Lesões crônicas de tendões flexores na mão





O tratamento das lesões crônicas dos tendões musculares flexores da mão, ainda hoje, é um desafio pela grande freqüência de aderência do tendão muscular usado como enxerto. 

O conceito atual de tratamento deste tipo de lesão do tendão muscular é a reconstrução em dois estágios. O primeiro, onde se coloca um material sintético no trajeto do tendão objetivando a formação de um neo-túnel que possa receber o enxerto biológico que será utilizado em um segundo tempo da reconstrução. 

A utilização de implantes iniciou-se em 1936, em clássica experiência com tubos de celulóides, na qual observou-se a formação de uma pseudobainha, composta por células adaptadas em aceitar uma estrutura de deslizamento, no caso a estrutura de tendão. Esta técnica não obteve o sucesso esperado, pois sendo o material muito rígido, impedia a mobilização passiva das articulações, resultando em rigidez do dedo. Somente em 1963 é que se iniciou a utilização de espaçadores mais flexíveis, de material tipo silicone.

Outras propostas de tratamento em dois estágios incluíam a utilização de enxerto de tendão muscular, como o vascularizado, do flexor superficial do mesmo dedo, conforme trabalho em1969, que apesar de bastante interessante, desconsiderava a utilização do implante no primeiro tempo. Somente em 1971 foi que aprimoraram e detalharam a técnica de reconstrução tendínea em 2 estágios da forma como hoje conhecemos, incluindo relatos clínicos de alguns bons resultados. 

A citação reflete bem a importância do tema analisado "Os tendões musculares flexores fazem parte de um conjunto anátomo-fisiológico muito complexo da mão. São os principais elementos atuantes nos movimentos de preensão; preensão forte e vigorosa do operário que empunha a sua marreta, preensão delicada e sutil do desenhista que traça as linhas corretas de um perfil de um rosto ou de um hábil cirurgião que maneja o seu bisturi em movimentos rápidos e precisos. Se para o operário a invalidez de uma de suas mãos significa a perda de sua capacidade para o trabalho, para os outros representa toda uma gama de dificuldades a começar pelo seu relacionamento do dia a dia." 

Apesar de haver quase um consenso no que se refere à forma de reconstrução das lesões crônicas dos tendões musculares flexores, observamos uma diversidade muito grande em relação aos resultados obtidos, muitas vezes, pouco animadores, o que nos motivou a realização deste trabalho relatando nossa experiência. Baseado em nossos resultados propomos uma discussão sobre os eventuais fatores que contribuem para obtenção de um resultado mais satisfatório.

Retirado daqui



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