Lesões em pelve e quadril no esporte



As lesões no quadril, pelve e região inguinal são freqüentes no esporte, e acredita-se que a incidência dessas lesões seja superior à que é relatada na literatura. O diagnóstico é difícil, pois os sinais e sintomas clínicos são frequentemente incaracterísticos, além deste requerer um grande conhecimento da anatomia local e de suas patologias.

 

As lesões mais comuns nessa região são as contusões, lesões musculotendinosas (principalmente de adutores e ileopsoas), lesões na articulação sacro-ilíaca, bursites e osteíte púbica (conhecida também como pubalgia). Outras lesões que podem ocorrer no atleta, porém menos comuns,  são lesão do lábio do acetábulo (quadril) e fraturas por estresse ou por avulsão.

 

As disfunções na articulação sacro-ílíaca merecem destaque, por serem comuns nos ciclistas e corredores, e muitas vezes são a causa das dores lombares que acometem esses atletas. Essas disfunções ocorrem devido à alterações biomecânicas, traumas repetitivos indiretos ou trauma direto (como cair em pé sobre uma perna só).

 

Esta articulação é composta pelo sacro e por um dos ossos da pelve, o ilíaco. Quando o corpo está em movimento, ela também está em constante movimento, porém este é bem pequeno, já que esta é uma articulação bem estável. Além da capacidade de absorver o impacto, ela funciona como um suporte estrutural básico durante a postura de pé ou sentada. 

 

A dor decorrente da disfunção desta articulação pode ser bem localizada (bem acima dos glúteos, afastada da coluna cerca de 2 a 3 dedos) ou na região lombar. Tipicamente irradia para a região posterior da coxa (podendo ser confundida com a dor ciática), para a região do quadril e da virilha. É comumente confundida também com hérnia\protusão discal, distensão muscular, tendinites e bursites.

 

Muitas vezes, a lesão da sacro-ilíaca pode estar relacionada com algumas destas patologias citadas acima, pois a pelve, o quadril e a coluna lombar são interligados e não podem ser vistas como estruturas separadas, e sim como partes de um todo.

 

Seguem abaixo algumas situações em que o atleta pode sentir dor:

 

  • Durante a atividade, principalmente durante o impacto do pé no chão;
  • Dificuldade de cruzar as pernas – para colocar o tênis, por exemplo;
  • Sensação de ter uma perna mais curta do que a outra;
  • Dor e\ou estalido ao entrar e sair do carro, sentar e levantar da cadeira

 

O diagnóstico, como já foi dito, é difícil de ser feito. Muitas vezes o atleta já passou por vários médicos, obteve vários diagnósticos diferentes, sem de fato descobrir a origem de sua dor, que pode chegar a ser até incapacitante.

 

Além do Raio-X, Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada, pode ser necessário a injeção de anestésico e antiinflamatório na articulação. Apesar de invasivo, este é o método que apresenta diagnóstico mais preciso. Se após a injeção, os sintomas do atleta diminuírem significativamente ou até desaparecerem, está comprovado que a dor realmente se origina de uma disfunção da sacro-ílíaca.

 

O tratamento conservador (não-cirúrgico) apresenta ótimos resultados, e consiste principalmente em:

 

  • Treinamento da estabilidade da pelve, do quadril e do tronco;
  • Ênfase no fortalecimento da musculatura interna do abdome (transverso), períneo e glúteo;
  • Correção dos desequilíbrios musculares existentes;
  • Técnicas de mobilização e manipulação articular (que devem ser realizadas por osteopatas ou terapeutas manuais);
  • Correção (quando possível) das alterações biomecânicas do atleta e da técnica esportiva 

Por Silvia Guedes – Fisioterapeuta formada pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais / Especialista em Fisioterapia Esportiva pela PUC-MG e pós-graduanda em Osteopatia pela Escola Brasileira de Osteopatia



O que é terapia ortomolecular?


O que é a Dieta ou Terapia Ortomolecular?

O termo ORTOMOLECULAR vem do grego ORTHOS que significa normal, direito, correto, e a denominação Medicina Ortomolecular foi proposta por LINUS PAULING, (Prêmio Nobel de Química em 1954 e da Paz em 1962), conhecido mundialmente por seus trabalhos e pela ênfase com que recomenda o uso diário de vitaminas (principalmente a vitamina C) e minerais.

O objetivo da Terapia (Medicina) Ortomolecular é compreender as inter-relações que ocorrem ao nível bioquímico do organismo e assim poder atuar em conformidade com esses próprios mecanismos, harmonizando de maneira global a bioquímica de células, órgãos e sistemas. O reequilíbrio é feito por meio da correção dos mecanismos moleculares fisiológicos (normais), suprindo o organismo com os elementos adequados para essa reordenação, cabendo o papel principal às vitaminas e aos minerais.

Segundo os conceitos da terapia, reeducação alimentar não é suficiente, pois nem sempre o paciente consegue absorver todas as substâncias presentes nos alimentos. "Existem pessoas que não conseguem absorver o cálcio do leite e do queijo, por exemplo. Nesses casos, é preciso buscar outra fonte da substância", acredita o médico Dr. Marcos Natividade, membro da Sociedade Brasileira de Medicina Biomolecular e Radicais Livres.

Histórico

A Terapia ortomolecular data do início da década de 1950 quando alguns psiquiatras começaram a adicionar doses altas de nutrientes aos seus tratamentos de problemas mentais graves. A substância original era a vitamina B3 (ácido nicotínico ou nicotinamida) e a terapia era denominada "terapia de megavitamina". Mais tarde o regime do tratamento foi expandido para incluir outras vitaminas, minerais, hormônios e dietas, qualquer uma delas pode ser combinada com a terapia medicamentosa convencional e com os tratamentos de eletrochoque. Atualmente cerca de uma centena de médicos norte-americanos usam esta abordagem para tratar uma variedade de distúrbios, tanto mentais como físico

Em que se baseia?

Uma das bases da Terapia Ortomolecular é o combate aos radicais livres (RL), que são quaisquer átomos, moléculas ou íons que possuam um ou mais elétrons livres na sua órbita externa. Estes elétrons têm grande instabilidade química e, mesmo tendo meia vida de frações de segundos, são altamente reativos com qualquer composto próximo, a fim de retirar deste o elétron necessário para sua estabilização, produzindo reações de dano celular em cadeia, e sendo assim chamado de oxidantes.

Embora existam os RL de íons metálicos e de carbono, os principais são os de OXIGÊNIO.

Podemos entender a formação de Radicais Livres pelo nosso organismo em condições normais, pois são necessários no processo de respiração celular que ocorre nas mitocôndrias, a fim de gerar o ATP. Estes também podem ser produzidos pelos macrófagos e neutrófilos contra bactérias e fungos invasores do nosso organismo.

O efeito prejudicial dos RL ocorre quando estão em quantidade excessiva, ultrapassando a capacidade de neutralização dos sistemas enzimáticos do organismo.

Como são neutralizados os RL?

Existem dois sistemas naturais de eliminação de Radicais Livres, que são os chamados "Varredores" (scavengers) de RL, que atuam eliminando-os ou então impedindo sua transformação em produtos mais tóxicos. Esses sistemas podem ser divididos em Enzimáticos e em Não Enzimáticos.

Os sistemas enzimáticos são compostos pelas seguintes enzimas: Glutation-Peroxidase, Catalase, Metionina-Redutase e Superóxido-Dismutase, os quais combatem os seguintes RL: Peróxido de Hidrogênio, Superóxido, Oxigênio Singlet, Ion Hidroxila, Oxido Nítrico e Oxido Nitroso.

Os Antioxidantes Não Enzimáticos, em sua maioria são exógenos, ou seja, necessitam ser absorvidos pela alimentação diária, ou como complementos nutricionais. Os principais podem ser divididos em: Vitamina A, Vitamina E, Beta-caroteno, Vitamina C, Vitaminas do complexo B, os oligoelementos (Zinco, Cobre, Selênio, Magnésio), os bioflavonóides (derivados de plantas).

Terapia Ortomolecular

Investigar deficiências nutricionais do organismo, assim como detectar a presença de metais tóxicos no corpo (que podem ser a causa de determinadas doenças), é o início da terapia ortomolecular. Isto pode ser feito através do Teste do Cabelo (também chamado Mineralograma), que além disso, identifica se há excesso ou carência dos oligoelementos (minerais).

A dosagem de RL pode ser feita por meio de métodos baseados na espectometria de ressonância eletrônica de "spin" e ressonância paramagnética eletrônica, dosagem de MDA (malondialdeído), e métodos indiretos como o HLB, pelo qual numa gota de sangue verifica-se, com auxílio de um microscópio o efeito dos radicais livres na matriz extracelular (agregados proteoglicanos, colágeno, elastina, fibrina), fragmentando-a e produzindo lacunas que serão maiores quanto maior for a quantidade de RL presente.

Os benefícios atribuídos à terapia pelos médicos e adeptos incluem a perda de peso, melhora da pele, dos cabelos e das unhas e ainda as vantagens com relação às dietas de caráter restritivo, que geralmente causam sensações de fome, fraqueza ou irritabilidade. Isso porque muitas vezes associa-se o uso de remédios fitoterápicos na receita. Há fórmulas para aumentar a saciedade ou diminuir o desejo por tipos de alimentos. "O composto garcínia, por exemplo, ajuda a reduzir a compulsão por doces", garante a médica Sylvana Braga, de São Paulo, que emprega o tratamento.

Como a dieta ortomolecular atua no organismo? (Segundo os médicos que a adotam)

A pele fica viçosa, cabelo e unhas mais fortes. O benefício é atribuído às vitaminas A,E e do complexo B.

Ajuda a prevenir problemas cardíacos ao restringir a ingestão de carne vermelha, rica em gorduras saturadas e também ao restringir frituras, que aumentam o nível de colesterol sanguíneo.

O intestino funciona melhor porque a dieta é rica em cereais integrais, frutas e fibras.

Promove perda de peso devido às refeições pouco calóricas, mas ricas em nutrientes essenciais para o organismo.

Promove diminuição do cansaço e do estresse por meio da reposição de vitaminas, minerais e aminoácidos.

Combate o envelhecimento precoce devido ao consumo de alimentos ricos em antioxidantes, substâncias que atuam contra a degeneração celular.

Alivia a retenção de líquidos ao equilibrar a quantidade de potássio, fósforo e sódio com refeições balanceadas e o consumo de pílulas contendo esses minerais.

A dieta ortomolecular não é milagrosa

Como em qualquer dieta, é preciso disciplina e dedicação. "Os resultados são muito bons, mas dependem muito da pessoa. Não é um tratamento milagroso, o paciente ideal é aquele que já se alimenta adequadamente, pratica exercícios físicos, mas não consegue emagrecer", acredita Dr. Marcos Natividade.

A perda de peso acontece graças à reeducação alimentar e ao equilíbrio nutricional promovido pelos suplementos. "Esse equilíbrio soluciona problemas como estresse, retenção de líquido, TPM e depressão, que muitas vezes são a causa do excesso de peso", diz o especialista.

Os médicos que empregam a dieta dizem que o tempo de tratamento nos casos de emagrecimento varia conforme o estado físico do paciente, mas em casos de pessoas não-obesas, três a quatro meses são suficientes para uma boa perda de peso.

O ponto central da terapia ortomolecular é a busca pelo bem-estar, pela prevenção de doenças. "A função da ortomolecular não é a de combater doenças, mas sim de fortalecer o organismo, para que ele tenha melhores condições de reagir contra males que o acometem. Desta forma, colabora para a melhora dos mais diversos problemas como diabetes, depressão, obesidade, falta de memória, câncer, intoxicações, doenças reumáticas e cardiovasculares", afirma Dr. Marcos Natividade.

Críticas à Medicina Ortomolecular

A medicina ortomolecular não é reconhecida como especialidade. A resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) 1.499/98, proíbe aos médicos a utilização de práticas terapêuticas não reconhecidas pela comunidade científica, bem como a vinculação de médicos a anúncios referentes a tais métodos e práticas.

Em reportagem publicada, dia 22 de outubro de 2004, no jornal Diário de São Paulo, o colunista Prof. Dr. Joel Rennó Júnior (Doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenador do Pró-Mulher-Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP) faz severas críticas à prática da Medicina Ortomolecular:

"Essa dieta não apresenta nada de novo. Os profissionais recomendam reeducação alimentar, ou seja, comer várias vezes ao dia porções pequenas e pouco calóricas, dando-se preferência a verduras, legumes, frutas e carnes brancas, além dos cereais integrais. Outras interessantes e "inéditas" informações referem-se à restrição de doces, carne vermelha e frituras, além das atividades físicas. Alguma novidade, caros leitores?

Supondo haver uma ingestão insuficiente de vitaminas, sais minerais e proteínas, os ortomoleculares lançam fórmulas com tais complexos, sugerindo que as células precisam de mais energia para o perfeito funcionamento do organismo. Alegam que tal método aumenta a qualidade de vida. Será que pessoas jovens, com alimentação saudável, realmente necessitam de tais complementações?

Esses médicos do regime ortomolecular, observando que grande parte dos seus pacientes obesos são ansiosos ou deprimidos, lançam mão de fórmulas "mágicas" contendo, provavelmente, antidepressivos e ansiolíticos — de forma aleatória —, e alguns, infelizmente, até sem avisar seus pacientes sobre tais recursos terapêuticos. Outros, justificando-se pela necessidade de aderência terapêutica, ainda mantêm os velhos inibidores de apetite no início do tratamento.

Outro fato relevante é que tal método, além de dispendioso, pelo valor das consultas e fórmulas, não possui qualquer comprovação científica. Reitero, aqui, a minha opinião: o Conselho Federal de Medicina deveria exigir maiores explicações de tais profissionais, alguns, infelizmente, beirando o charlatanismo e um marketing grotesco. É ético divulgar tratamentos médicos com exposição pública de pacientes?

Hoje, quando a beleza é perseguida, de forma incessante e até obsessiva, tal dieta tem o único benefício de engordar o bolso de certos ortomoleculares "diet". Sai mais barato buscar uma orientação com um nutrólogo ou nutricionista e investir na mudança de hábitos de vida, como a prática regular de exercícios. A parte psicológica, tão importante em obesos, também é negligenciada por ortomoleculares especializados em dietas.

Fonte: www.enut.ufop.br

Medicina Ortomolecular

Medicina Ortomolecular é o ramo da ciência cujo objetivo primordial é restabelecer o equilíbrio químico do organismo. Este acerto (orto=certo) das moléculas se dá através do uso de substâncias e elementos naturais, sejam vitaminas, minerais, e/ou aminoácidos.

Estes elementos,além de proporcionarem um reequilíbrio bioquímico, combatem os radicais livres. Mas por que o organismo se desequilibra?

Para entendermos como isto se dá, podemos partir de uma analogia. O organismo é uma máquina que está permanentemente se produzindo. Durante este processo de produção podem surgir falhas, seja na chegada de matéria-prima (vitaminas, minerais, etc.), seja na própria integração de todo e qualquer sistema que compõe a máquina.

Estes sistemas devem trabalhar de forma harmoniosa, como uma engrenagem. Estas engrenagens são os sistemas: NEUROENDÓCRINO, PSÍQUICO E IMUNE.

Qualquer falha em algum ponto ou mecanismo desta máquina (ser humano) compromete toda a produção (vida), surgindo os defeitos (doença). Por exemplo: uma pessoa deprimida tem mais chances de apresentar infecções recorrentes, já que uma falha no sistema psíquico leva conseqüentemente a alterações no sistema imune.

Outro fator importante na gênese de várias enfermidades, como artrite e câncer, é a formação de radicais livres. Podemos entendê-los da seguinte forma: o organismo utiliza cerca de 98 a 99% do oxigênio que consumimos para produzir energia. A pequena parcela que sobra (1 a 2%) não participa do processo, formando as espécies tóxicas reativas do oxigênio - os radicais livres. Estes correspondem a átomos ou grupos de átomos com um elétron não emparelhado em sua órbita mais externa, sendo, portanto, muito reativos pois para recuperar o equilíbrio precisam 'doar' o elétron desemparelhado.

Desta forma, combinam avidamente com as várias estruturas celulares do corpo, o que resulta em destruição e, conseqüentemente, em enfermidades. Entre estas podem ser citadas o câncer, osteoartrite, lúpus, enfisema e doenças cardio vasculares.

O Homem está sendo permanentemente submetido a condições que levam ao excesso de radicais livres como, por exemplo, o estresse, o fumo, a poluição, exposições prolongadas ao sol, entre outras.

A Medicina Ortomolecular, através do uso de vitaminas e minerais, objetiva, entre outros, neutralizar os efeitos tóxicos destas espécies reativas, proporcionando uma melhor qualidade de vida. A Medicina Ortomolecular também trata das deficiências de uma série de nutrientes. Sabe-se, por exemplo, que um fumante gasta 25 mg de vitamina C a cada cigarro que consome. Caso esta pessoa fume um maço por dia, estará perdendo 500 mg desta vitamina diariamente.

E, hoje em dia, sabemos os inúmeros benefícios que esta vitamina proporciona, seja no combate a radicais livres, na síntese de hormônios, ou mesmo estimulando o sistema imunológico. Todavia, apesar da medicina ortomolecular ter um sentido curativo, ela também é eminentemente preventiva.

Assim, p. ex.,é possível tratar uma pessoa com estresse antes que ele evolua para uma hipertensão arterial. Da mesma forma, é possível tratar obesidade antes que ela ocasione diabetes.

O mais importante é que com a Medicina Ortomolecular o paciente volta a ser encarado como um todo, um conjunto que deve funcionar em harmonia. Com esta visão global, qualquer tratamento torna-se muito mais vantajoso, pois encontra a origem dos problemas, a verdadeira raiz a partir da qual todo o processo patológico se desenvolve.

Ou ,ainda, voltando à analogia, se encontrarmos o defeito exatamente onde ele origina-se na máquina, é muito mais fácil consertá-la antes que o problema atinja toda a produção, que nada mais é do que a própria vida.

Fonte: www.highway.com.br

Medicina ortomolecular

O termo ortomolecular provém de duas palavras gregas, orto (equilíbrio) e molecular (das moléculas). A Medicina Ortomolecular tem como objetivo básico compreender as interrelações bioquímicas que ocorrem em nosso organismo e, a partir desse conhecimento, atuar para manter o equilíbrio das moléculas e, de maneira mais global, das células, órgãos e sistemas que o compõem. Linus Pauling, já em 1960, considerava que se pode falar em saúde quando as moléculas de nosso organismo estão em constante equilíbrio. Quando esse equilíbrio é rompido, acarretando uma desorganização molecular, adquirimos as doenças.

A Medicina Ortomolecular está estritamente relacionada ao conceito de radicais livres, sendo o oxigênio, um dos componentes do ar que respiramos, a principal fonte para a sua formação. Os radicais livres acarretam enormes desvantagens para o organismo quando sua produção é aumentada a ponto de superar a capacidade antioxidante natural do próprio organismo. Nessas condições, adversas para o corpo humano, podem ocorrer situações degenerativas crônicas para os tecidos orgânicos.

É importante entender que, para fazer uso dos conceitos da Medicina Ortomolecular, é necessário e obrigatório ao médico um vasto conhecimento da Clínica Médica tradicional, com amplos conhecimentos de Farmacologia, para que possa apreciar as diferenças que existem entre o tratamento convencional e a terapia ortomolecular havendo, algumas vezes, necessidade de associá-las para o bom êxito do tratamento.

Dentro dos conceitos de terapia ortomolecular, o equilíbrio metabólico é feito pela correções dos mecanismos moleculares fisiológicos, suprindo-se o organismo com elementos adequados para uma reordenação bioquímica, tendo papel principal as vitaminas, os minerais, os aminoácidos, os ácidos graxos essenciais e, quando necessários, alguns hormônios.

Esses mesmos elementos, empregados no tratamento de várias doenças, são considerados medicamentos ortomoleculares por serem substâncias que participam obrigatoriamente do organismo humano sendo, portanto, oferecidos como matéria prima que o organismo utiliza para suas necessidades básicas.

O médico que pratica essa terapêutica (que deve ser feita de forma direcionada, através da análise mineralógica dos cabelos e exames complementares laboratoriais e/ou radiológicos) está, certamente, contribuindo para evitar a produção excessiva de radicais livres, diminuindo o consumo abusivo de medicamentos tóxicos para o ser humano (antibióticos, corticóides, etc) e, com isso, fazendo a prevenção das doenças degenerativas crônicas, o que certamente irá proporcionar mais saúde e um envelhecer com melhor qualidade.

Fonte: www.planetanatural.com.br

A FLEXIBILIDADE NO TREINAMENTO DO ATLETA DE ALTO RENDIMENTO



INTRODUÇÃO

A Flexibilidade foi definida por Holland (1986), citado por ALTER (1988, p. 3) como a qualidade física responsável pela "...amplitude de movimento disponível em uma articulação ou conjunto de articulações.". Esta definição poderia ser complementada e enunciada como: "Qualidade física responsável pela execução voluntária de um movimento de amplitude angular máxima, por uma articulação ou conjunto de articulações, dentro dos limites morfológicos, sem o risco de provocar lesão." (DANTAS, 1995, p. 33).

Falar em flexibilidade é portanto, se referir aos maiores arcos de movimentos possíveis nas articulações envolvidas. Como a prática desportiva exige a utilização completa dos arcos articulares especificamente envolvidos nos gestos desportivos, fica muito difícil, se não impossível, a performance de alto rendimento sem se dispor de um bom nível de flexibilidade nos segmentos musculares empenhados.

Quanto mais alta for a exigência de performance, mais atenção deve ser dada à flexibilidade. Ressalte-se que isto não significa alcançar o máximo possível de mobilidade. A flexibilidade, ao contrário de todas as outras qualidades físicas, não é melhor quanto maior for. Existe um nível ótimo de flexibilidade para cada desporto e para cada pessoa, em função das exigências que a prática exercerá sobre o aparelho locomotor e a estrutura dos seus componentes (ligamentos, articulações, músculos e outras estruturas envolvidas).

Um nível de flexibilidade acima do desejado, além de não acarretar melhora da performance nem diminuição do risco de distensão muscular, propiciará aumento da possibilidade de luxações (DANTAS, 1995, p. 51; KRIVICKAS & FEINBERG, 1996 e TWELLAAR, VERSTAPPEN, HUSON & VANMECHELEN, 1997).

O treino de alto rendimento se fundamenta nos Princípios Científicos do Treinamento Desportivo (DANTAS, 1995, p. 37-54). Com a flexibilidade não poderia ser diferente. O texto dos parágrafos precedentes apenas destaca a necessidade de serem levados em conta os preceitos de dois dos citados Princípios:

  • Individualidade Biológica
  • Especificidade

Para trabalhar a flexibilidade do atleta de alto rendimento, visando obter o máximo de resultados com o mínimo de riscos, será necessário um conhecimento bastante amplo dos três fatores envolvidos: as características biológicas do atleta, as exigências específicas do desporto e os fundamentos fisiológicos e metodológicos da flexibilidade.

 

METODOLOGIA DO TREINAMENTO DA FLEXIBILIDADE

Treinar a flexibilidade é uma necessidade encontrada praticamente por todos os preparadores físicos, devido a extrema importância que esta qualidade física apresenta para os desportos. ACHOUR Jr. (1996 p.103) sobre o assunto ensina: "A flexibilidade é importante para o atleta melhorar a qualidade do movimento, para realizar habilidades atléticas com grandes amplitudes de movimento e reduzir os riscos de lesões músculo-articulares. ".

A intensidade utilizada no treinamento, estabelecerá diferentes níveis de exigência sobre os parâmetros corporais, provocando efeitos distintos. Assim, ao se variar a intensidade do estímulo, alterar-se-á tanto a forma de trabalho como o efeito observado sobre o organismo. O Quadro 1 apresenta alguns exemplos ilustrativos desta afirmação.

QUADRO 1: Influência da Intensidade de Treinamento Sobre o Tipo de Efeito Obtido.

Parâmetro

Nível de Exigência

 

Submáximo

Máximo

Sistema de Transporte de Energia

Treinamento Aeróbico

Treinamento Anaeróbico

Contraposição à Resistência ao Movimento

Treinamento da Resistência Muscular Localizada

Treinamento da Força Muscular

Rapidez de Execução de Gestos Desportivos

Coordenação Motora

Velocidade de Movimento

Amplitude de Movimento

Utilização plena do arco de movimento existente

Ampliação do arco máximo alcançado

 

A lógica da diferenciação das formas de trabalho em função dos diferentes níveis de intensidade, acarreta a necessidade de se estabelecer diferenças entre as formas máxima e submáxima de treinamento da flexibilidade. Assim, o trabalho submáximo será denominado de Alongamento e o máximo de Flexionamento. ALTER (1996, p. 97), citando Doherty (1971), indica que se pode trabalhar a flexibilidade (flexibility) de duas formas: stretching (alongamento) e overstretching (sobrealongamento).

Não importa o nome que se dê, o importante é definir a existência de duas formas distintas de se trabalhar a flexibilidade, com as características apresentadas no Quadro 2.

 

QUADRO 2: Diferenças Entre o Alongamento e o Flexionamento.

Característica

Alongamento

Flexionamento

 

Efeito Fisiológico

Deformação dos componentes plásticos (mitocôndrias, retículo sarcoplasmático, sistema tubular, ligamentos e discos intervertebrais)

Ação sobre os mecanismos de propriocepção: Fuso Muscular, no caso de insistência dinâmica e Órgão Tendinoso de Golgi se a insistência for estática

 

Efeito Durante a Performance

Facilita a execução dos movimentos e aumenta sua eficiência pela pré-deformação desejável dos componentes plásticos

Devido à ação residual da resposta proprioceptiva, provoca contratura se houver sido realizado flexionamento dinâmico ou, diminuição do tônus no caso do atleta realizar insistência estática imediatamente antes da prova

Utilização

Durante o aquecimento e na volta-à-calma

Seções de treinamento para aumentar a flexibilidade

O flexionamento como se viu, é stricto sensu, a forma de treinamento da flexibilidade (solicitação máxima). Ele pode ser feito de três formas: por meio de insistências estáticas (Método Passivo), por meio de insistências dinâmicas ou balísticas (Método Ativo) e os Métodos de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva.

É importante se enfatizar que o fator diferenciador entre o alongamento e o flexionamento é exclusivamente a intensidade e não a velocidade de execução ou a estrutura do aparelho locomotor que é prioritariamente afetada. O Quadro 3 esquematiza a afirmação da sentença anterior.

QUADRO 3: Fatores Diferenciadores Entre o Alongamento e o Flexionamento.

Quanto à Intensidade do

Quanto ao Tipo de Insistência

Trabalho

Estática

Dinâmica

Sub-máxima

Alongamento Passivo

Alongamento Ativo

Máxima

Flexionamento Estático

Flexionamento Dinâmico

Quanto à Estrutura Prioritariamente Afetada

Articulação e Componentes Plásticos

Componentes Elásticos em Série

 

Métodos Ativos (ou Flexionamentos Dinâmicos)

Consistem na realização de exercícios dinâmicos, que devido à inércia do segmento corporal, resulta num momento de natureza balística, provocando trabalho nas estruturas limitantes do movimento. Cada músculo deve ser submetido a três ou quatro séries de 10 a 20 repetições cada uma, alternada com movimentos de soltura.

A realização de movimentos de amplitude máxima, em velocidade, estimula o Fuso Muscular, acarretando o Reflexo Miotático ou Reflexo de Estiramento. Este reflexo provoca contração da musculatura que está sendo estirada. Devido a esta reação proprioceptiva, neste tipo de Flexionamento, a estrutura limitante ao movimento é, via de regra, a musculatura antagonista e em especial, os componentes elásticos em série (parte das fáscias de tecido conjuntivo que ficam entre duas fibras musculares e entre estas e o tendão) dos citados grupos musculares. Estes métodos enfatizam, portanto, a Elasticidade Muscular.

Na década passada, alguns estudiosos russos estiveram testando um novo processo de realização deste método (ISSURIN, LIEBERMANN & TENENBAUM, 1994), que consistia na estimulação vibratória do músculo (44 Mz., com amplitude de 03 mm.). Os efeitos desta metodologia, embora superiores à forma clássica de aplicação, são inferiores aos obtidos por meio da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva.

A contra indicação destes métodos é devida as repetidas trações a que são submetidos os componentes elásticos em série e os tendões, capazes de diminuir a sustentação do segmento corporal considerado e até mesmo indicando a possibilidade de mini-comprometimento da Força Explosiva (MAGNUSSON, SIMONSEN & KJAER, 1996; TAYLOR, DALTON, SEABER & GARRETT, 1990).

 

Método Passivo (ou Flexionamento Estático)

Para se empregar este método deve-se, lentamente, chegar ao limite normal do arco articular do atleta (limiar entre o alongamento e o flexionamento), forçar suavemente além deste limite, aguardar cerca de seis segundos e realizar novo forçamento suave, procurando alcançar o maior arco de movimento possível. Neste ponto, o arco articular obtido deve ser mantido por 10 a 15 segundos (DANTAS, 1995, p.75). A rotina deve ser repetida por três a seis vezes, com intervalo de descontração entre elas. O objetivo deste método é o aumento da Flexibilidade pelo incremento prioritário sobre a Mobilidade Articular.

Diversos profissionais insistem em recomendar tempos de permanência maiores dos que os indicados, baseados em vagas experiências pessoais, sem o indispensável respaldo da ciência. Os cientistas que estudaram o assunto, ficam mesmo com os tempos indicados. BORMS, VAN ROY SANTES & HAENTJENS (1987), indicam como ideal um tempo de insistência de 10 segundos e chegaram a conclusão que tempos de 20 ou 30 segundos são desnecessários. Já Madding, wong, hallum & medeiros (1987), comparando os efeitos provocados por insistências de 15, 45 e 120 segundos, verificaram não haver qualquer vantagem na utilização de insistências com mais de 15 segundos.

Para superar as dúvidas que possam persistir quanto à eficácia de aumentar o tempo de insistência para conseguir um melhor efeito de treinamento, cabe citar o trabalho de BANDY, IRION & BRIGGLER (1997), que compararam os efeitos de insistências de 30 e de 60 segundos, com uma ou três repetições e não encontraram diferenças significativas entre os resultados.

O único estudo encontrado, de BANDY & IRION (1994), que se opõe ao que foi exposto até aqui, aponta melhoras de flexibilidade, depois de seis semanas de treinamento, dos grupos que realizaram insistências de 30 e de 60 segundos, sobre o grupo que realizou insistências de 15 segundos. No entanto, os autores consideraram o tempo total de atividade e não a insistência depois de se alcançar o arco máximo de movimento, detalhe que exige que estes resultados não sejam levados em consideração.

A tensão isométrica provocada pela insistência estática a que se submete o músculo, atua sobre o Órgão Tendinoso de Golgi, provocando um relaxamento da musculatura agonista, acarretando que o fator limitante do movimento seja, normalmente, a articulação. Por ser esta estrutura que suporta a força que se está realizando, ela tende a se adaptar, aumentando a extensibilidade de seus tecidos moles e diminuindo, desta forma, sua estabilidade. O fenômeno exposto torna contra indicado o Método Passivo para o treinamento da flexibilidade das articulações sujeitas a choques nos desportos de contato. (McNAIR & STANLEY,1996).

  

Métodos de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP)

Os processos que se utilizam da FNP para o treinamento da flexibilidade são os de maior eficácia (ALTER, 1988, p. 89; GODGES, MacRAE, LONGDON, TINBERG & MacRAE, 1989; MASSARA & SCOPPA, 1995; SURBURG & SCHRADER, 1997).

Originários dos estudos de Kabat (1952, citado por Dantas, 1995, p. 76), realizados inicialmente para fins terapêuticos, os princípios da FNP foram utilizados por Holtz (1967, Op. Cit.) para desenvolver o Scientífic Stretching for Sports (3S). À partir deste processo surgiram muitos outros, dos quais os principais são os apresentados no Quadro 4.

 

QUADRO 4: Efeitos dos Principais Processos de FNP

Efeito Observado Principalmente Sobre:

Processo

 

Mobilidade Articular

Sustentação-relaxação (Hold-relax), Reversão Lenta (Slow-reversal-hold-relax), Contração-relaxação (Contract-relax)

Elasticidade Articular

Contrações repetidas (Reapeted Contractions), Contração-relaxação do Agonista (Agonistic Reversal)

ALTER,1996, p. 91; dantas, 1995, p. 81.

 

Pode-se perceber que cada um dos métodos tem uma especificidade de aplicação, que indica sua utilização num contexto específico, acarretando problemas de gravidade variável, no caso de se tomar a opção errada.

SURBURG & SCHADER (1997) consultando 131 preparadores físicos, constataram que os processos mais utilizados são os de Contração-relaxação e de Sustentação-relaxação para aplicação no joelho, ombro e quadril. Por sua vez, os processos de Contrações repetidas e de Sustentação-relaxação-contração, vem sendo utilizados no cotovelo, quadril e joelho.

 

Flexibilidade e Periodização

O principal fator determinante na escolha do método de flexionamento utilizado, será, conforme foi explanado, a necessidade do aumento da flexibilidade. Este efeito será obtido, prioritariamente, devido ao aumento da mobilidade articular ou da elasticidade muscular.

As articulações sujeitas a choques nos desportos de contato devem ter preservada sua estabilidade pela ênfase no aumento da elasticidade muscular em detrimento da atuação sobre a mobilidade articular. O efeito inverso será desejável para o treinamento da flexibilidade dos grupos musculares que necessitam realizar sustentação de um segmento corporal ou que apresentarão contrações explosivas durante a performance.

Respeitando-se estes postulados básicos, chega-se a conclusão que o treino da flexibilidade de um atleta empregará métodos distintos para cada segmento corporal considerado, conforme o tipo de esporte que se está treinando.

A escolha do método adequado de treinamento de flexibilidade também será diretamente influenciado pela época da periodização que se esteja considerando. Como se sabe o macrociclo será dividido, para fins de treinamento, em três períodos: o de Preparação, o de Competição e o de Transição.

No Período de Preparação ter-se-á duas fases, a Básica, com um característica de treinamento geral e a Específica, quando o atleta realiza as transferências de habilidades e capacidades necessárias à competição. Ao final deste período o atleta deve possuir todos os itens necessários a sua vitória desportiva.

No Período de Competição o atleta recebe o "polimento", o "ajuste fino" necessário à performance. Neste período ele não deve necessitar adquirir mais nada em termos de treinamento, apenas manter o que conseguiu no período anterior.

Por fim, no Período de Transição, o atleta é levado a um repouso ativo, capaz de o regenerar para o próximo macrociclo. Embora ele seja afastado de exigências técnicas e do ambiente habitual de treino, seu processo de aperfeiçoamento não sofre solução de continuidade, sendo enfatizada a aquisição das qualidades físicas de base, ao mesmo tempo que ele se recupera física e psicologicamente.

A ordenação do treinamento da flexibilidade ao longo do macrociclo, pode ser observada no Quadro 5.

  

QUADRO 5: Métodos de Treinamento da Flexibilidade a Serem Utilizados ao Longo da Periodização

Período

Fase

Método

Finalidade


 

 

Flexionamento Ativo

Ênfase na Elasticidade Muscular, nas articulações que necessitam preservar sua estabilidade


 

 

Flexionamento Passivo

Ênfase na Mobilidade Articular, na musculatura que necessita potência ou sustentação

 

Específica

Flexionamento FNP

Obtenção do arco de movimento necessário para a performance

 

Competição

 

-

 

Alongamento

Manutenção da Flexibilidade obtida sem risco de provocar lesão

Transição

-

Flexionamento Passivo

Aumento do nível geral de Flexibilidade

 

Para determinar quais os movimentos que necessitam de maior amplitude e quanto de flexibilidade o atleta deve possuir em cada um deles, o preparador físico, juntamente com a comissão técnica, na Fase de Ante-projeto de Treinamento do Período de Pré-preparação, determina em quais gestos desportivos a qualidade física Flexibilidade se faz presente e qual a amplitude máxima necessária a uma performance ótima.

É importante ressaltar que durante o treinamento, deve-se procurar dotar o atleta de um arco articular cerca de 20% maior que sua necessidade de performance, para que possa realizar cada um dos gestos desportivos específicos do desporto sem esforço muscular desnecessário.

Tal fato pode ser compreendido com a explanação de DANTAS (1995);

Os últimos 10 a 20% do arco articular são caracterizados por apresentarem uma maior resistência ao movimento devido ao fato de se estar chegando ao limite de distensibilidade dos músculos, ligamentos e outros tecidos conjuntivos envolvidos. Assim, cada vez que se entra nesta Zona de Alta Resistência (ZAR), a pessoa se vê compelida a realizar um esforço extra, além do normalmente exigido para a execução do movimento. No caso de ser necessário realizar movimentos de grande amplitude, deve-se certificar de que se dispõe de uma margem de segurança de cerca de 20 % a mais do que o arco articular que vai ser utilizado. Esta precaução reduzirá o desgaste energético do atleta.(p. 48)  

 

CONCLUSÃO

Uma vez determinados os movimento que necessitam de um boa flexibilidade, quais os métodos que serão utilizados para seu treinamento e qual a amplitude adequada para cada um destes arcos, o preparador físico montará uma "rotina" de exercícios que serão utilizadas quotidianamente, possibilitando sua memorização pelo atleta, para que, nos momentos psicologicamente desgastantes do período pré-agonista, ele possa executar o procedimento correto de alongamento de forma automatizada.

Tranqüiliza o profissional envolvido com o treinamento desportivo de jovens saber que o treinamento da flexibilidade não terá efeitos nefastos posteriores, pelo menos na coluna vertebral, conforme afirmam os estudos de RATY, BATTIE, VIDEMAN & SARNA (1997)

É importante se relembrar que a flexibilidade embora não seja uma qualidade física de importância prioritária na performance, se comparada com a força a velocidade ou a resistência, ela está presente em quase todos o desportos. Por isso também causa surpresa se constatar que talvez seja ela a qualidade física menos estudada. Este fato pode fazer com que seu treinamento seja mais influenciado por crenças e costumes do que por conhecimentos científicos.

O presente estudo buscou colocar ao alcance do treinador subsídios que o auxiliassem na escolha da forma de treinar a flexibilidade, baseados na fundamentação da fisiologia e da biofísica e não nos hábitos costumeiros ou na "achologia".

Buscar na ciência a forma de aperfeiçoar nossa forma de agir é um hábito saudável que todo o profissional deve perseguir, pois como disse Churchill: "Só os tolos aprendem exclusivamente com sua experiência.".

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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As cores no Feng Shui



Aplicação de cores com Ba-guá

O ba-guá é uma figura de oito lados que correspondem às áreas mais importantes da vida. O esquema propõe ativar cada área com o auxílio da cor.

Funciona assim: trace uma planta da casa e coloque o ba-guá sobre ela, alinhando o lado do trabalho com a porta de entrada. Cada ambiente estará ligado a uma área, e desta forma, escolha as cores para a decoração. Se preferir, você pode aplicar o ba-guá em um dos ambientes, somente.

Cores no Feng shui

Prosperidade: esta área governa o dinheiro, mas também está relacionada com tudo que torna a vida mais rica. Para ativar esta área, estimule a entrada do ch'i aumentando a quantidade de luz na área, colocando um espelho, um lustre, cristais suspensos ou objetos de metal. Um aquário ou uma pequena fonte funcionam muito bem.
Cores: verde, vermelho, lilás e azul.

Sucesso: representa sua posição social na comunidade, suas aspirações e sonhos. Saliente suas qualidades expondo nesta área fotos, diplomas e objetos que sejam atrativos. Um espelho redondo pode ajudar bastante o fluxo de ch'i.
Cores: vermelho, verde e amarelo.

Relacionamentos: está especificamente relacionada com os relacionamentos mais próximos, seja ele efetivo ou profissional. Disponha sobre os móveis fotos e objetos que considere românticos, principalmente em pares.
Cores: vermelho, rosa e branco.

Criatividade: está relacionada aos filhos, mas também ao desenvolvimento criativo. É um ótimo local para expor fotos dos filhos, ou trabalhos manuais que eles fizeram. Reserve este espaço para a escrivaninha, e ative seu potencial de criação em qualquer área de interesse.
Cores: branco e dourado.

Amigos: está relacionada com as pessoas que podem ajudar você. Use cristais, monte um painel com fotos de suas amizades, coloque objetos relacionados à sua filosofia de vida para estimular a entrada do ch'i nesta área.
Cores: branco e preto.

Trabalho: se sua intenção é progredir profissionalmente, ative esta área. É um bom local para colocar o computador, o aparelho de fax ou mesmo o telefone. Decore com um espelho ou um abajur bonito, que ilumine o espaço e faça a energia circular.
Cores: preto, branco e verde.

Espiritualidade: é a área que representa o aprendizado e o contato com o divino. É o local ideal para colocar uma estante de livros ou dispor o escritório. Objetos de vidro ou cristais podem servir para aproximá-lo do seu eu espiritual.
Cores: preto, verde e azul.

Família: inclui todas as pessoas de quem você ama. Objetos herdados que sejam atraentes, uma Bíblia, diplomas da família contribuem para um sentimento de continuidade. Como esta área está também relacionada à saúde, para ativá-la utilize cristais e aumente a iluminação.
Cores: verde, vermelho e azul.

Significado das cores no Feng Shui

VERMELHO: é a cor da felicidade, do calor do fogo, da força e da fama. As noivas chinesas usam trajes vermelhos, e o pai de um filho recém-nascido distribui ovos vermelhos. Está associado à fonte de energia do universo, é estimulante e utilizado para canalizar e reter o ch'i.

PÚRPURA: como se trata de um vermelho profundo, alguns estudiosos dizem que traz mais sorte que o original. Inspira respeito, e o ch'i está associado à alta nobreza, ao indivíduo poderoso, rico e afortunado.

AMARELO: o amarelo ou dourado representa poder, dá senso de tolerância, paciência e sabedoria obtida através da experiência.

VERDE: representa tranqüilidade, esperança e frescor. É a cor do elemento vital madeira, e simboliza a natureza. Indica o ch'i da terra saudável.

AZUL: é uma cor associada com a madeira, e portanto pode simbolizar crescimento e esperança. Por outro lado, para os chineses é a cor fria e secundária da lamentação, e os projetistas evitam a cor nas construções.

AZUL-ESVERDEADO: está muito mais próximo das cores da natureza do que o próprio azul e, em geral, representa os anos verdes da juventude.

PRETO: do lado positivo, o preto dá uma sensação de profundidade, transformando o ambiente em um espaço de contemplação. Negativamente, significa falta de esperança e faz com que nos sintamos abatidos e deprimidos.

CINZA: é mais uma cor com significados opostos. Alguns o vêem como um dia nublado e sombrio, e associa-se à frustração e falta de esperança. Entretanto, pode ser considerado o casamento de opostos: preto e branco - neste caso significa equilíbrio e solução de conflitos.

MARROM: simboliza a profundeza e as raízes da madeira. Dá a sensação de peso, mas pode ser utilizada para sugerir estabilidade. Pessoas idosas tendem a gostar desta cor, pois o marrom é sóbrio e elegante. Podemos nos lembrar de passagem do tempo, pois nos remete ao outono, quando as folhas ficam marrons e caem.

MARROM-AMARELADO: representa um novo começo bem sucedido. Após tudo parecer sem esperanças, surgem novas possibilidades.

LARANJA: por ser uma mistura de vermelho e amarelo, empresta as características destas cores - felicidade e poder.

ROSA: representa o amor e os sentimentos puros, alegria, felicidade e romance.

PÊSSEGO: é uma cor de duplo significado, e representa amor e atração. É uma cor favorável para pessoas solteiras, mas destrutiva para os casais. O solteiro influenciado por esta cor é sociável, faz muitos amigos e possui muitos admiradores. Para os casados, leva ao adultério.

Fonte: www.tintascoral.com.br

Cores no Feng Shui

As cores no lar

Os efeitos poderosos das crês são conhecidos há milhares de anos. Seres humanos primitivos utilizavam as cores para se proteger do mal e aumentar a sorte e a virilidade. Os antigos chineses usavam as cores como símbolos e para representar a estações. O verde simboliza a madeira, e representa a primavera. O vermelho simboliza o fogo e representa o verão. O amarelo e o laranja representam o sol lançando seus raios cálidos sobre a Terra, eles representam o fim do verão. O branco simboliza o metal, e representa também o outono. O azul simboliza a água e o inverno.

As cores exercem sobre nó efeitos positivos ou negativos. Faber Birren psicólogo especializado em cores, relata que pessoas normais tendem a apontar qualidades favoráveis nas diferentes cores, mas os neuróticos são mais propensos a notar o que é desfavorável.

Todos nos reagimos à cor, quer estejamos conscientes disso ou não. Imagine dormir num quarto vermelho sangue ou cozinhar uma refeição em uma cozinha preta como piche. As cores conferem um certo clima ao aposento. Algumas cores nos estimulam, outras nos irritam, enquanto outras nos aclamam. Fez-se uma experiência interessante há alguns anos, quando prisioneiros foram colocados e, ,celas pintadas de rosa. Essa cor exauriu a agressão dos internos, e eles se tornaram prisioneiros modelo. Como essa experiência mostra, a cor pode causar efeitos radicais, por isso, precisamos ter cuidado ao escolher e utilizar as cores.

No feng shui, as cores controlam a quantidade de luz e a refletem. A combinação de cor e luz deve proporcionar as melhores condições possíveis para se viver, é melhor escolher seu esquema de cores nos próprios aposentos, já que o tom das cores costuma mudar quando visto sob uma luz diferente. As luzes quentes, por exemplo, fazem com que as cores quentes fiquem ainda mais quentes, enquanto que com as luzes frias acontece o oposto.

Convém, naturalmente, que você tenha na sua casa as cores que se relacionam com o seu elemento e com o das pessoas que moram com você. No entanto, você também deve ter uma variedade de outras cores, simplesmente pelo fato de gostar delas. Cuidado, porém com as cores que se opõem uma às outras. Por exemplo, muito vermelho não seria uma boa escolha se você pertence ao elemento água, pois fogo e água não se harmonizam.

Fonte: www11.estrelaguia.com.br

Cores no Feng Shui

Na tradução do chinês, Feng significa vento ou ar; Shui significa água. O vento representa e energia invisível mas que se pode sentir e não pode ser detido; a água é a energia visível que se pode direcionar. O principal objetivo do feng shui é promover a boa circulação de uma energia denominada chi, que permeia tudo o que vive no universo. O Chi é considerado a força vital que está presente em todos os elementos da natureza. Dessa forma, o "vento e água" são as correntes que fazem circular o Chi, estimulando as energias positivas e melhorando a sua vida.
O projeto arquitetônico e de interiores pode ser concebido seguindo princípios do Feng shui ou então aplica-se a correção dos diversos setores de uma edificação. Para isso é preciso que contratemos um profissional consultor de Feng shui ou que façamos diversas leituras de livros que possam nos orientar nesse sentido. Ao fim dessa matéria, faremos algumas sugestões para você iniciar a leitura nesse universo tão fascinante e que tem conquistado profissionais dos mais variados segmentos.

Algumas pessoas acham que há confusão nas orientações dessa técnica, mas isso se dá porque alguns autores fazem a tradução direta do baguá e não consideram que este não passa de uma espécie de bússola e como tal, funciona em relação aos pontos cardeais do globo terrestre. Dessa forma, não fazem as devidas correções para o hemisfério sul, o que seria perfeitamente natural já que estamos lidando com a Terra e seus hemisférios conduzem as energias em sentidos opostos: horário para o norte e anti-horário para o sul. Isso acontece até porque a maioria dos livros no tema, são traduzidos direto de autores que os escreveram para os países no hemisfério Norte.

O Feng Shui deve ser estudado de modo diferente nos dois hemisférios do planeta, já que muitas situações se espelham em relação a linha do Equador. A correção dos fatores negativos também será mais precisa, se forem levadas em consideração a data, local e hora do nascimento da pessoa que habita ou utiliza o espaço que será tratado. Desse modo até o Baguá, que é utilizado a fim de setorizar os diversos ambientes de uma construção, deve ser aplicado de modo invertido ao que ocorre no hemisfério Norte.

Baguá espelhado para o hemisfério Sul.
Baguá espelhado para o hemisfério Sul.

Um exemplo dessa inversão é a posição LI do fogo, que no hemisfério norte ocupa a situação sul que é o local mais ensolarado por lá, já que o sol nasce a leste e morre a oeste, inclinando-se durante sua trajetória para sul. Mas aqui no hemisfério sul a situação se dá ao contrário, pois o sol nasce também a leste e morre a oeste mas inclina-se para o norte, onde temos o local mais ensolarado e repleto das energias Yang que caracterizam o calor. Portanto, para o hemisfério sul, a posição LI do baguá é a norte e não sul. .

Bússola

A forma mais precisa de se posicionar o baguá em cada ambiente é setorizando em função dos pontos cardeais da casa. Para o posicionamento mais preciso do baguá, o ideal é o uso de uma bússola e o estudo deve ser feito com base na planta baixa da edificação. Assim, o baguá poderá ser colocado no centro da planta de modo que o seu norte coincida com o norte da casa. Você poderá então ativar o aspecto que estiver em maior prioridade naquele momento, providenciando as devidas correções para o Trabalho e carreira, ou casamento e relacionamento familiar, e assim por diante.

Através do Feng Shui, é possível determinar a organização espacial e a decoração mais favoráveis para um ambiente, de forma a garantir que a energia vital ou "Chi" seja a melhor possível, além de favorável em vários aspectos, para seus habitantes.

Os fundamentos do Feng Shui são os conceitos do "Chi", a energia vital; o Yin e Yang, os opostos complementares; os Cinco Elementos ou as cinco fases da energia;

o I Ching, o livro principal de toda a sabedoria chinesa e o Ba Guá, o octógono com os oito trigramas onde todos esses conceitos são sintetizados e relacionados entre si.

A busca constante do Feng shui é obter o equilíbrio entre duas energias antagônicas mas que se complementam na obtenção do equilíbrio. Uma necessita da outra para que o equilíbrio seja possível.

Ying - Escuridão e repouso; frio e sombra.

Yang - Claridade e ação; calor e luz.

No próprio símbolo do Feng shui, essa noção de complemento é visível. Veja que a parte escura se encaixa nas curvas do branco e ambos formam o círculo, puro e perfeito. A verdadeira representação do equilíbrio. Dentro da forma branca (Yang) está um pequeno círculo preto (Ying) e vice-versa, para que a noção de complementaridade seja reforçada.

Assim como os antigos médicos chineses levavam em consideração os diversos elementos naturais e sua atuação sobre o organismo humano, o adepto de feng shui deve observar a disposição harmoniosa dos elementos, ordenar os espaços, selecionar os materiais mais adequados a cada local, atentando para a direção correta e o uso simbólico das cores em cada situação. Assim, o equilíbrio Ying/Yang será obtido, anulando os efeitos negativos antes existentes na edificação.

Veja abaixo, o quadro dos elementos para o hemisfério Sul:

Elemento Posição Cor Estação Age sobre o Essência
Água
(Kan)
Sul Preto/azul Outono Rins Ying
Fogo
(Li)
Norte Vermelhos
/Laranjas
Verão Coração Yang
Madeira
(Chen)
Leste Verdes/
Marrons
Primavera Fígado
Yang
Madeira
(Sun)
Nordeste Verdes Primavera Fígado Yang
Metal
(Tui)
Oeste Branco/
prata/
ouro
Inverno Vesícula Ying
Metal
(C'hien)
Sudoeste Branco/
prata/
ouro
Inverno Vesícula Ying
Terra/
montanha
(Ken)
Sudeste Beges/
marrons
Fusão/
alternância
Pulmões Ying/
Yang
Terra
(Kun)
Noroeste Beges/
amarelos
Fusão/
alternância
Pulmões Ying
/Yang

O posicionamento do baguá pode ser feito em relação a edificação como um todo, ou de ambiente em ambiente. O ideal é que seja direcionado de acordo com os pontos cardeais do local. Dessa forma, iremos fazer coincidir o sul do baguá com o sul da planta da casa e assim por diante.
Exemplos de materiais relacionados aos cinco elementos:

Madeira

Utilização de lambris e painéis nas paredes, mobiliário em madeira aparente, fibras naturais como rattan, junco e cana da índia, assoalho sem tábua corrida ou tacos e utilização de plantas que crescem verticalmente para cima, simulando o desenvolvendo de uma árvore.

Fogo: representado pelo uso das cores provenientes do vermelho em tons mais escuros como o vinho e o pink, e também pelo laranja, pelas formas angulares e recortadas, pelas cortinas com bandôs retorcidos em cores quentes e pelos tapetes e acessórios vermelhos.

Terra

Simbolizada pelos tons terrosos do marrom até o bege, o revestimento de piso deve ser em lajotas de cerâmica mais natural ou rústica, ou em pedras como a ardósia, por exemplo. Vasos em terracota, paredes ou pisos em tijolos aparentes ou pedras e plantas que crescem para os lados, alastrando-se em uma simulação da própria terra, do chão.

Metal

Representado pelo branco, cinza, prata e ouro; pelos pisos em granito polido; móveis em aço escovado, alumínio ou cromados; estofamentos brancos e tapetes e almofadas redondos.

Água

Identificada na cor azul-marinho ou no preto; na presença física da água, como vistas para o mar ou lago, piscina, fontes, aquários, cascatas, etc; nas arcadas ou janelas em arcos e nos móveis e paredes em vidro.

Fonte: www.casaecia.arq.br

Cores no feng shui

A energia do Feng Shui dita as regras da decoração

O Feng Shui (pronuncia-se fong shuei) é uma antiga filosofia de 4.000 anos na China e, apesar de ter sido "descoberto" pelo grande público no Brasil há poucos anos, muita gente está questionando a estética pela estética e optando por dar um toque mais holístico nas decorações de casas, apartamentos, escritórios e empresas. A técnica chinesa se populariza e já faz parte de modernos projetos de decoração de ambientes.

Esta sabedoria milenar despontou como um dos sucessos editoriais no Brasil há alguns anos. O mercado de livros e revistas já conta com vários títulos. Alguns estudiosos e consultores em Feng Shui afirmam que esta filosofia, que trata da energia existente em todo o mundo físico e dita os princípios da harmonização dos ambientes através da "canalização" adequada desta energia, já está, hoje, presente em muitos ambientes domésticos e de trabalho.

A designer Maitê Orsi, da All Design de Ribeirão Preto, consultora de Feng Shui, já desenvolveu vários projetos em Ribeirão Preto, de quartos de bebês que ainda vão chegar, até apartamentos inteirinhos e mesmo escritórios e empresas, inclusive franquias. E a busca não é apenas das mulheres, não. Empresários e executivos também querem utilizar da melhor maneira possível as energias que os chineses estudam há milênios.

Um grande escritório de advocacia em Ribeirão Preto e São José dos Campos fez uma verdadeira revolução interna em cores, móveis, objetos e mesmo distribuição de espaços para adaptar o ambiente ao Feng Shui. Todos os objetos de decoração, incluindo porta-retratos, quadros, porta-canetas de mesa, cores de paredes, iluminação, tapetes etc. foram cuidadosamente escolhidos pela consultora. Móveis também foram cuidadosamente desenhados.

Um casal de noivos entregou todo o projeto de decoração do apartamento, onde foram morar após o casamento, à consultora Maitê Orsi. Ela trabalhou todas as áreas da casa sob os princípios da filosofia chinesa. A ambientação do apartamento começa pelo corredor de entrada, onde predomina a cor azul e formas orgânicas com gesso no teto com o objetivo de dar leveza e permitir a diminuição da tensão para quem chega do trabalho ou mesmo para acolher as visitas. Um espelho e um cabide de apoio para guardar pequenos objetos têm como função receber bem quem chega.

Ba-guá/ Bússola/Influencias do Universo

Para obter-se a harmonia dos vários ambientes de uma residência, os chineses utilizam o ba-guá, de acordo com o tipo de estudo que se faça, e também a bússola, como indicadores para aplicação correta dos princípios do feng shui. O Baguá é uma figura de oito lados, que representa os principais campos de vivência do homem que devem ser respeitados em sua casa. São eles: trabalho, espiritualidade, saúde, prosperidade, sucesso, relacionamentos, criatividade e amigos.

As funções das cores

Laranja

É a cor que nos torna mais expressivos e expansivos; representa a vitalidade. Esta cor cria o clima de aconchego, calor humano, desperta o apetite através de seu estímulo. Seu excesso pode levar à prepotência ou melancolia. No Feng-shui representa felicidade e poder e é a cor do elemento terra.

Violeta

Resulta da mistura entre o vermelho e o azul e estimula a criatividade, devoção. É uma cor que representa sofisticação e luxo. No esoterismo é tida como poderosa transmutadora de energia, limpando o ambiente de energias nocivas. Seu excesso cria autoritarismo e falta de persistência.

Preto

Cor que representa a afirmação do poder, também pode nos tornar prepotentes. Como o preto é a ausência de luz, na decoração deve ser pouco usado pois nós precisamos de luz para viver. No Feng-shui é cor do elemento água.

Azul

Cor que acalma, seda a agitação; sua intensidade determina da calma à letargia, ou até profunda introspecção.

Verde

É a serenidade ativa. Quando se descansa a visão, a mente, é o verde que nos reabastece; sua intensidade pode determinar tanto o suave descanso, como comportamentos intransigentes.

Vermelho

É a cor do dinamismo, da vida, da energia...seu excesso pode trazer irritação e agressividade, em mistura com o branco, obtemos o rosa que representa afeto.

Existem as cores-pigmento primárias e secundárias podendo-se criar um numero infinito de combinações. Como o universo da cor é imenso, deve-se ter em mente o equilíbrio no uso das cores e sempre utilizar de suas cores complementares para criar equilíbrio. Lembre-se que o branco, embora sendo a síntese associativa de todas as cores (luz), conduz à apatia em uso excessivo.

"As cores nos comunicam emoções e tocam profundamente em nossa psique, por isto vale a pena conviver num contexto de cores da preferência e harmoniosamente colocadas, para celebrarmos a felicidade. Elas verdadeiramente são para os olhos como a música é para nossos ouvidos", explica Maitê.

Cores complementares:

Vermelho – Verde

Azul – Laranja

Amarelo – Violeta

Elas devem ser usadas sempre elegendo uma como a principal e a outra em tons claros para não carregar o ambiente. Lembrando sempre que cor é alimento emocional, na escolha certa ela energiza o ser humano, anima, torna-o cheiosde humor.

Fonte: www.ondeir.rec.br


Pra que serve a acupuntura



O que é acupuntura?

A acupuntura é uma técnica de tratamento que consiste no estímulo de pontos determinados da superfície da pele. Podem ser utilizados neste processo agulhas, ventosas, massagens, e até o calor proveniente da queima da moxa, preparada à partir da erva artemísia (moxabustão).

Quando e onde surgiu?

Possivelmente antes da era cristã, na China. Para alguns historiadores, as agulhas de acupuntura seriam o resultado da evolução das lancetas usadas para perfurar bolhas ou pústulas. Para outros, a prática da acupuntura teria se iniciado a partir da experiência corriqueira de massagearmos o local dolorido para fazer passar a dor. De qualquer maneira, as evidências arqueológicas não nos permitem ter certeza quanto ao processo de formação do corpo de conhecimentos da acupuntura. Da China, ela se espalhou por vários países da Ásia, adquirindo características peculiares à cultura da região onde se estabelecia. No Japão, por exemplo, as agulhas são mais finas, se dá mais atenção à palpação do abdomen, mas os princípios básicos de diagnóstico e tratamento são sempre os mesmos.

Para que serve?

Além dos casos de dor, várias doenças funcionais podem ser tratadas pela acupuntura. Dentro da concepção chinesa, a doença é uma manifestação de desequilíbrio, e a acupuntura seria uma forma de readquirir a harmonia perdida. Entre as doenças tratáveis pela acupuntura estão: dores em geral, especialmente do aparelho músculo-esquelético, gastrite, stress, distúrbios hormonais, insônia, asma, distúrbios menstruais, paralisia facial, sinusite, incontinência urinária. Para saber se a acupuntura é adequada para o seu caso específico, pergunte ao seu médico acupunturista.

Quando procurar um acupunturista?

De preferência, no início dos sintomas. Via de regra, quanto mais recente o problema, maior e mais rápida a possibilidade de resolvê-lo. O lado preventivo da acupuntura consiste na possibilidade de ir contra a doença antes que ela se manifeste em sua plenitude, isto é, no estágio onde sabemos que estamos quase ficando doentes, mas ainda não há sintomas concretos, na fase de mal estar que precede a doença.

Posso misturar outros tratamentos com a acupuntura?

Não é proibido associar a acupuntura a outros tratamentos. Fisioterapia, remédios alopáticos, psicoterapia, homeopatia, geralmente são beneficiados pela associação com a acupuntura, ocorrendo desde a aceleração e a facilitação de processos terapêuticos até a redução das doses dos remédios utilizados.

A acupuntura dói?

Não deve. Eventualmente podemos acertar um nervo superficial ou um ponto mais sensível da pele, causando dor. Neste caso, deve-se informar ao médico, que corrigirá a inserção da agulha. Tratamento doloroso é quase sempre relacionado a um mau profissional.

Há sangramento?

Eventualmente um vaso sanguíneo pode ser atingido. Nas mãos de um médico experiente a acupuntura é isenta de riscos, logo tais sangramentos e hematomas resultantes não devem ser motivo de preocupação, pois são superficiais e ocorrem raramente.

Quais os efeitos colaterais da acupuntura?

Alguns pacientes podem se sentir sonolentos e relaxados após a sessão. Em certos casos pode haver a piora dos sintomas, que geralmente é seguida pela melhoria da condição do paciente. Pontos muito sensíveis podem se tornar dolorosos se manipulados em excesso, porém a dor resultante tende a melhorar com o passar do tempo.

A acupuntura pode transmitir doenças?

A acupuntura é um método invasivo e, como tal, deve-se seguir as regras básicas de esterilização. Usando-se material esterilizado não há risco algum. Hoje temos agulhas descartáveis disponíveis, tornando mais prático e seguro o tratamento.

Como é uma sessão de acupuntura?

Na primeira consulta busca-se estabelecer o diagnóstico, tanto na visão ocidental quanto na visão própria da acupuntura. Os pontos são selecionados de acordo com o diagnóstico. Após a limpeza da pele com álcool a 75º, as agulhas descartáveis são inseridas de forma indolor e deixadas no local, sendo retiradas depois de quinze minutos. Durante o período no qual as agulhas estão inseridas, recomenda-se ao paciente não se mover. As sessões posteriores são aproximadamente iguais.

Qual a preparação necessária antes e quais os cuidados após uma sessão?

Pede-se ao paciente que não se alimente imediatamente antes da sessão, que esteja o mais relaxado possível, e que não se banhe após a sessão de acupuntura.

As agulhas podem permanecer na pele após a sessão?

Sim. Em alguns casos, deixa-se uma agulha pequena coberta com esparadrapo no período entre uma sessão e outra, para que haja estímulo do ponto durante todo este tempo. A agulha de demora, como é chamada, pode ser molhada, recomendando-se que seja retirada ao primeiro sinal de incômodo.

Qual a frequência do tratamento?

Usualmente a frequência é de uma vez por semana, porém em casos agudos sessões diárias podem ser necessárias. A duração do tratamento é dependente do tempo da doença: quanto mais recente, mais rápido o resultado. Algumas doenças respondem mais rapidamente que outras. Como exemplo, dores lombares de origem músculo-ligamentar com menos de seis meses de duração exigem, em média, cinco sessões até o seu controle.

Quando posso interromper o tratamento?

Geralmente a alta acontece na ausência dos sintomas que levaram o paciente ao consultório. Em princípio sessões de manutenção não são necessárias, mas o paciente deve retomar o tratamento se notar que os sintomas estão reaparecendo. Neste caso, quanto mais cedo, mais rápido o resultado.

Como a acupuntura age? É somente um analgésico?

O mecanismo de ação da acupuntura ainda não foi completamente elucidado. Sabe-se que o estímulo dos pontos leva à produção de substâncias que teriam ação sobre receptores do sistema nervoso (neurotransmissores e neuromediadores), e que o resultado final seria a normalização das funções alteradas. A acupuntura teria também ação anti-inflamatória por estimular a produção de corticóides pela glândula supra-renal. A acupuntura é mais que um analgésico, combatendo a dor através da resolução do processo inflamatório que a causa. Há similaridades entre os efeitos da acupuntura e os causados pela serotonina, que é um neuromediador produzido pelo nosso cérebro.

HISTÓRIA DA MEDICINA CHINESA

O Ocidente teve sua atenção voltada para a acupuntura por causa do artigo do jornalista James Reston, publicado em 1971, que descrevia o efeito da acupuntura nas suas dores pós-operatórias depois de submetido a uma apendicectomia de emergência, quando acompanhava a equipe norte-americana de tênis de mesa. Desde então a acupuntura foi sendo adotada pela medicina ocidental, em princípio cercada de preconceitos, mas ultimamente como uma especialidade médica, caso do Brasil, sendo reconhecida pelas seguradoras da área da saúde, inclusive as HMO americanas.
Podemos reconhecer três maneiras de estudar a história da medicina chinesa:
Assumir que os conceitos chineses de doença e tratamento são superiores aos ocidentais: Manfred Porkert
Uma visão histórica que enfatiza os aspectos que seriam precursores do pensamento médico ocidental atual, tomando este como verdade científica: Joseph Needham
Estudar a medicina como um aspecto da cultura chinesa: Paul Unschuld
Uma das características da civilização chinesa é sua capacidade sincrética. Contrariamente ao ocidente, na China os novos conceitos não anulavam os anteriores e sim, conviviam ao mesmo tempo. Não havia um processo dialético de síntese e nem a substituição do paradigma antigo por um novo. Isto fez com que conceitos contraditórios fossem usados ao mesmo tempo para explicar um fenômeno. Desta forma, podemos encontrar os seguintes aspectos no que chamamos medicina chinesa:
terapia oracular
medicina sobrenatural ou dos demônios
cura religiosa
terapia farmacológica pragmática
medicina budista
medicina de correspondência sistemática
Com relação ao elo causal necessário à explicação da doença, podemos encontrar duas formas de pensamento na medicina chinesa:
Relações de causa-efeito entre fenômenos correspondentes
Relações de causa-efeito entre fenômenos não correspondentes
Fenômenos seriam manifestações de um número variável de princípios; fenômenos que são manifestações de um mesmo princípio são correspondentes: mudança em um afeta o outro. Na correspondência sistemática há um número limitado de princípios. Todos os fenômenos podem ser classificados como um dos dois ("yin yang") ou um dos cinco ("Cinco Fases" wu xing) princípios. Outra possibilidade seria a dos fenômenos coexistirem independentemente e, sob determinadas condições, exercerem influências mútuas benéficas ou prejudiciais. O vento, a umidade, a comida poderiam, em certas condições, afetar o homem.
Segundo Unschuld, a pluralidade de conceitos envolvendo causalidade da doença é inevitável numa sociedade onde grupos diferentes coexistem em realidades socioeconômicas diferentes; mudança nestes conceitos é inevitável numa sociedade onde ocorre mudança sociopolítica básica; conceitos de saúde antigos sobrevivem em grupos sociais que continuam a seguir uma ideologia sociopolítica coerente; um grupo que esteja em busca de influência política ou de domínio criará ou apoiará um conjunto específico de conceitos terapêuticos consistentes com suas normas sociais. Com estas noções em mente podemos então passar para a história propriamente dita.

Medicina na Era Shang

A era Shang foi a primeira a deixar sinais de atividades terapêuticas, segundo achados arqueológicos datados dos séc. 18-16 AC, no curso médio do Rio Amarelo.
Já havia uma forma precursora da escrita ideográfica, que era encontrada em carapaças de tartarugas e ossos de animais usados como oráculo. Estas carapaças e ossos eram perfurados e submetidos ao calor; as rachaduras resultantes eram interpretadas pelo rei ou por um adivinho.
As bases econômicas eram a agricultura e o gado. Existiam pequenas cidades onde vivia a nobreza, enquanto a maior parte da população habitava o campo.
A comunidade era formada pelos vivos e pelos mortos, os ancestrais, que dependiam dos vivos e seus rituais, enquanto os vivos eram dependentes dos favores ou maldições dos seus ancestrais.
Ti era o ancestral supremo, que provia assistência nas colheitas e nas guerras, e que era influenciado pelos ancestrais do rei.
Os Shang já reconheciam algumas (poucas) doenças, a mais importante delas sendo "maldição de um ancestral", cujos sintomas poderiam abranger desde dor de dentes até derrota na guerra.
Os procedimentos preventivos e terapêuticos envolviam presentes e oferendas aos ancestrais.
Há referências a outras causas de doenças, como "vento maligno" ou "neve", que seriam combatidos através dos shamans.

Medicina na Era Chou

Os Shang concentravam sua autoridade na capital, enquanto as regiões externas eram frágeis frente à agressão estrangeira. Por causa desta fragilidade, os Chou tomaram o poder em 1100 AC, fundando a era que toma seu nome.
A era Chou foi um período de equilíbrio sociopolítico, num sistema similar ao feudalismo europeu. Foi um tempo de paz que se interrompeu em 771 AC, com a perda gradual do poder imperial após uma série de lutas sucessórias, até 481 AC, quando se iniciou o período chamado "Estados em Guerra", em que houve um acentuado declínio moral, as velhas ordens e regras perdendo o sentido, não havendo mais o conceito de "honra" que incluia até a ética da guerra, cujo objetivo passara a ser não mais a derrota do inimigo e sim sua total aniquilação.
Estes pequenos estados em guerra criaram um mundo caótico, e o período estável do início da era Chou passou a ser considerado e lembrado como um tempo idílico. Confúcio nasceu neste período conturbado, e sua filosofia buscaria o tempo idílico, de harmonia e paz, do início da era Chou.
Em 221 AC o estado Ch'in conseguiu a supremacia sobre os outros e unificou a China. O novo rei, Shih Huang Ti, rejeitou os valores feudais que ainda restavam, e fundou um estado baseado no crescimento de riqueza material e poder militar, adotando o pensamento dos Legalistas, que preconizava um sistema rígido de leis, padronizando pesos, medidas, até a largura das estradas. Shih Huang Ti ordenou a queima de toda a literatura que não fosse científica ou religiosa, mas morre 11 anos depois de tomar o poder, começando então a era Han.
Durante a era Chou, a causa dos infortúnios, antes baseada nos ancestrais e suas influências sobre os vivos, passa a tomar em conta a percepção de que "demônios" teriam importância na vida cotidiana.
A harmonia nos relacionamentos não seria mais mantida pelos ancestrais, e foram criados mitos reconhecendo "demônios" que exerceriam influências maléficas sobre o homem. Cresce de importância a presença dos shamans Wu. Estes shamans utilizavam seu acesso aos espíritos mais graduados para controlar os demônios, através de exorcismos, geralmente usando espadas e lanças. Há a atribuição de horas ou dias determinados como os mais apropriados para os rituais shamânicos. São utilizados talismãs, que são queimados e administrados sob a forma de poções, assim como drogas medicinais que serviriam para expulsar os demônios do corpo, especialmente venenos, usados como amuletos ou incensos, plantas com a aparência de armas ou cujo nome pudesse ser associado a uma arma.
Contrariamente à medicina na era Shang, o respeito às regras, ritos e convenções sociais não era proteção contra a doença.
Há o surgimento de uma forma rudimentar de acupuntura, onde agulhas sob a forma das espadas dos exorcistas eram inseridas ou pressionadas sobre treze pontos determinados da superfície da pele, para tratar as doenças causadas pelos demônios. Esta forma de acupuntura não teria como objetivo tratar as doenças em si, e sim, expulsar e combater os demônios. Não há indícios de acupuntura terapêutica no sentido real antes de 90 AC.

A Medicina de Correspondência Sistemática

Como vimos anteriormente, correspondência sistemática, no caso da medicina Chinesa, significa o reconhecimento de um sistema no qual os fenômenos se qualificam segundo princípios, e fenômenos de igual qualificação teriam poder de influência mútua. Se A e B são classificados como yang, por exemplo, agir sobre A causaria um efeito similar em B, pois pertencem à mesma classificação sistemática. Na Medicina Chinesa os princípios básicos são "yin yang" e "Cinco Fases" (wu xing), que veremos em capítulos a seguir.
O caos existente na era "Estados em Guerra" motivou o surgimento da forma de pensar que caracteriza a medicina de correspondência , que tem como pontos principais: a crença mágica na unidade da natureza; o uso dos princípios "yin yang" e "cinco fases"; englobar alguns conceitos oriundos da medicina dos demônios; o conceito de "Qi" como a base da vida, que seriam "influências materiais sutis", segundo Unschuld, sendo que esta forma de pensar apresentaria certas características da estrutura do império chinês por fim unificado, como veremos adiante.
O princípio "yin yang" surge por volta do quarto século AC, sendo sua primeira citação encontrada no "Shih Chi". No livro "Huang Ti Nei Ching" encontramos a sua primeira aplicação em medicina. Existiram várias escolas baseadas no "yin yang", algumas usando quatro subdivisões, outras seis subdivisões, e o "Nei Ching" é uma tentativa de integrar estas várias correntes com as "Cinco Fases". Uma grande dificuldade que encontramos no estudo de alguns destes conceitos é que às vezes o mesmo termo pode significar conceitos diferentes, em função do contexto onde se insere.
Apesar de encontrarmos em várias citações o Taoísmo como sendo a base da medicina chinesa, Unschuld demonstra ser o Confucionismo o maior contribuinte em relação ao modo de pensar da Medicina de Correspondência Sistemática. O "Nei Ching", tratado fundador desta medicina, cita quase textualmente um trecho de Hsun Tzu, seguidor de Confúcio, que diz que o indivíduo e a sociedade podem ser ameaçados por processos naturais, mas que a prevenção seria adotar as medidas apropriadas. O próprio Confucionismo adotou o "yin yang" e as "Cinco Fases" para explicar mudanças sociais e políticas.
A Medicina de Correspondência Sistemática usa termos bélicos, influência da sua fase formativa nos "Estados em Guerra". Os males não seriam causados por demônios, e sim por influências e emanações abstratas ou concretas. Surge o conceito de "Qi" , possivelmente originário da idéia do "vento" como uma entidade causadora de doenças, idéia por si que nasce no conceito de demônios.
Em princípio, "Qi" seria somente a influência malévola, mas com o tempo evoluiu para o conceito atual, aproximadamente "influências materiais sutis", como vimos acima. (Para uma discussão mais aprofundada sobre a tradução de "Qi", veja em "Qi e Energia:Tradução, Tradição, Traição"). Surgem os conceitos de "repleção" e "depleção": "repleção" seria a supremacia de influências malévolas, enquanto "depleção" seria a perda das influências apropriadas do organismo.
A saúde e a harmonia seriam consequência de não haverem extravagâncias ou excessos, sejam alimentares, sexuais, climáticos ou morais.
A patologia na Medicina de Correspondência Sistemática constituia em:
1) "repleção" ou "depleção" nos órgãos Zang Fu

2) obstrução nos canais ou meridianos Ching.
Podemos entender o surgimento destas idéias se associarmos que, nesta mesma época, o império se unia e se integrava, surgindo grandes metrópoles, desenvolvendo-se o comércio e as trocas, com a necessidade da melhora dos meios de transportes, assim como da construção de grandes depósitos que assegurassem o fornecimento de grãos à população. Nasce um sistema complexo cujo funcionamento dependia de que as relações entre as partes deste sistema estivessem harmonizadas.
O bem estar geral dependia da troca de recursos entre as partes do sistema. A terminologia médica usou os termos e os conceitos empregados no sistema como um todo: Zang, depósitos ou órgãos onde o Qi se armazenava; Fu, palácios por onde o Qi passava; Ching-Lo, canais que uniam todo o sistema, como os rios e canais da China integravam o império. Refletindo o que ocorre na irrigação dos campos e na navegação dos rios, era necessário que este fluxo fosse contínuo, sem obstruções ou transbordamentos, que levariam a falhas na distribuição dos bens, causando deficiência nos centros de consumo e excesso nos centros de produção. A Medicina de Correspondência Sistemática tem como objetivo então identificar e localizar estas obstruções, deficiências e repleções, tratando através da normalização do fluxo do Qi nos canais (ou meridianos), não se valorizando a anatomia, e sim as funções envolvidas.

A Acupuntura

A primeira descrição histórica da acupuntura como terapêutica é feita por Ssu Ma Ch'ien no "Shih Chi", 90AC. Foram descobertos recentemente nas tumbas encontradas em Ma Wang Tui livros que descrevem onze canais separados, cada um associado a uma gama de sintomas específicos, sem referência a pontos de acupuntura. Não se explicita nestes livros que tipo de circulação haveria, ou se haveria tal circulação, e somente quatro destes canais são associados aos órgãos. O tratamento seria efetuado através da queima de lã de Artemísia, ou "moxa", ou pela punção de abcessos feita com pedras ponteagudas.
O "Nei Ching" traz a primeira sistematização de todos os conceitos de saúde existentes no final da era dos "Estados em Guerra" e início da era Han. Surgem os pontos como locais de estímulo, os doze canais e a associação entre canais e órgãos. É um livro algumas vezes contraditório, possivelmente escrito por vários autores de épocas diversas, e que engloba conceitos antagônicos, bem ao modo sincrético da cultura chinesa.
Posteriormente o "Nan Ching" refina a Medicina de Correspondência Sistemática, definindo as regras e procedimentos que seriam utilizados pela acupuntura até os nossos dias. Somente na era Song surge outra obra importante, o "Da Cheng", que reúne a experiência prática de acupuntura existente nesta época. O "Nan Ching" foi um pouco esquecido como referência básica nos séculos seguintes, a visão sincrética e controversa do "Nei Ching" se estabelecendo como a principal, inclusive tendo sido a que primeiro se conheceu no Ocidente.

A Acupuntura no Ocidente

Notícias sobre uma forma exótica de medicina praticada pelos chineses já chegavam ao Ocidente desde 1255, com a "Viagem à Terra dos Mongóis", de William de Rubruk. Padres jesuítas portugueses, ao viverem longos períodos no Japão à partir do século 16, puderam conhecer mais detalhes da forma japonesa de praticar a medicina chinesa. No século 17 começaram os relatos médicos propriamente ditos, feitos por médicos ocidentais que viveram na Ásia, como Jakob de Bondt, Buschof, Willem ten Rhijne, Engelbert Kaempfer. Houve então um período de enorme interesse pela acupuntura, que já havia passado quando Dabry de Thiersant publicou em 1863 "A Medicina dos Chineses", citando inclusive trechos do "Da Cheng".
Talvez por causa da presença francesa na Indochina, somente na França ainda encontraríamos algum interesse esporádico em acupuntura, até que Soulié de Morant publicou "A Acupuntura Chinesa". Soulié de Morant tentou despertar o interesse médico pela acupuntura, porém o fato de não ser médico contribuiu para uma reação negativa por parte da comunidade científica da época.
Alguns dos termos empregados por ele, como "energia", "meridianos", permanecem em uso até hoje em algumas escolas ocidentais de acupuntura.
Depois, surgem os trabalhos de Chamfrault, e Niboyet, médicos franceses pioneiros, além de Nguyen van Nghi, médico vietnamita que vive na França.
O interesse da comunidade médica foi finalmente aceso quando houve a notícia de que o jornalista americano James Reston foi tratado com acupuntura, e de que na China a acupuntura era usada como analgesia em cirurgias. Várias clínicas de dor crônica passaram a usá-la como terapia, e com o despertar do movimento alternativo, mais e mais médicos passaram a se interessar pela acupuntura.

Fonte: www.acupuntura.org