior osso da perna perde parte da sua irrigação sangüínea e morre. As deformidades na função articular pode ser causado por uma história prévia de trauma ou não é válido lembrar que esse tipo de Doença de Perthes existem vários tipos de alternativas para retardar como o uso de antiinflamatórios, fisioterapia e bengalas, até chegar ao ponto de cirurgia. 

Os resultados depois de uma cirurgia é satisfatória , fazendo com que o paciente consiga voltar a ter uma capacidade ativa de viver.

Neurologia Infantil


Poucos órgãos humanos são tão complexos e ao mesmo tempo tão delicados quanto o cérebro. Fascinante, é o centro processador das emoções, do pensamento, da maneira como cada um encara e responde ao mundo à sua volta. É por isso mesmo que, cada vez mais, a ciência se dedica a desvendá-lo. Essa empreitada envolve o desejo de esmiuçar o desenvolvimento cerebral desde os primeiros dias de vida intra-uterina. A partir da terceira semana de gestação, o cérebro já começa a ser formado, num processo de aprimoramento que permitirá o aprendizado até o final da vida.

As descobertas feitas até agora sobre o ritmo dessa viagem de crescimento e amadurecimento são fantásticas. De acordo com o neurologista infantil Mauro Muszkat, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 50% do desenvolvimento cerebral se dá até o primeiro ano de vida. “Por isso, os problemas que ocorrem com a gestante podem ter uma repercussão muito grande na formação do cérebro do feto”, explica. Os problemas a que o especialista se refere são principalmente o uso de drogas e de álcool, a desnutrição materna severa e a exposição à radiação. “Mães alcoólatras podem ter filhos com malformações cerebrais e faciais. Não sabemos qual é a quantidade de álcool capaz de afetar o embrião, nem o que significa abuso. É por essa razão que a Sociedade Americana de Pediatria recomenda que a gestante não tome bebidas alcoólicas durante a gravidez”, esclarece Luiz Celso Vilanova, chefe do setor de neurologia infantil da Unifesp. O cigarro não causa malformação. No entanto, filhos de fumantes costumam nascer com baixo peso, característica que deixa a criança mais suscetível a lesões cerebrais no momento do parto e implica menor resistência a infecções. O stress materno também parece ter impacto no desenvolvimento mental do bebê, conforme conclusão de pesquisadores do Centro Médico Universitário Utrecht, na Holanda. Os cientistas afirmam ser provável que os hormônios liberados pela mãe em situações de stress entrem na circulação do feto e prejudiquem o desenvolvimento cerebral.

Cronologia – O que também já se sabe é que a formação do cérebro segue um programa biológico, geneticamente determinado e que obedece a uma cronologia bastante precisa. Por isso, ainda dentro do ventre da mãe, o bebê já possui algumas capacidades. “Não temos condições de saber o que ele percebe dentro do útero. É certo que escuta os sons do organismo da mãe, como o sangue fluindo pelas veias, a respiração, a movimentação dos intestinos”, explica José Luiz Gherpelli, integrante da Associação Brasileira de Pediatria e especialista em neurologia infantil. O médico confirma ainda que, dentro do útero, os bebês sugam, deglutem, soluçam e fazem os movimentos respiratórios. O resultado desse mecanismo perfeito é que, quando o bebê vem ao mundo, já está habilitado para muitas coisas, embora não pareça. “A criança nasce com capacidade de ver, ouvir e de sentir cheiros e gostos”, diz o especialista.

E os mesmos processos pelos quais se dá a formação do órgão antes do nascimento produzem uma explosão de aprendizado logo depois do parto. Ao nascer, o cérebro de um bebê tem cerca de 100 bilhões de neurônios (células nervosas). O tronco cerebral, região que controla as funções vitais, como os batimentos cardíacos, já funciona perfeitamente. Além da pulsação e da respiração, o bebê consegue sugar, se assusta e reage aos sons e à luz. A partir do segundo mês de vida pós-natal, cada vez mais o cérebro vai ativando áreas responsáveis pela percepção sensorial do mundo. Ou seja, a criança começa a reagir de maneira mais instintiva aos estímulos visuais, por exemplo, acompanhando objetos coloridos. “A audição também começa a se desenvolver de forma mais ativa, tanto que a criança passa a ter reações diferentes aos sons, até o reconhecimento da voz do pai ou da mãe”

fonte: Revista Istoé especial bebês

Inicio da Atividade Física


Se você faz parte do grupo que quer inaugurar uma nova etapa de vida e resolveu praticar uma atividade física, parabéns! Além de eliminar as gordurinhas, exercitar-se faz muito bem para o corpo e proporciona um enorme bem-estar. Mas não pense que o primeiro passo é fazer a matrícula em uma academia. Antes é preciso passar por um check-up, para saber como está o seu coração.

"Hoje vemos mais gente nas academias, parques e ruas praticando uma atividade física", afirma Costantino Costantini, médico cardiologista e diretor-geral da Clínica Cardiológyca Costantini. Mas muita gente começa a fazer exercício sem antes ter passado por um check-up - uma série de exames cardiológicos e clínicos, o que pode ser tão perigoso quanto o sedentarismo. Os exames servem para traçar o perfil do metabolismo, mostrando os níveis de colesterol, glicose e pressão arterial. Além disso, um teste de esforço identifica a capacidade física e permite checar problemas cardiovasculares.

"O check-up é uma segurança para quem vai praticar uma atividade", orienta Luciene Ferreira Azevedo, Professora e Fisiologista do Exercício da Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração - InCor. "Algumas pessoas apresentam fatores de risco que podem desencadear uma doença cardíaca e muitas vezes nem sabem", completa.

Os principais fatores de risco são:

Antecedentes familiares de doenças cardíacas;
Colesterol elevado;
Diabetes;
Estresse;
Hipertensão Arterial;
Obesidade;
Sedentarismo;
Tabagismo (Fumo).
A atividade física ajuda a diminuir os fatores de risco, pois melhora o desempenho cardiovascular, regula a pressão arterial, dá mais disposição, já que o organismo libera uma substância chamada endorfina, responsável pela sensação de bem-estar. "A endorfina também ajuda no bom funcionamento do intestino, causando menos problemas digestivos", explica Costantini.

Exames que não podem faltar em um check-up

Teste de esforço ou ergométrico:

É feito na esteira, com o acompanhamento de um cardiologista e por meio de monitoração gráfica, que mostra como o coração se comporta frente ao esforço e pode diagnosticar problemas. "Com o auxílio de cargas (maior velocidade ou inclinação da esteira), identificamos respostas da freqüência cardíaca e da pressão arterial da pessoa ao esforço", explica Luciene. Durante 10 a 12 minutos, o paciente caminha e corre na esteira. Desde o momento de repouso até o aumento do cansaço, é possível verificar a freqüência cardíaca máxima e observar a resposta eletrocardiográfica.

Eletrocardiografia ou eletrocardiograma

Método gráfico pelo qual se obtém uma "fotografia" do coração. "Um eletrocardiograma nem sempre mostra o problema do paciente, pois ele está em repouso", avisa Costantini. Neste caso, é essencial o teste de esforço ergométrico.

Ecocardiografia:

Este exame permite visualizar as estruturas cardíacas (músculo e válvulas) por meio de ultra-som que mostra imagens precisas.

Exames de sangue:

Mostram as taxas de glicose no sangue, apontando a existência de diabetes, os níveis de gorduras, identificando as taxas de colesterol e triglicerídeos.

Também são bem-vindos testes da capacidade respiratória, por meio da espirometria, da força e flexibilidade muscular, que permitem identificar o aproveitamento de energia pelo organismo durante o exercício e também a capacidade aeróbica máxima. Os fumantes precisam ainda passar por uma avaliação pulmonar e tirar uma radiografia do tórax.

A freqüência ideal para se fazer um check-up é:

Após os 30 anos: uma vez a cada dois anos
Após os 40: anualmente
Após os 50: a cada seis meses
Grupo de risco, todas as idades: a cada seis meses

Enfisema: redução de pulmão como tratamento


Durante dois anos, o aposentado João Carlos Evangelista precisou da ajuda de medicamentos para respirar. Um enfisema pulmonar, provocado pelo tabagismo, afetou de tal forma a sua capacidade respiratória que bastavam quatro passos para que ele interrompesse uma caminhada. Aos 44 anos, sua expectativa de vida era reduzida, e nem mesmo trabalhar ele conseguia. Em 1999, uma pneumonia o levou ao serviço de urgência do Hospital Universitário, sendo internado na Unidade de Terapia Intensiva, de onde saiu depois de ter os dois pulmões reduzidos. João é um dos 26 pacientes que fizeram a cirurgia redutora do pulmão e controlaram o enfisema, retomando atividades cotidianas que, até então, pareciam distantes.
A experiência juiz-forana com esse tipo de procedimento será apresentada durante o Congresso Mineiro de Pneumologia, que começa amanhã, em Belo Horizonte. O diferencial da técnica utilizada pela equipe do médico Jorge Montessi, chefe do serviço de pneumologia e cirurgia torácica do Hospital Universitário, está basicamente no custo da cirurgia. O procedimento tradicional fica em torno de US$ 6 mil (cerca de R$ 15 mil), valor que foi reduzido em três vezes graças à substituição do grampeador mecânico por uma pinça fabricada artesanalmente por um torneiro mecânico da cidade. A pinça, além de baratear o procedimento, promove uma sutura eficaz do pulmão comprometido.
A cirurgia é oferecida tanto pelo SUS quanto pelos convênios, sendo realizada no Hospital Universitário, vinculado à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e no Hospital Monte Sinai. Começou a ser realizada na cidade em 1997, apenas três anos depois da experiência bem sucedida do professor Coope, no Canadá. No princípio, os pacientes eram submetidos à redução dos dois pulmões. O procedimento, no entanto, foi modificado depois que três pacientes, dos seis primeiros operados, morreram.
Segundo Jorge Montessi, a equipe decidiu fazer uma seleção mais criteriosa dos pacientes e reduzir primeiramente apenas o pulmão mais comprometido. Outros 19 pacientes foram operados desde então, não houve mortes, e apenas dois precisaram ser submetidos a uma nova operação.
No congresso também serão apresentadas as experiências dos serviços do Pavilhão Pereira Filho, de Porto Alegre (RS); do Incor, de São Paulo; e do Hospital Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A coordenação será dos cirurgiões torácicos de Belo Horizonte Nilson Figueiredo do Amaral e Sílvio Paulo Pereira. A mesa-redonda acontece no sábado, de 10h40 às 11h55, na sala Lívio Renault, da Associação Médica de Minas Gerais.
Cirurgia é apenas paliativo
O bancário S.F.N., 57 anos, morador em São Lourenço, no Sul de Minas, fumou dois maços de cigarro por dia, durante 35 anos. Na última sexta-feira, foi submetido à cirurgia, e a expectativa é de que tenha alta médica em 15 dias. O vício o levou ao enfisema, e, segundo o médico Jorge Montessi, esse é perfil dos pacientes operados até agora: fumaram durante muitos anos, e, mesmo em idade produtiva, estavam incapacitados para o trabalho. Depois da cirurgia, puderam retomar suas atividades domésticas e até mesmo profissionais. Entre os operados, três tinham mais de 70 anos, dois entre 60 e 70 anos, e os demais, entre 40 e 60 anos.
De acordo com Jorge Montessi, o primeiro pulmão a ser remodelado é sempre o que está em pior condição. O paciente operado passa por reabilitação, e, se alcançar 40% da capacidade respiratória, não precisa retornar ao centro cirúrgico. "Mesmo que o ganho funcional não seja tão intenso, a qualidade de vida melhora muito", diz o médico. Ele ressalta que pessoas normais, em repouso, utilizam cerca de 25% da capacidade de seus pulmões, o que demonstra que é possível viver bem com apenas 40% da capacidade total.
O enfisema pulmonar não tem cura, e a cirurgia é apenas uma solução paliativa. Mesmo assim, destaca Jorge Montessi, em pacientes mais jovens, permite que, no futuro, possam ser submetidos a um transplante de pulmão caso seja necessário. Sem o procedimento, não agüentariam a espera. No Brasil, esse tipo de transplante é feito apenas nos hospitais das universidades federal do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, e no Incor, de São Paulo.
Não há registro na literatura médica de realização de uma segunda remodelagem de pulmão. Segundo Jorge Montessi, nada impede, no entanto, que, no futuro, a equipe opte por esse procedimento. "Esse tipo de conduta vai depender das condições do paciente e da análise do caso", diz ele. A equipe encarregada do procedimento é multidisciplinar. Pneumologista, cirurgião torácico, fisioterapeuta, nutricionista e até mesmo um psicólogo acompanham o paciente, antes e depois do procedimento cirúrgico.

Hoje em Dia, 29/08/05

A influência da crioterapia na redução do edema, dor e trismo após a exodontia de terceiro molar: um estudo preliminar.

Laureano Filho JR, de Oliveira e Silva ED, Batista CI, Gouveia FM.

O edema, dor e trismo são conseqüências indesejáveis da extração do terceiro molar. Os autores conduziram um estudo a fim de avaliar a efetividade da crioterapia, a terapia do uso do frio, na redução das conseqüências indesejáveis após a cirurgia.
Métodos: Catorze pacientes com idade entre 20 e 28 anos fizeram parte da amostra. Os autores extraíram dois terceiros molares impactados mandibulares em tempos diferentes de cada paciente. Imediatamente após a cirurgia, o paciente submeteu-se à crioterapia em um lado por 30 minutos, a cada uma hora e meia, por 48 horas durante a vigília. O paciente não recebeu crioterapia no outro lado. Os autores fizeram avaliações clínicas para medir o trismo e o edema antes e imediatamente após a cirurgia, 24 e 48 horas após a cirurgia.
Resultados: Os autores compararam ambos os lados para avaliar as diferenças no edema, dor e trismo de cada paciente. Os resultados apresentaram diferenças estatisticamente significativas em dois dos cinco pontos avaliados que foram utilizados para medir o edema (teste dos sinais de Wilcoxon não paramétrico das distâncias lineares entre o ângulo da mandíbula ao pogônio e ao tragus). Eles encontraram diferenças estatísticas significativas entre os dois lados em relação à dor, contudo eles não encontraram diferenças em relação ao trismo. CONCLUSÕES: Apesar de não ter tido função na redução do trismo, a crioterapia foi efetiva na redução do edema e da dor nesta amostra, e os autores ainda recomendam seu uso.
Implicações Clínicas: A crioterapia é um auxiliar após a exodontia do terceiro molar. Mais estudos devem ser conduzidos com uma amostra maior de pacientes e outros tipos de terapia, como a terapia com laser de baixa intensidade.

Fonte: http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/17002

Manobras para confirmação de tendinite patelar