Cárie


As cavidades (cárie dentária) são as áreas que perderam substância como resultado de um processo que gradualmente dissolve a superfície externa mais resistente do dente (esmalte) e avança para o interior do mesmo.

Juntamente com o resfriado comum e a doença das gengivas, a cárie figura entre as afecções humanas mais comuns. A cárie continuará a desenvolver-se se não for tratada de forma adequada por um estomatologista. Uma cárie sem tratamento pode representar a perda do dente.  

Causa

Devem existir condições propícias para o desenvolvimento da cárie dentária. A bactéria produtora de ácido deve estar presente e o alimento, para que prospere, deve estar ao seu alcance. Portanto, um dente propenso à cárie é aquele que tem relativamente pouco flúor, orifícios pronunciados ou fissuras que retêm a denominada placa bacteriana (depósitos de bactérias que se acumulam nos dentes). Embora a boca contenha grande quantidade de bactérias, só algumas causam a cárie, sendo o Streptococus mutans a bactéria mais comum.

A cárie desenvolve-se de maneira diferente, segundo a sua localização no dente. A cárie da superfície lisa é a de desenvolvimento mais lento e constitui o tipo mais evitável e reversível. Neste caso, a cavidade inicia-se como um ponto branco onde as bactérias dissolvem o cálcio do esmalte. De um modo geral, é entre os 20 e os 30 anos de idade que começam as cáries da superfície lisa.

Normalmente, é por volta dos 10 anos de idade que começam as cáries de orifícios e fissuras nos dentes permanentes. Forma-se nas estrias apertadas da superfície mastigatória dos molares ao lado da bochecha e é um tipo de cárie que avança rapidamente. Muitas pessoas não conseguem limpar adequadamente estas áreas propensas à cárie porque as estrias são mais apertadas do que as cerdas da escova de dentes.

A cárie da raiz começa na camada de tecido ósseo que cobre a raiz (cimento), quando esta fica exposta pelo retrocesso das gengivas. Em geral, afecta pessoas de meia-idade ou mais velhos (Ver secção 8, capítulo 95) e, muitas vezes, a causa deste tipo de cárie reside na dificuldade em limpar as áreas da raiz e no alto conteúdo de açúcares da dieta. A cárie de raiz pode ser a mais difícil de evitar.

É lento o avanço da cárie no esmalte (a camada externa e dura do dente). Depois de penetrar na segunda camada do dente, mais suave e menos resistente, denominada dentina, a cárie estende-se rapidamente e avança para a polpa dentária, tecido com numerosos nervos e vasos sanguíneos, que se encontra no mais profundo do dente. Embora uma cárie possa levar entre 2 e 3 anos a penetrar no esmalte, num só ano pode passar da dentina à polpa e inclusive afectar uma área muito maior. Por isso, a cárie da raiz que se inicia na dentina pode destruir em pouco tempo grande parte da estrutura do dente.

Sintomas

Nem todas as dores de dentes se devem à cárie. A dor pode ser consequência de uma raiz demasiado exposta mas sem cárie, de uma mastigação excessivamente enérgica ou devido a um dente fracturado. A congestão dos seios frontais pode causar dor nos dentes superiores.

Uma cárie no esmalte, de um modo geral, não causa dor; esta começa quando a cárie atinge a dentina. Uma pessoa pode sentir dor só quando bebe algo frio ou come algo doce, o qual indica que a polpa está ainda sã. Se a cárie for tratada nesta fase, o estomatologista pode habitualmente salvar o dente e é provável que não se produzam outras dores nem dificuldades na mastigação.

São irreversíveis os danos que causa uma cárie que chega muito próximo da polpa ou inclusive que a atinja. A dor persiste, mesmo depois do estímulo (por exemplo, água fria). O dente pode doer também sem qualquer estímulo (dor de dentes espontânea).

Quando as bactérias atingem a polpa dentária e esta morre, a dor pode cessar temporariamente. Mas em breve (de horas a dias), o dente dói, tanto ao morder como ao pressioná-lo com a língua ou com um dedo, porque a inflamação e a infecção se propagaram para além da extremidade da raiz, causando um abcesso (uma acumulação de pus). O pus acumulado à volta do dente tende a retirá-lo do seu alvéolo e a mastigação volta a colocá-lo no seu sítio, o que causa uma dor intensa. O pus pode acumular-se, originando inflamação da gengiva adjacente, ou propagar-se extensamente através do maxilar (celulite) e drenar na boca, ou inclusive através da pele junto ao maxilar inferior.

Diagnóstico e prevenção

Se uma cárie for tratada antes de fazer doer, é provável que o dano causado na polpa seja ligeiro, salvando-se a maior parte da estrutura do dente. Para a sua detecção precoce o estomatologista informa-se sobre a dor, examina os dentes com instrumentos adequados para detectar o grau de sensibilidade e de dor, podendo também fazer radiografias. O controlo dentário deve efectuar-se todos os 6 meses, embora nem todas as revisões incluam radiografias. Dependendo da avaliação do estomatologista sobre a dentadura, as radiografias podem fazer-se entre os 12 e os 36 meses seguintes.

A chave para a prevenção da cárie baseia-se em cinco estratégias gerais: uma boa higiene bucodentária, uma dieta equilibrada, o flúor, as massas de obturação e uma terapia antibacteriana.

Higiene bucal

Uma boa higiene bucal pode controlar eficazmente a cárie da superfície lisa. Esta consiste na escovagem antes ou depois do pequeno-almoço, antes de deitar e em passar o fio dental diariamente para eliminar a placa bacteriana. A escovagem previne a cárie que se forma nos lados dos dentes e o fio dental atinge os pontos entre os dentes que não se atingem com a escova. Pode utilizar-se um estimulador gengival com pontas de borracha para retirar os resíduos de alimentos alojados na margem das gengivas e das superfícies que estão face aos lábios, às bochechas e ao palato.

Qualquer pessoa com uma destreza manual normal demora três minutos a escovar os dentes correctamente. No início, a placa bacteriana é bastante mole e limpa-se com uma escova de cerdas suaves e fio dental, no mínimo uma vez por dia, o que também contribuirá para prevenir as cáries. No entanto, a placa bacteriana torna-se mais difícil de retirar quando se calcifica, processo que começa cerca de 24 horas mais tarde.

Dieta

Embora todos os hidratos de carbono possam causar um certo grau de cárie dentária, os maiores culpados são os açúcares. Todos os açúcares simples têm o mesmo efeito sobre os dentes, incluindo o açúcar de mesa (sacarose) e os açúcares do mel (levulose e dextrose), das frutas (frutose) e do leite (lactose). Quando o açúcar entra em contacto com a placa bacteriana, o Streptococcus mutans, a bactéria presente na placa, produz ácido durante uns vinte minutos. A quantidade de açúcar ingerida é irrelevante; o importante é o tempo em que o açúcar permanece em contacto com os dentes. Por isso, saborear uma bebida açucarada durante uma hora torna-se mais prejudicial do que comer um rebuçado em cinco minutos, embora o rebuçado contenha mais açúcar.

Portanto, uma pessoa com tendência para desenvolver cáries deve evitar os doces.

O bochecho depois de comer uma sanduíche de presunto elimina parte do açúcar, mas a escovagem é mais eficaz. Como prevenção é útil tomar bebidas não alcoólicas adoçadas artificialmente, embora as coca-colas dietéticas contenham um ácido que pode contribuir para a cárie dentária. Tomar chá ou café sem açúcar contribui para a prevenção da cárie, particularmente nas superfícies expostas das raízes.

Flúor

O flúor proporciona aos dentes, e ao esmalte em particular, uma maior resistência contra o ácido que contribui para a cárie. O flúor ingerido é particularmente eficaz até aos 11 anos de idade, aproximadamente, quando se completa o crescimento e o endurecimento dos dentes. A fluoração da água é o modo mais eficaz de administrar o flúor às crianças. Em alguns países a água já contém flúor suficiente para reduzir a cárie dentária. Contudo, se a água fornecida tiver demasiado flúor, os dentes podem apresentar manchas ou alterações de cor. Quando a água que se dá às crianças não contém flúor, tanto o médico como o dentista podem prescrever pastilhas ou gotas de fluoreto de sódio. O estomatologista pode aplicar o flúor directamente nos dentes de pessoas de qualquer idade que sejam propensas à cárie dentária. Também dão bons resultados os dentífricos que contenham flúor.

Ocludentes

Podem utilizar-se determinadas substâncias oclusivas para aumentar a resistência ao desenvolvimento de fissuras nos dentes posteriores. Depois de ter limpo cuidadosamente a área que deve ser coberta, o estomatologista acondiciona o esmalte e coloca um líquido plástico nas fissuras dos dentes. Quando o líquido endurece, forma-se uma barreira eficaz e todas as bactérias do interior da ranhura interrompem a formação de ácido sem possiblidade de contacto com o alimento de que necessitam. O ocludente dura bastante tempo; cerca de 90 % permanecem ao fim de um ano e 60 % ao fim de 10 anos, mas às vezes pode ser necessária uma reparação ou substituição.

Coroas, pontes e implantes
 

Terapia antibacteriana

Algumas pessoas alojam na boca bactérias especialmente activas que causam a cárie dentária. Os pais podem transmitir essas bactérias aos seus filhos, provavelmente através do beijo. As bactérias desenvolvem-se na boca da criança, a partir da primeira dentição, e mais tarde podem causar cárie. Deste modo, a tendência para a cárie dentária de tipo familiar não reflecte necessariamente uma escassa higiene bucal nem a existência de uma alimentação inadequada.

Uma terapia antibacteriana pode ser necessária em pessoas muito propensas à cárie. Em primeiro lugar, o estomatologista elimina a cárie da zona danificada e cobre com massa todas as cavidades e fissuras dos dentes; posteriormente prescreve um bochecho com um colutório (cloro-hexidina) durante várias semanas, para eliminar as bactérias que ficam na placa bacteriana. Com isso pretende-se que bactérias menos nocivas substituam as causadoras da cárie. Para manter essas bactérias sob controlo, devem fazer-se diariamente bochechos de flúor e mastigar pastilhas que contenham xilitol.

Tratamento

Se a cárie se evitar antes de atingir a dentina, o esmalte repara-se espontaneamente e a mancha branca do dente desaparece. Uma vez que a cárie atinja a dentina, deve extrair-se a parte do dente com cárie e substituí-la por uma massa (restauração). O tratamento da cárie na sua fase prematura mantém a força do dente e limita a possibilidade de danos na polpa.

Obturações

Vários materiais utilizados para as obturações podem ser colocados na base cavitária ou à volta do dente. A amálgama de prata é a mais usada nas obturaçõs dos molares, onde a resistência é importante e a cor da prata mal se vê. A amálgama de prata é relativamente barata e dura, em média, 14 anos. A obturação de ouro (incrustações) é mais cara e requer, no mínimo, duas visitas ao estomatologista; no entanto, é mais resistente e serve para as cáries maiores.

O uso dos compostos de resina e das obturações de porcelana está indicado para os dentes da frente, onde a prata seria demasiado visível. A aplicação destes compostos nos molares é cada vez mais frequente e a vantagem é a sua semelhança com a cor do dente. No entanto, são mais caros do que as amálgamas de prata e provavelmente duram menos, particularmente nos molares que estão submetidos à força da mastigação.

Nas pessoas com predisposição para a cárie na área adjacente às gengivas, pode recomendar-se uma obturação derivada do vidro, também de cor semelhante ao dente, cuja propriedade é a de libertar flúor uma vez colocada no dente. Outra aplicação desta substância é nas áreas que ficam danificadas devido a uma escovagem demasiado enérgica.

Tratamento da raiz e extracção de dentes

Quando a cárie aprofunda o suficiente para danificar a polpa de forma permanente, o único modo de suprimir a dor é retirar a polpa através do canal da raiz (endodôncia) ou extrair o dente. Um molar tratado por endodôncia está mais bem protegido por uma capa (coroa) que abranja toda a superfície de mastigação. O método de restauração dos dentes da frente que tenham recebido tratamento da raiz está condicionado pela parte que ficar do dente. Excepcionalmente, ao fim de uma ou mais semanas a contar da endodôncia, podem aparecer febre, dor de cabeça ou então uma inflamação do maxilar, do pavimento da boca ou da garganta. Estas complicações requerem cuidados médicos.

Se se extrair um dente, deve-se substituí-lo o mais cedo possível; caso contrário, os dentes próximos podem mover-se e alterar a forma da dentada. A substituição pode ser uma ponta, uma dentadura parcial fixa, que reveste com coberturas os dentes de cada lado do extraído, ou uma dentadura postiça. Também se podem fazer implantes para substituir um dente.

Uma coroa é uma reconstrução que se adapta sobre um dente. Uma coroa bem moldada requer, de modo geral, duas visitas ao estomatologista, embora às vezes possa necessitar de mais. Na primeira visita, o estomatologista prepara o dente, afiando-o ligeiramente, depois faz um molde do dente e coloca uma coroa provisória sobre o mesmo. O molde serve para desenhar a coroa permanente num laboratório de prótese dentária. Na consulta seguinte, substitui-se a coroa provisória pela permanente que se cimenta no dente já preparado.

As coroas são feitas, habitualmente, com uma liga de ouro ou de outro metal. A porcelana serve para dissimular a cor do metal. As coroas também podem ser feitas de porcelana, mas esta é mais dura e abrasiva do que o esmalte do dente e pode desgastar o dente oposto. Além disso, as coroas de porcelana ou de outro material semelhante são mais propensas a quebrarem-se do que as metálicas.




A linguagem dos estomatologistas
Como se chama habitualmente Como lhe chamam os dentistas
Dente de adulto Dente permanente
Dente de leite Dente decíduo ou caduco
Queixais Molares
Dentada Oclusão
Aros, arames Aros, arcos e aparelhos de ortodoncia
Camada Coroa
Cavidades, cárie Cárie
Limpeza Profilaxia
Chumbagem Obturação
Dentes da frente Incisivos ou caninos
Gengiva Gengiva
Doença da gengiva Doença periodontal, periodontite
Lábio leporino Fissura labial
Gás hilariante Protóxido de azoto
Maxilar inferior Maxilar inferiot
Dentadura, aparelho Prótese removível completa ou parcial
Céu da boca Palato
Dentes laterais Bicúspides
Chumbagem de prata Obturação com amálgama
Sarro Tártaro
Dentada desigual Má oclusão
Maxilar superior Maxilar superior

Tratamento do canal de um dente muito danificado
Anestesia-se o dente.
Coloca-se uma borracha à volta do dente para o isolar das bactérias do resto da boca.
Pratica-se uma abertura através da superfície mastigatória de um molar, ou através da face lingual, se se tratar de um dente anterior.
Introduzem-se instrumentos muito finos através da abertura, dentro do espaço que deixa o canal pulpar, e extrai-se toda a polpa que resta.
Isola-se e drena-se o canal desde a abertura até à extremidade da raiz.
Fecha-se o canal com uma obturação.

Periodontite


A periodontite (piorreia) aparece quando a gengivite se propaga às estruturas que suportam o dente.

A periodontite é uma das causas principais de desprendimento dos dentes nos adultos e é a principal em pessoas mais idosas.

Causa

A maioria dos casos de periodontite são a consequência de uma acumulação prolongada de placa bacteriana e tártaro entre os dentes e as gengivas, favorecendo assim a formação de cavidades profundas entre a raiz do dente e o osso subjacente. Estas cavidades acumulam placa bacteriana num ambiente sem oxigénio, que estimula o crescimento de bactérias. Se o processo continuar, o maxilar adjacente à cavidade, finalmente, vai-se destruindo até que o dente abana.

O grau do desenvolvimento da periodontite difere consideravelmente mesmo entre indivíduos com quantidades semelhantes de tártaro, provavelmente porque, segundo as pessoas, a placa bacteriana contém diversos tipos e quantidades de bactérias e porque cada pessoa reage de modo diferente às bactérias. A periodontite pode desencadear surtos de actividade destrutiva que duram meses, seguidos de períodos em que a doença aparentemente não causa danos de maior.

Muitas doenças podem predispor a que se contraia a periodonite, entre elas a diabetes mellitus, a síndroma de Down, a doença de Crohn, uma deficiência de glóbulos brancos e a SIDA. A periodontite progride rapidamente nos afectados pela SIDA.

Sintomas e diagnóstico

Os sintomas iniciais da periodontite são a hemorragia, a inflamação das gengivas e o mau hálito (halitose). Os estomatologistas medem a profundidade das cavidades nas gengivas com uma sonda fina e as radiografias mostram a quantidade de osso perdido. Quanto maior for a perda de osso, mais o dente afrouxa e muda de posição. É comum que os dentes da frente se projectem para fora. Habitualmente a periodontite não causa dor até que os dentes afrouxam o suficiente para se moverem ao mastigar ou até que se forme um abcesso (acumulação de pus).

Tratamento

Ao contrário da gengivite, que habitualmente desaparece com um bom cuidado bucodentário, a periodontite requer um tratamento profissional. O doente que pratique uma boa higiene dentária consegue limpar somente 2 mm abaixo da linha gengival.

O estomatologista pode limpar os orifícios até 5 mm de profundidade, usando um raspador e uma escova de raízes que retira a fundo o tártaro e a superfície doente da raiz. Para os orifícios de 6 mm ou mais requer-se, frequentemente, um tratamento cirúrgico. É também possível tirar a porção solta das gengivas, de modo que o resto possa aderir de novo e de forma firme aos dentes, permitindo assim a limpeza da placa bacteriana em casa.

O estomatologista pode prescrever antibióticos, especialmente no caso de abcessos. Nos orifícios profundos podem colocar-se filamentos impregnados de antibiótico, para que uma concentração alta do fármaco possa alcançar a área doente. Os abcessos periodontais causam um surto de destruição óssea, mas o tratamento imediato com cirurgia e antibióticos pode contribuir para a regeneração de grande parte do osso danificado. Enquanto a boca permanecer inflamada depois da operação, enxaguar a boca com cloro-hexidina durante um minuto duas vezes por dia pode substituir temporariamente a escova de dentes e o fio dental.

Doença das trincheiras


A doença das trincheiras (infecção de Vincent, gengivite ulcerosa necrosante aguda) é uma infecção dolorosa, não contagiosa, das gengivas que causa dor, febre e cansaço.

O termo «doença das trincheiras» provém da Primeira Guerra Mundial, quando muitos soldados nas trincheiras contraíam a infecção. A escassa higiene bucal costuma contribuir para o desenvolvimento da infecção, tal como o stress físico ou emocional, uma dieta reduzida ou o dormir pouco. A infecção apresenta-se, muito frequentemente, em pessoas com gengivite simples, confrontadas com um problema que lhes causa tensão nervosa, como os exames nos estudos ou a mudança de trabalho. Este processo é mais frequente nos fumadores do que nos não fumadores.

Sintomas

De um modo geral, a doença das trincheiras começa repentinamente com dor nas gengivas, uma sensação de mal-estar e de cansaço geral. Provoca também halitose (mau hálito). As extremidades das gengivas entre os dentes sofrem erosão e cobrem-se de uma camada cinzenta de tecido morto. As gengivas sangram com facilidade e doem ao comer e ao engolir. Muitas vezes, os gânglios linfáticos do pescoço por baixo do maxilar inferior inflamam-se e aparece alguma febre.

. Periodontite: da placa à perda do dente
1-As gengivas sãs e o osso seguram o dente no seu local. 2-A formação da placa irrita as gengivas e estas inflamam-se; com o tempo separam-se do dente, criando uma cavidade que se enche com mais placa. 3 As cavidades tornam-se mais profundas e a placa, ao endurecer, transforma-se em tártaro, acumulando-se mais placa sobre este.4 A placa desloca-se para a raiz do dente e pode destruir o osso que segura o dente. Sem este suporte, o dente solta-se e cai

Tratamento

O tratamento começa com uma limpeza suave e minuciosa, durante a qual se extrai da zona todo o tecido gengival morto e o tártaro. Dado que a limpeza pode tornar-se dolorosa, o estomatologista pode aplicar uma anestésico local. Durante os primeiros dias depois da profilaxia recomenda-se que o doente faça bochechos com uma solução de peróxido de hidrogénio (3 % de peróxido de hidrogénio misturado com água a 50 %) várias vezes ao dia, em vez de escovar os dentes.

O doente deve visitar o estomatologista todos os dias, ou então em dias alternados, durante duas semanas. A limpeza regular por parte de um profissional deve manter-se enquanto durar a cura. Se as gengivas não voltarem à sua forma e posição normais, o estomatologista refá-las cirurgicamente para prevenir uma recidiva ou uma periodontite. Pode prescrever-se um antibiótico quando a doença é grave ou quando o doente não pode recorrer ao estomatologista.

Gengivite


A gengiva é a inflamação das gengivas.

As gengivas inflamadas doem, incham e sangram facilmente. A gengivite é uma inflamação muito frequente e pode aparecer em qualquer momento após o desenvolvimento da dentição.

Gengivas normais e gengivas inflamadas (sobreelevadas)

Uma higiene dentária adequada permite conservar as gengivas sãs (A). A falta de higiene leva à acumulação de bactérias (placa bacteriana) (B) e finalmente à formação de cálculos (C). Note-se nas imagens B e C a inflamação progressiva das gengivas.  

Causas e sintomas

Quase sempre a gengivite é consequência da escovagem incorrecta, que permite que a placa bacteriana permaneça sobre a linha gengival dos dentes. A placa bacteriana é uma película mole e viscosa formada principalmente por bactérias. Acumula-se, de preferência, nas obturações defeituosas e à volta dos dentes próximos das dentaduras postiças pouco limpas, das pontes e dos aparelhos de ortodôncia. A placa bacteriana solidifica em sarro (tártaro) quando permanece mais de 72 horas nos dentes e não se consegue retirá-la integralmente com a escova nem com o fio dental. Embora a causa principal da gengivite seja a placa bacteriana, outros factores podem agravar a inflamação, especialmente a gravidez, a puberdade e os medicamentos contraceptivos.

Alguns fármacos podem causar um crescimento das gengivas, o que torna difícil retirar a placa bacteriana e, muitas vezes, produz gengivite. Por exemplo, a fenitoína (utilizada para controlar as convulsões), a ciclosporina (que é tomada pelas pessoas submetidas ao transplante de órgãos) e os bloqueadores dos canais de cálcio, como a nifedipina (que se administram para controlar a pressão arterial e as alterações da frequência cardíaca). Os medicamentos ou as injecções anticoncepcionais também podem agravar a gengivite.

Na gengivite simples, o aspecto das gengivas é mais vermelho que rosado. Incham e movem-se em vez de estarem firmemente adaptadas aos dentes. As gengivas, muitas vezes, sangram quando se escovam os dentes ou ao comer. Se a gengivite for grave, a almofada pode aparecer manchada de sangue pela manhã, particularmente quando a pessoa respira pela boca.

Em algumas ocasiões, a deficiência de vitaminas pode causar gengivite. A carência de vitamina C (escorbuto) pode produzir inflamação e sangramento das gengivas. A carência de niacina (pelagra) também causa hemorragia nas gengivas e predisposição para certas infecções bucais.

A estomatite herpética aguda é uma infecção viral dolorosa (Ver secção 8, capítulo 93) das gengivas e de outras partes da boca. As gengivas infectadas apresentam uma cor avermelhada brilhante e a infecção provoca o aparecimento de numerosas feridas pequenas, brancas ou amarelas, dentro da boca.

A gengivite da gravidez, devida principalmente a alterações hormonais que se produzem durante a gravidez, é um agravamento de uma gengivite ligeira. Pode contribuir para o problema o descuido com a higiene bucal da grávida, que é frequente por causa das náuseas que a afectam de manhã. Durante a gravidez, uma irritação menor, frequentemente uma concentração de tártaro, pode produzir uma tumefacção como consequência do crescimento de tecido gengival, o chamado tumor de gravidez. O tecido inchado sangra facilmente se existir uma ferida e pode interferir na ingestão de alimentos.

A gengivite descamativa é um processo pouco conhecido e doloroso que afecta, com frequência, as mulheres na pós-menopausa. Nesta doença, as camadas externas das gengivas separam-se do tecido subjacente, deixando a descoberto as terminações nervosas. As gengivas tornam-se tão frágeis que essas camadas se podem desprender ao esfregá-las com um algodão ou com o estímulo de ar de uma seringa odontológica.

A gengivite da leucemia é a primeira manifestação da doença em quase 25 % das crianças afectadas de leucemia. Uma infiltração de células de leucemia dentro das gengivas causa a gengivite, que piora por causa da incapacidade do sistema imunológico para combater a infecção. As gengivas tornam-se vermelhas e sangram com facilidade. Muitas vezes, a hemorragia persiste durante vários minutos, dado que o sangue não coagula com normalidade nos afectados por leucemia.

Na pericoronite, a gengiva inflama-se e cavalga sobre um dente que não saiu ainda completamente, em geral um queixal do siso. A porção da gengiva que cobre o queixal que só emergiu parcialmente pode reter líquidos, restos de comida e bactérias. Se um molar do siso superior irromper antes do inferior, pode morder essa porção sobreposta, aumentando a irritação. Podem desenvolver-se infecções e propagar-se à garganta ou à bochecha.  

Prevenção e tratamento

A gengivite simples pode ser evitada com uma boa higiene bucodentária, com a escovagem diária e com o fio dental. Pode utilizar-se um dentífrico que contenha pirofosfato para os casos em que se forme muito sarro. Depois de se formar o tártaro, só um profissional o pode retirar (profilaxia). Uma limpeza profissional mais frequente pode ser necessária nos casos de pessoas com higiene bucal escassa ou com estados de saúde propensos à gengivite ou que tenham tendência para formar placa bacteriana. Dependendo da rapidez com que se forma o tártaro, assim a limpeza profissional pode ser necessária todos os três meses ou todos os anos. Depois de eliminar o tártaro e a placa bacteriana, as gengivas sararão rapidamente devido à sua excelente irrigação, desde que a escovagem dos dentes seja cuidadosa.

Devem tratar-se ou controlar-se os processos de algumas doenças que possam causar ou piorar a gengivite. Se uma pessoa necessitar de tomar um medicamento que provoque um sobrecrescimento do tecido gengival, este excesso de tecido pode ter de ser extirpado cirurgicamente. No entanto, com uma higiene bucal meticulosa efectuada em casa e uma profilaxia frequente pode diminuir-se o desenvolvimento da excrescência e evitar a cirurgia.

A carência de vitamina C e de niacina pode ser tratada através de complexos vitamínicos e de uma dieta adequada.

A estomatite herpética aguda costuma melhorar em duas semanas, sem qualquer tratamento. A limpeza intensiva não ajuda, pelo que os dentes se devem escovar suavemente enquanto a infecção for dolorosa. O estomatologista pode recomendar um bochecho com um colutório anestésico para aliviar as queixas experimentadas ao comer ou ao beber.

O descuido com a higiene bucal na grávida é frequente devido às náuseas que a afectam. Por isso, o estomatologista pode sugerir outras formas de limpar dentes e gengivas. Uma mulher pode sofrer do chamado tumor da gravidez e submeter-se a uma intervenção para o extirpar; contudo, estes tumores tendem a reproduzir-se até que termine a gravidez.

Se a gengivite descamativa se desenvolve durante a menopausa, pode ser útil uma terapia de substituição hormonal. Se não for este o caso, o estomatologista pode prescrever comprimidos ou pomadas de corticosteróides para aplicar directamente nas gengivas.

Para prevenir hemorragias no caso de gengivite produzida pela leucemia, em vez de se escovarem, os dentes e as gengivas devem ser limpos suavemente com gaze ou esponja. O estomatologista pode prescrever um bochecho com cloro-hexidina para controlar a placa bacteriana e prevenir as infecções da boca. Quando a leucemia está sob controlo, um bom cuidado dentário contribui para tratar as gengivas.

No caso de pericoronite, pode levantar-se a porção sobreposta para limpar os resíduos e as bactérias. Se se detectar nas radiografias que um queixal inferior sairá completamente, o estomatologista pode extrair o superior e prescrever antibióticos durante uns dias antes de extrair o inferior. Às vezes, o queixal inferior extrai-se imediatamente.

A importância dos exercícios abdominais para a manutenção saúde da coluna



 
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Durante a realização de atividades diárias, (caminhada, corridas, carregamento de pesos), a coluna vertebral está constantemente submetida a forças compressivas de tensão, de torção e de cisalhamento (ADAMS et al., 1994). Estas forças são distribuídas ao longo da coluna vertebral através de um eficiente sistema biomecânico, constituído por vértebras, ligamentos, músculos e discos (WATKINS, 1999).
Entre estas estruturas da coluna vertebral, os discos intervertebrais realizam um papel fundamental na absorção e distribuição destas forças. Os discos funcionam como um sistema visco-elástico que quando submetidos a forças de compressão deformam-se radialmente e o fluído contido no núcleo pulposo e ânulo fibroso são expelidos (ADAMS e HUTTON, 1983). A combinação destes mecanismos faz com que os discos intervertebrais percam a altura e causem uma redução no comprimento da coluna (REILLY, et al.1984).
 
Quando as cargas compressivas são removidas ou reduzidas, os discos intervertebrais reabsorvem fluido e gradativamente retornam à sua altura inicial (KAPANDJI, 2000) e permitem que os sujeitos recuperem o comprimento da coluna vertebral e do corpo (estatura). As variações no comprimento da coluna vertebral, decorrentes de diferentes tipos de forças ou cargas podem ser quantificados através de medidas de pequenas variações na estatura - estadiometria (EKLUND e CORLETT 1984, VAN DIEËN et al. 1994).
 
Vários estudos têm descrito que as deformações dos discos intervertebrais são proporcionais à magnitude das forças impostas sobre a coluna vertebral (TYRRELL et al. 1985 LEATT et al. 1986 ALTHOFF et al. 1992 Rodacki et al. 2000).
 
Os músculos também realizam um papel relevante na absorção de forças e estabilização da coluna vertebral durante as atividades do cotidiano. Por exemplo, quando os músculos flexores e extensores do tronco são fortalecidos há um aumento na pressão intra-abdominal, a qual estabiliza e reduz o estresse aplicado a coluna (WATKINS, 1999). Desta forma um equilíbrio de força entre os músculos flexores e extensores do tronco auxilia na manutenção da boa postura e na redução das sobrecargas nos discos intervertebrais e nas estruturas mais sensíveis da coluna vertebral.
 
A força destes músculos tem sido descrita como um importante fator na prevenção de problemas de dores nas costas. Os músculos flexores do tronco fracos têm sido associados com a incidência  de lombalgias, por exemplo se os abdominais são fracos, além da redução da pressão intra-abdominal,  há pouco controle sobre a pelve desencadeando uma postura hiperlordótica, a qual sobrecarrega indevidamente as articulações apofisárias posteriores e o disco intervertebral (WATKINS, 1999).
 
Borenstein et al (1995) descreve a importância do fortalecimento dos músculos flexores do tronco para a manutenção de uma boa postura e na prevenção de lesões na coluna vertebral. A forma mais adequada de fortalecer os músculos abdominais é através do exercício abdominal. Os exercícios abdominais são executados em uma posição deitada (similar à posição utilizada para a descompressão da coluna vertebral, onde as forças compressivas são reduzidas), Porém deve -se  observar os exercícios abdominais realizados com os coluna totalmente retificada a qual produz uma redução na curvatura da lordose, forçando a pelve posteriormente. O resultado da redução da lordose causa um aumento na pressão do disco intervertebral, ocasionando desta forma uma maior sobrecarga na coluna vertebral durante a prática destes exercícios (HAMILL e KNUTZEN, 1999).  De fato vários estudos sugerem que os abdominais devem ser avaliados de acordo com sua efetividade, segurança (Plowman, 1992 HAMILL e KNUTZEN, 1999 ).
 
Clinicas de reabilitação apresentam diferentes enfoques para o tratamento de dores na coluna, porém o método desenvolvido por Joseph Pilates vem sendo utilizado com um meio alternativo para devolver a funcionalidade às pessoas que sofrem de problemas de coluna (Comerford&ampMottram,2001), e que não necessitem intervenções clinicas. No método Pilates existe uma variedade de exercícios que auxiliam o fortalecimento dos músculos abdominais. Desta forma essa e uma das razões pela qual muitas pessoas começam a utilizar o Pilates tanto para o tratamento quanto para a profilaxia de dores nas costas, aumentando a já grande legião de aficionados pelo método.

ATM: Disfunção da Articulação


ATM: Disfunção da Articulação

O que é ATM?

D-ATM, ou disfunção da articulação temporomandibular, é uma alteração da articulação que liga o maxilar à mandíbula que pode, por exemplo, não estar funcionando adequadamente. Essa articulação é uma das mais complexas do corpo humano, responsável por mover a mandíbula para frente, para trás e para os lados. Qualquer problema que impeça a função ou o adequado funcionamento deste complexo sistema de músculos, de ligamentos, de discos e de ossos é chamado de D-ATM. Geralmente, a D-ATM dá a sensação ao indivíduo acometido de que sua mandíbula está saltando para fora, fazendo um estalo e até travando por um instante. A causa exata desta disfunção, em geral, é impossível de ser identificada.

Quais os sintomas da D-ATM?

Disfunções de ATM apresentam muitos sinais e sintomas. É difícil saber com certeza se você tem D-ATM, porque um destes sintomas ou todos eles podem também estar presentes em outros problemas. Seu dentista poderá ajudá-lo a fazer um diagnóstico preciso, através de uma história médica e dentária completa, um exame clínico e de radiografias adequadas.

Alguns dos sintomas mais comuns de D-ATM são:

  • Dores de cabeça (freqüentemente parecidas com enxaquecas), dores de ouvido, dor e pressão atrás dos olhos;
  • Um "clique" ou sensação de desencaixe ao abrir ou fechar a boca;
  • Dor ao bocejar, ao abrir muito a boca ou ao mastigar;
  • Mandíbulas que "ficam presas", travam ou saem do lugar;
  • Flacidez dos músculos da mandíbula;
  • Uma brusca mudança no modo em que os dentes superiores e inferiores se encaixam.

Como tratar a D-ATM?

Embora não exista uma cura para a D-ATM, existem diversos tratamentos que você pode seguir para diminuir consideravelmente os sintomas. Seu dentista pode recomendar um ou mais dos seguintes tratamentos:

  • Tentar eliminar a dor e o espasmo muscular através da aplicação de calor úmido ou através de medicamentos como relaxante muscular, aspirina ou outros analgésicos comuns, ou ainda antiinflamatórios;
  • Reduzir os efeitos prejudiciais de travamento ou rangido, por meio de um aparelho, algumas vezes chamado de placa de mordida ou "splint". Este aparelho, feito sob medida para sua boca, se encaixa nos dentes superiores e ao deslizar sobre os dentes inferiores impede estes dentes inferiores de ranger contra os dentes superiores;
  • Aprender técnicas de relaxamento para ajudar a controlar a tensão muscular na mandíbula. Seu dentista pode sugerir que você procure condicionamento e aconselhamento para ajudar a evitar o estresse;
  • Quando partes da mandíbula são afetadas e os tratamentos não surtiram efeito, uma cirurgia na articulação pode ser recomendada.

 


D-ATM ocorre quando a complexa articulação que movimenta sua mandíbula não funciona bem.