Ginastica laboral e a sua atuação


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A ginástica laboral é a prática de atividades físicas orientada, realizada pelos trabalhadores coletivamente. Esta é feita no próprio local de trabalho, durante a sua jornada diária, visando melhorar a condição física do trabalhador, diminuindo assim os impactos negativos na saúde do trabalhador.

Há alguns tipos de exercicios que fisioterapeutas / educadores físicos realizam em um programa de ginástica laboral. Os exercícios devem estar em sintonia com a respiração, são realizados todos os dias e se dividem em preparatórios, compensatórios ou de pausa e de relaxamento.

Exercícios Preparatórios

Realizados antes do início da jornada de trabalho, com o objetivo de preparar o indivíduo para o início do trabalho, aquecendo os grupos musculares que serão solicitados nas suas tarefas e despertando os funcionários para que se sintam mais dispostos, além de promover a melhoria da saúde e do bem estar do trabalhador, esta etapa faz parte das medidas preventivas contra os acidentes de trabalho.

Exercícios Compensatórios ou de Pausa

São realizados durante o período de trabalho, interrompendo a monotonia operacional, aproveitando pausa para executar exercícios específicos de compensação aos esforços repetitivos e as posturas inadequadas solicitadas nas tarefas executadas.

Tem pôr objetivo, aprimorar a saúde do trabalhador, compensar os efeitos negativos da organização do trabalho, como fadiga geral ou localizada, atmosfera social comprometida, sedentarismo, contribuir para a preparação e adaptação aos postos de trabalho, despertar o interesse pôr um estilo de vida mais sadio e ativo fora da jornada de trabalho exercendo assim um efeito benéfico sobre a saúde e sobre o nível de incidência de acidentes de trabalho.

Exercícios de Relaxamento

Com base nos exercícios de alongamento, realizados após o expediente, tem pôr objetivo oxigenar as estruturas musculares envolvidas na tarefa diária, evitando o acúmulo de ácido lático e prevenindo as possíveis instalações de lesões.

É notória os beneficios oferecidos pela ginástica laboral para colaboradores de uma empresa. A satisfação e a motivação do colaborador só tende a aumentar.

Lactato em Medicina Desportiva


Lactato em Medicina Desportiva

Medição do ácido láctico em medicina desportiva

É necessária uma energia suficiente para uma actividade muscular efectiva. Esta acção passa-se nas células dos músculos, através do uso e produção do ATP (trifosfato de adenosina). O ATP existe apenas em pequenas quantidades e é consumido rapidamente durante o exercício e deve ser substituído através do metabolismo aeróbio ou anaeróbio. Quando o corpo está em repouso ou com um baixo nível de actividade, o ATP auto-regenerase principalmente através do metabolismo aeróbio. A níveis de actividade muscular mais elevados, a energia é fornecida de modo crescente sem recurso ao uso de oxigénio, mas sim através do metabolismo anaeróbio. O ácido láctico é produzido através do metabolismo anaeróbio (glicólise). Os níveis de esforço podem ser aumentados desde que o ácido láctico seja consumido à mesma velocidade que é produzido (estado estacionário). Contudo, a determinada altura, dependendo das condições do indivíduo, a quantidade de ácido láctico nos músculos e no sangue começa a aumentar.

Irá ser produzido pelo metabolismo aeróbio mais ácido láctico do que é consumido. O ponto em que o ácido láctico se começa a formar é referido como Estado Máximo de Ácido Láctico Estável (maxlass), ou Limiar Anaeróbico. Muitos peritos em medicina desportiva acreditam que o treino de resistência é mais eficiente quanto é feito próximo do Estado Máximo de Ácido Láctico Estável (maxlass). Outros acreditam que o treino é mais eficiente quando a maior parte deste é praticado a um ritmo muito abaixo deste nível de esforço e em pequenas partes bastante acima deste. Em qualquer dos casos, os níveis de ácido láctico são necessários para determinar os ritmos próprios do treino.

Para um treino aeróbio com sucesso, a mitocôndria das células aumenta e alarga, isto aumenta a capacidade aeróbia ou a capacidade de produzir oxigénio para reabastecer o ATP. As células musculares tornam-se mais eficientes quando produzem energia pelo metabolismo aeróbio em níveis elevados de esforço, queimando gorduras assim como hidratos de carbono. Isto permite ao atleta maximizar o efeito do treino e melhorar a performance.

Inversamente, treinos excessivos e/ou desadequados, que são muitas vezes observados em atletas amadores, provocam valores altos do ácido láctico, acima do limiar anaeróbio:As células musculares, acidificam de tal modo que a eficiência das áreas musculares em questão diminui rapidamente e as mudanças estruturais desejadas no tecido muscular dificilmente ocorrem.Isto pode resultar numa extensa ineficácia do treino, redução do desdobramento de gorduras e, em casos extremos, em prejuízo para a saúde. Só os treinos programados e saudáveis levam aosucesso efectivo. O primeiro passo para medir o ácido láctico é fazendo o teste por fases, onde o ácido láctico é medido várias vezes em níveis de esforço graduais desde o repouso até ao máximo esforço (alguns protocolos dos testes de fases param pouco antes do máximo). Estes testes são por vezes chamados de testes de exercício progressivos ou graduais. O teste servirá como um marco e como uma estimativa do limiar anaerótico. Ao longo do tempo, a forma e direcção da curva do ácido láctico irá ser usada para determinar os melhores ritmos do treino e para determinar se o treino está ou não a ir ao encontro dos objectivos de performance.

Um nível médio de repouso é entre 0.9 e 2.0 mmol/l. O valor usual de maxlass é de 4 mmol/l. Dependendo das condições do indivíduo e da relação entre o metabolismo aeróbio e anaeróbio, o maxlass individual, o limiar do anaeróbio do indivíduo (IAT) pode ser entre 2.5 - 6.0 mmol/l. O valor individual de limiar anaeróbico pode ser calculado usando o teste do ácido láctico.

Odontologia desportiva: nova tendência no esporte


Introdução

    Saber viver em um mundo competitivo que oferece grandes desafios é, hoje, uma característica de vencedores. Disputas no trabalho, escola e, até mesmo, em casa são cada vez mais freqüentes em nosso dia-a-dia. Tal competitividade, porém, nas práticas esportivas de disputa é essencial, já que elas são desenvolvidas através de fundamentos de competição.

    As práticas esportivas estão cada vez mais envolvidas no cotidiano das pessoas, sendo que os resultados obtidos são, muitas vezes, definidos por pequenas variáveis. Entre essas, esta a saúde bucal, pois segundo Siqueira (2005) a odontologia é a ciência que promove a manutenção de todo sistema estomatognático e os esportistas exigem muito do seu físico, devendo, portanto, dar atenção a essa área da saúde.

    Tal situação está começando a desenvolver uma nova área do conhecimento com grandes chances de crescimento e expansão, a odontologia desportiva. Nessa área atuam profissionais da odontologia ligados à educação física que se propõe a oferecer aos atletas, profissionais ou não, cirurgiões dentistas com uma visão esportiva a fim de melhorar os seus rendimentos através da manutenção da saúde oral, prevenindo e/ou tratando possíveis lesões decorrentes das atividades esportivas.

    Um fato importante para a execução deste estudo é a existência de uma grande lacuna na área da odontologia desportiva por parte de publicações científicas. Diante disso, este trabalho de revisão literária se propõe, através da união das áreas de conhecimento que a odontologia e a educação física envolvem, divulgar essa temática aos leitores interessados no assunto.


Revisão de literatura e discussão

    Siqueira (2005) coloca a odontologia desportiva como uma temática recente e ainda pouco conhecida e divulgada, não sendo uma especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia, além de não ser uma matéria oferecida na graduação, existindo apenas aulas e palestras extracurriculares.

    Porém, sua importância é evidenciada no estudo de Rodrigues (2005), no qual o autor se refere da seguinte forma. "Uma dor na boca pode significar muito mais do que dor na vida de um atleta, ela pode ser a causa do fim de uma carreira, porém exames simples e rotineiros podem evitar tal problema".

    Já Oliveira e Lemos (2007), em um estudo com duas modalidades esportivas, relatam que a interferência de patologias bucais nas atividades esportivas de atletas de handebol e canoagem causa grandes alterações na vida esportiva, as quais afetam diretamente o rendimento competitivo.

    Segundo Carvalho et al. (2007) a odontologia desportiva é aquela na qual o cirurgião-dentista atua em uma equipe multidisciplinar, visando contribuir para o quadro geral de saúde do atleta, proporcionando-lhe melhor desempenho em suas atividades.

    Os traumas ocasionados na prática esportiva representam uma parcela importante, de 14 a 39%, entre as etiologias do traumatismo dentário (Sane e Ylipaavalniemi, 1988). Diversos trabalhos indicam que os índices de traumatismos em esportistas são altos, variando de acordo com o esporte praticado, e superior se comparados ao índice global da população (Andreasen,1994; Sane e Ylipaavalniemi, 1988).

    Um motivo pelo qual esse índice é elevado está no correlacionamento do apertamento dental com a prática de alguns esportes. Amaral e Baldan (2007) citam em um estudo que a carga excessiva diária deste apertamento dos dentes gera complicações prejudiciais para o atleta e pode repercutir em seu desempenho. Sendo o apertamento dental (bruxismo cêntrico) um ato inconsciente agravado por situações de estresse, nervosismo, ansiedade, além de esforços que envolvam forças musculares de contração, há de se considerar que está envolvido em várias modalidades esportivas.

    As mesmas autoras relatam ainda que, com o passar dos anos de treinamento, o apertamento, que é patológico, se fará com maior pressão, potência, e suas conseqüências prejudiciais para saúde do individuo e do atleta ficam cada vez mais evidentes.

    Essas patologias são intervenientes no rendimento esportivo. Pesquisas revelam que o rendimento do atleta pode diminuir em até 22% em razão de distúrbios na saúde bucal e comprovam, também, que crescem os cursos e número de pacientes e profissionais interessados no tratamento específico dos atletas (Carvalho et al. 2007).

    Com relação a lesões bucais causadas no esporte pode-se dizer que fraturas maxilares e zigomáticas causadas pelos acidentes esportivos são mais freqüentes em países em que esportes como ragby são populares (Abiose, 1986; Afzelius e Rosén, 1980; Aguiar 1990), porém acontecem em outros esportes.

    Segundo Siqueira (2005) os esportes radicais (mountain bike, moto-cross, hockey inline, patins inline, skate, etc), artes marciais (judô, jiu-jitsu, katatê), lutas (greco-romana, sumô) e esportes de quadra (voleibol, handebol, futebol de salão, etc), são os que mais expõe os atletas a fraturas dentais. Nestes esportes o risco de sofrer contusões orofaciais durante a carreira variam de 33% a 56%, pois são esportes de contato e de grande competitividade.

    Por outro lado, segundo Oliveira e Lemos (2007) na canoagem, que não é um esporte em que o confronto é direto, ou seja, não implica em contato corporal, faz com que os canoístas tenham menores índices de prejuízo esportivo em decorrência dos problemas bucais. Porém, é importante que não se pense que por esse motivo não se deva buscar tratamento e, em muitos casos, evitar a prática enquanto afetado.

    No esporte, os traumas ocorrem, predominantemente, nos impactos com outros jogadores, como, por exemplo, chutes e cotoveladas involuntárias nos jogos e futebol (Tanaka, 1996). Segundo o International Journal of Oral and Maxillofacial Surgery, a maioria das fraturas maxilo-faciais relacionadas ao esporte ocorrem durante a prática de esportes coletivos com grande contato interpessoal (2005).

    Porém, a função do odontólogo em uma equipe esportiva é, segundo Siqueira (2005), garantir uma excelente saúde bucal ao desportista, detectando fatores prejudiciais a ele, como: respiração bucal, posicionamento de dentes de forma inadequada e administração de medicamentos com substâncias que possam causar doping positivo, atuando, assim, de forma preventiva.

    A grande diferença da odontologia desportiva para a convencional é que o profissional especialista em esporte conhece a cabeça do atleta. Muitas pessoas apresentam dores nas costas e o médico trata como problema muscular, sendo que a causa é odontológica. Neste caso, a pessoa não melhora e ela e o médico não entendem o porquê da não recuperação. Quando uma pessoa tem algum problema na boca, ela leva até duas vezes mais tempo para se recuperar, pois o sistema de defesa do organismo ficará dividido entre a lesão da boca e a física ( Querosaude.net, 2002) .

    No caso específico da dor de dente, além de ela tirar a concentração de competidores, pode fazer com que eles respirem por mais tempo pela boca, o que pode agravar ainda mais o problema ( Medcenter.com, 2007).

    Outro fator odontológico que pode afetar os esportistas são as perdas dentais, nas quais, segundo Siviero (2005), as causas que as determinam são variadas; entre elas, a prática esportiva e recreacional, como bicicleta, patins, esportes aquáticos, esportes com bolas, entre outros. Já para Miranda, Habitante e Candelária (2000) os mais atingidos na perda de dentes são os jovens de 7 a 10 anos de idade e que as causas estão, invariavelmente, relacionadas à prática de esportes, como futebol, ciclismo, skate, entre outros.

    Quando se fala sobre problemas respiratórios, alguns autores sugerem exercícios como forma de atenuar o problema. Pereira et al. sugerem práticas de lazer e atividades físicas como caminhadas, hidroginástica e prática de esportes (que não exijam muito esforço físico) como forma de controlar e acabar com o bruxismo, por exemplo, (2006).

    Uma temática bastante abordada é com relação aos protetores bucais na prática desportiva. Esses instrumentos são muito utilizados em esportes de lutas como boxe, taekwondo, entre outros. Os protetores bucais oferecem proteção às estruturas dentais e periodontais durante a prática de esportes de contato, reduzindo em número e gravidade os danos a essas estruturas causados por quedas ou pancadas na região bucal (Heintz, 1968, Fitzner, 1979).

    Yamada et al. (1998) apontam 32,3% de ocorrência de traumatismos bucais no esporte, sendo que apenas 0,8% ocorreram em atletas que usam o protetor bucal, porém, são divergentes dos resultados encontrados por Sane e Ylipaavalniemi (1988), que encontraram um índice de 4,3% de traumatismos no grupo que usa proteção. Os índices de traumatismo encontrados pelos mesmos autores entre outros grupos também foram divergentes, pois se teve 5,8% para praticantes de basquete e 9,7% para praticantes de handebol. Este trabalho, todavia, não relaciona o uso de protetor bucal à ocorrência de trauma.

    É válido lembrar que alguns trabalhos que apresentam índices baixos de trauma, semelhantes ou menores ao anterior, foram realizados com atletas que faziam uso do protetor bucal (Roberts, 1970; Jones, 1979 e Fitzner, 1979). Talvez resida aí uma explicação para a discrepância de resultados.


Considerações finais

    Com este estudo, observaram-se algumas importantes temáticas da odontologia desportiva, sendo ela um novo e expansor campo de trabalho e de pesquisas, podendo estar envolvida em diversos esportes e práticas corporais.

    Conclui-se ainda neste trabalho, que um cirurgião dentista é essencial em qualquer modalidade esportiva, atuando tanto preventivamente quanto na ocorrência de lesões orais, sendo a sua participação de extrema significância e capaz de envolver áreas do conhecimento bastante distintas, que é o caso da odontologia e da educação física.

    Por fim, acredita-se que esta revisão literária forneça embasamento para novos estudos relacionados a essa temática e auxilie na amenização da carência literária existente em torno da odontologia desportiva.